Estou escrevendo um livro sobre jornalismo. Meu maior receio é que se torne mais uma edição das Memórias de um Átomo, de Ega, personagem de Os Maias, de Eça de Queiroz. Lá, Lisboa inteira espera o romance de Ega, que afinal não vem. Não que alguém espere meu livro, mas não gostaria de repetir As Memórias de um Átomo. Acho que falta bibliografia jornalística no Brasil, algo essencial para que os jornalistas se avaliem, se critiquem e melhorem.
Vou, regularmente, publicar um trecho aqui no Diário. Entre outras coisas, será uma lembrança para mim de que a experiência de Ega não deve se repetir em mim. Começo com um assunto menos cuidado nas redações do que geralmente se imagina: os brindes para os jornalistas, uma velha e barata prática para conquistar (ou comprar) simpatias editoriais. O livro é dedicado a meu pai, o maior jornalista que conheci, e em quem tive lições práticas cotidianas de honradez no trabalho.
ÉTICA, NO JORNALISMO COMO EM TUDO, É UM CONCEITO EM CONSTANTE mudança. Coisas que se aceitavam um dia podem, na semana seguinte, ser tidas como absurdas. No início dos anos 80, por exemplo, quando eu era um repórter iniciante, era comum jornalistas tirarem carros com desconto das montadoras.
Funcionava assim. A montadora vendia a você sem a comissão da concessionária. Isto significa um preço entre 15% e 20% abaixo do pago pelo consumidor. Comprei um carro assim. Era banal. Posteriormente, no correr dos anos, entendeu-se que a imagem de independência do jornalista e de seu veículo poderia ficar ameaçada. A ética foi reescrita, e já faz tempo que é reprovada a compra privilegiada de carro.
A mesma revisão se deu para os brindes. Na década de 1980, os almoços de finais de ano promovidos pelas empresas eram cobiçados pelos jornalistas, não pela notícia que poderiam cavar ou pela possibilidade de encontrar velhos amigos. Os presentes dados aos jornalistas, naquelas ocasiões, eram realmente caprichados. Uma vez saímos, todos os repórteres, com um Walkman recém-lançado. Posteriormente, viu-se que também isso não era bom.
Grandes empresas criaram na década de 1990 um código para presentes que vigora até hoje. Basicamente, eles não podem ultrapassar um valor ao redor de 200 reais. Uma boa gravata, tudo bem. Um iPhone, nem tanto. A melhor lógica que vi nesse tópico e em outros encontrei em José Roberto Guzzo, diretor da Veja e da Exame por mais de 20 anos. Guzzo é aquele tipo raro de pessoa que faz coisas complicadas parecerem simples. Lembro com saudade dos finais de tarde na Exame, no final da década de 1990, em que saía de minha sala para ir à de meu vizinho e chefe, para conversar de jornalismo, literatura policial e pôquer. “Não faça nada que, publicado, embarace você”, dizia Guzzo sobre questões de conduta ética. A sabedoria prática e espirituosa de Guzzo é encontrada hoje na coluna quinzenal que ele escreve na Veja.
É uma boa divisa a dele.
Por estar em constante mutação, ética jornalística é um tema que requer acompanhamento permanente. Para mim, um tema que, nos dias de hoje, merece discussão imediata são as palestras (remuneradas) de jornalistas. Você tem uma coluna de economia e é contratado por um banco para dar uma palestra. Como vai tratar depois de uma informação negativa para esse banco? A Folha de S. Paulo apertou o parafuso em torno disso. Seus jornalistas não podem fazer palestras que não sejam gratuitas.
Certíssimo.
HÁ UMA SENSAÇÃO entre os jornalistas de que coisas básicas como a política de brindes já estão devidamente estabelecidas, pelo menos nas grandes empresas. Mas não é bem assim. Em minha passagem pela Editora Globo, em meados da década de 2 000, vivi um episódio penoso.
Chegou a mim a informação de que o diretor de redação da revista de negócios da editora, Nelson Blecher, voltara com presentes dados por todos os patrocinadores de um encontro de presidentes de empresas. Era algo como 16 brindes. Que os executivos que comparecem a tais encontros aceitem brindes, que de resto não costumam ser modestos, é uma questão que cabe a suas empresas analisar para verificar se há ou não conflito de interesses.
Mas já fazia um bom tempo que se entendera que um jornalista não poderia aceitar aquele tipo de coisa. Fiquei extremamente irritado e convoquei uma reunião de editores para debater o assunto. Não havia, para minha surpresa, uma política clara que governasse a questão dos brindes na editora. Pedi que imediatamente fosse adotado um limite de acordo com o bom senso.
O quanto esse episódio foi desgastante, os fatos posteriores contam. Minha relação com Blecher — que eu levara para a Globo, ao cabo de alguns meses em que ele me procurara com insistência desde antes mesmo que eu assumisse o cargo de diretor editorial — se deteriorou. E logo se romperia, um fato determinante para a minha saída do posto de diretor editorial da Editora Globo. Blecher acabou indo ao Rio de Janeiro falar de mim a Jorge Nóbrega, um discreto, obediente e bem cotado conselheiro da família Marinho. Jamais, em minha carreira, consegui lidar bem com executivos com o perfil sibilino de Nóbrega. Não os admiro — longe disso — e isso fica claro em mim. Para mim, aquela é uma classe de executivos que vicejam à sombra do trabalho duro, muitas vezes épico, de outra classe de executivos — os que correm riscos e são capazes de transmitir às pessoas um sentimento de causa que transcende salários e benefícios.
A lembrança mais vívida que guardo de Nóbrega é a espera de 40 minutos a que fui submetido por ele em condições de estresse extremo na conversa no Rio — longa, inútil, em que ele fazia anotações provavelmente destinadas ao lixo — em que teoricamente eu teria a oportunidade de me defender das acusações de Nelson Blecher. Logo ficaria claro que ele ouvira Blecher, a quem pagara a passagem para um encontro marcado sem que eu soubesse, com muito mais interesse do que a mim. Uma das ironias é que eu sempre elogiara Blecher no Rio, dando-lhe créditos que, a rigor, não eram dele. No mesmo Rio, ele fez o oposto em relação a mim. Se eu tinha que encontrar um Calabar na carreira, ali estava ele, na improvável figura de alguém que me tratava como um ídolo mais que como chefe. Passei, antes de assumir o cargo na Globo, uma semana num hotel em Águas de São Pedro para descansar. Deixei o celular desligado. Ao ligá-lo, a primeira mensagem que havia era de Blecher se oferecendo para dirigir a Época.

COM MEUS FILHOS, EM MEADOS NOS ANOS 90, QUANDO VIVI MINHA MELHOR EXPERIÊNCIA AO LADO DE LONDRES, NA EXAME
OS BRINDES INAPROPRIADOS eram, na verdade, o segundo problema grande que eu tinha com Blecher em um curtíssimo espaço de tempo. O primeiro se dera na maneira como ele tratara da demissão do redator-chefe Ivan Martins. Fazia tempo que Blecher se queixava a mim de Ivan, que segundo ele não o respeitava e tinha uma relação complicada com a equipe. Disse a Nelson que resolveríamos a questão assim que Ivan voltasse de suas férias. A parceria não funcionara na Negócios, mas Ivan poderia ser aproveitado em outra redação. Blecher, contra minha recomendação expressa, avisou a equipe de que demitiria Ivan.
Como era de esperar, um amigo de Ivan imediatamente telefonou a ele para dar a notícia. Ivan acabara de chegar à Espanha, para onde levara a velha mãe espanhola para uma viagem sentimental. Não poderia haver maneira pior para demitir alguém, algo particularmente bizarro numa revista que escrevia artigos sobre como mandar embora com dignidade alguém. Só soube da história quando recebi um telefonema de um boletim de notícias de redações me perguntando se era verdade que Ivan tinha sido demitido em plenas férias. Fora a questão humana, a reputação da Negócios — cujo projeto eu elaborara com imenso capricho e entregara pronto a Blecher para executá-lo, sob meu acompanhamento de perto — ficaria manchada. Disse a Ivan que falaríamos sobre sua situação na volta das férias e procurei tranquilizá-lo. Hoje, ele é editor executivo da principal revista da Globo, a Época. A Blecher, avisei que só não o demitia por termos uma longa história em comum. Um pouco depois ficaria claro meu erro em não ter feito o que deveria. A amizade não pode se sobrepor a decisões executivas objetivas.
O episódio dos brindes acabaria com o resto de paciência (que os anos desgastantes como chefe foram progressivamente reduzindo, é verdade) que me restava. Não me consta que os brindes recebidos por Blecher no encontro de executivos tenham sido devolvidos, conforme eu determinara. Imagino que não, porque, não muito depois, soube que ele fora a um novo encontro de presidentes de empresas, desta vez em Portugal, acompanhado do seu novo chefe. O que sei é que a crise provocada pelo caso tornaria minha permanência na editora inviável.
Meu temperamento também virou conversa de café. Sou fácil? Não. Sou explosivo? Sim. Eu gostaria de trabalhar com um chefe como eu? Não sei, sinceramente. Mas o fato é que as pessoas que eu levei para a Globo me conheciam muito bem. Eu apenas mudara de escritório, não de personalidade. Na Exame, onde como diretor de redação chefiei Blecher, reescrevi textos seus inúmeras vezes. Não com a polidez de diplomata, admito, anotei em laudas coisas que o ajudariam a redigir melhor. Ele tinha um problema irritante de dispersão em textos. Com meu traço precário, fiz algumas vezes um desenho em que mostrava uma estrada. Como numa viagem, uma reportagem deve sair de um ponto e terminar em outro. Dispersões longas equivalem a pegar desvios. Os textos de Blecher acabaram melhorando. Em alguns momentos na Exame, teatralmente, amassei capas de que não gostara, passadas para mim por meu grande amigo Píndaro Camarinha Sobrinho, então diretor de arte da revista. Lembramos disso, hoje, em meio a risadas e cerveja em sessões nostálgicas. Amigos leais e queridos como Píndaro e Sérgio Berezovsky, com quem compartilhei anos em redações, foram a contrapartida preciosa para instantes particularmente difíceis. Ambos, sem que eu fizesse um movimento, romperam imediatamente relações com Blecher.
Nas manobras subterrâneas contra mim, Blecher encontrou uma aliada perfeita em Cynthia de Almeida, articulada, inteligente e astuciosa. Eu levara Cynthia para a Editora Globo como adjunta. Minha expectativa era que ela revigorasse editorialmente as revistas femininas, notadamente a Marie Claire, e a revista de celebridades Quem. Passados dois anos, eu estava desapontado com os resultados. A Época fora reinventada. Duas revistas novas, a Época Negócios e a Época São Paulo, chegaram com um frescor que me agradava. Mas a Marie Claire e a Quem tinham melhorado, é certo, mas bem menos que eu esperava. Sacudir revistas femininas e de celebridades era, naquela época, uma vontade forte minha. Em duas décadas de carreira, jamais tinha tido a oportunidade de submeter aquele tipo de publicação a um choque criativo. Eu estava começando a acompanhar de perto a Marie Claire e a Quem, em conversas com suas editoras e não apenas com Cynthia, quando os acontecimentos se precipitaram.
Blecher e Cynthia tinham um elemento forte de união naquele momento: o medo de que fossem demitidos por mim. Eles se reuniam, eu saberia depois, no 4.o andar, longe da minha vista. Uma jovem jornalista identificada com a plataforma transformadora que eu imprimira à Globo, Maria Rita, cuja sala ficava também no 4.o andar, diria em tom de lamento para mim, depois que os acontecimentos se precipataram. “Eu devia ter falado com você sobre aqueles encontros, mas não imaginei que fossem dar no que deram”. Maria Rita, que era uma liderança nova no jornalismo feminino à frente da Criativa, deixou a Globo pouco depois de minha saída, atraída por um convite da Abril. Ela fez o que as pessoas fazem quando estão insatisfeitas num lugar: pedem demissão. Quando ouvi, por interpostas pessoas, que Blecher tinha “pedido demissão” ao RH da Globo por causa de meu temperamento, achei graça. Se ele quisesse de fato sair, teria simplesmente entrado em minha sala — da qual ele era o frequentador mais habitual na empresa — e dito que estava fora.
Eu já estava decidido a levar para a Globo Adriano Silva, com quem tivera uma experiência de transformação bem sucedida na Superinteressante. Não pensava em demitir Cynthia, embora decepcionado com os resultados editoriais trazidos por ela. Ia dar parte das revistas sob ela para Adriano, de forma que Cynthia pudesse ter mais tempo para cuidar das duas revistas que, para mim, demandavam urgentemente vigor editorial. Sob mim, ficariam dois diretores editoriais. Minha saída acabou tornando morta a negociação — avançada já até na definição de salário — com Adriano. Adriano, um talento natural de formador de times, um gaúcho competente e bem humorado que conheci quando ele fazia MBA em Kyoto e me mandou um artigo sobre a Toyota, foi uma vítima colateral de um conflito que nada tinha a ver com ele.
Ele já vinha colaborando informalmente com a editora. Escrevia uma coluna masculina provocativa na Marie Claire, uma continuação de uma que fazia na revista Nova quando trabalhava na Abril. Sua coluna na Marie Claire foi imediatamente suprimida com minha saída. Em certos jornalistas há o triste costume de executar os feridos. Numa coluna sobre carreira que mantinha na Criativa, Cynthia escreveu um artigo cruel em que me citava indiretamente — isso quando eu já estava nocauteado, fora da editora. Aprendi com meu pai que é nos momentos extremos que você conhece o caráter das pessoas.
Debates em torno da ética não eram propriamente novidade para mim na minha nova casa. Quando cheguei à Editora Globo, em janeiro de 2006, encontrei, para minha surpresa, uma terra de ninguém no campo da ética jornalística. Eu vinha de 25 anos numa empresa exemplar nesse campo, a Abril, e sabia também que a TV Globo tinha um código de ética severo para seus jornalistas.
Por que então a permissividade na Editora Globo?
Por duas razões básicas. A primeira é a distância entre o Rio, sede das Organizações Globo, e São Paulo, onde é administrada a editora. Essa distância se mitigaria se o executivo a quem Juan prestava contas, Nóbrega, fosse com alguma regularidade a São Paulo, mas isso não acontecia. A segunda é que o diretor-geral naquele momento, o basco Juan Ocerin, era um homem de visão estritamente financeira. Juan, com quem tive uma convivência tumultuada desde o início, tinha um precário conhecimento editorial. Sem isso, e com uma sede de bônus que lhe permitissem comprar as BMWs guiadas por motoristas da editora e que ficavam à vista dos jornalistas cujos borderôs tinham sido espremidos, Juan não tinha condições de entender a importância da ética no jornalismo.
Juan fora cuidar da editora num momento de crise financeira extrema. Ele tinha passado pela consultoria Booz-Allen, pela Volkswagen e pelo jornal O Globo, sempre em cargos financeiros. Com seu sotaque espanhol fortíssimo e uma notável capacidade de girar por vários assuntos ao mesmo tempo, não era, do ponto de vista da clareza, o melhor interlocutor que eu tivera. Os jornalistas que encontrei na Globo não gostavam de Juan e se vingavam contando fofocas. Uma das mais pitorescas que me chegaram dizia que, numa edição em que a venda de carros usados era o tema forte da revista Auto Esporte, um carro seu fora anunciado.
Minha primeira experiência desagradável com Juan se deu assim que cheguei à Editora Globo. Nas nossas negociações, incluí uma cláusula de saída. Eu estava deixando uma casa em que tinha uma situação tranquila até os anos que restavam para minha aposentadoria, e entrando numa outra em que era intensa a rotatividade. Era natural, assim, que eu me protegesse.
ESSA CLÁUSULA e outros pontos de nosso acerto foram escritos por Juan num guardanapo do bar do hotel George V, em São Paulo, onde nos encontramos algumas vezes para negociar minha ida à Editora Globo. Quando me foi dado, já na sede da empresa, o contrato para que eu assinasse, levei-o para casa e passei para minha então mulher que checasse. Dei a ela o guardanapo das anotações. Ela notou a ausência da cláusula de saída.
Estranhei. Falei com Juan no dia seguinte, e ele disse que houvera algum erro no Departamento Jurídico. No dia seguinte, recebi uma nova cópia. Passei mais uma vez a minha ex-mulher. Estava incluída, agora, a cláusula de saída. O que ela não notou e muito menos eu é que, entre vírgulas, havia uma frase que ia minando a proteção. Era uma cláusula autodegradável. Quando minha demissão foi definida ao fim da crise iniciada com Nelson Blecher, fui discutir com a direção geral os termos da saída. Juan saíra, e em seu lugar estava seu braço direito desde a primeira hora, Frederic Kachar, Fred, como Juan um executivo de formação estritamente financeira.
Foi Fred, a quem a área jurídica respondia quando fui contratado, que me contou o detalhe que me escapara em minha proteção. “É assim que funcionam os contratos imobiliários”, ele me disse. Apenas não se tratava de um contrato imobiliário. Eu tinha recebido luvas na transferência. No documento que assinei estava estabelecido que eu teria que devolvê-las caso saísse da editora antes do prazo de vigor do contrato — três anos. Mas ali o adendo de autodegradação não aparecia. Jamais digeri o episódio. Numa troca de emails, eu já em Londres, Fred escreveu que se sentia incomodado com minhas palavras reprovadoras sobre o caso, uma vez que ele cuidara de minha rescisão. “Se você se sente incomodado com isso, imagine eu”, respondi.
De um amigo, recebi a melhor recomendação quando contei a ele a história. “Aquele tipo de negociação tem que ser feita de advogado para advogado.”
Foi num ambiente de ética lassa que acabei topando com figuras como o governador do Amazonas, Eduardo Braga. Braga comprava livros da editora e, em troca, esperava que fosse objeto de reportagens promocionais da principal revista da casa, a Época. Quando publicamos, logo no início de minha gestão, uma reportagem crítica sobre ele, Braga deu um jeito para marcar um encontro comigo na editora. Foi péssima a conversa. Braga subiu de tom e eu lembrei a ele que aquela não era sua casa para falar tão alto. Braga disse que falaria de mim num encontro que, segundo afirmou num tom entre triunfal e intimidador, teria com a cúpula das Organizações Globo. Não fiquei minimamente preocupado. Sabia que no Rio a ética era diferente da de São Paulo.
TERMINADA A CONVERSA, Braga ligou de seu celular. no carro, para o executivo que cuidava das relações entre a editora e ele, o então diretor de publicidade Jota Erre. A pedido de Braga, o celular de Jota Erre foi encaminhado prontamente a Juan Ocerin. Juan ouviu do governador a única coisa sobre a qual concordamos: que nossa conversa tinha sido horrível.
Não sou Poliana, mas aprendi a ver que não raro coisas ruins se transformam em boas com o correr dos dias. Não fosse minha saída (traumática) da editora e não teria vindo a Londres. Ao lado dos anos passados como diretor de redação da Exame, na década de 1990, foi a experiência mais fascinante que tive até aqui em minha carreira de jornalista.
SEMPRE QUIS ser correspondente, mas a carreira e as circunstâncias me levaram para outro caminho. Em duas conversas com João Roberto Marinho, disse a ele que se a empresa achasse que fiz um bom trabalho na editora gostaria que a recompensa fosse o aeroporto e um posto de correspodente. João, de quem guardo boa impressão pela simplicidade serena e transparente com que administra a complexidade editorial das Organizações Globo e as pessoas que respondem pelas diversas mídias, me pareceu em ambas as ocasiões ter ouvido com atenção.
João comanda as reuniões editoriais da Globo nas manhãs de terça-feira, no prédio do Jardim Botânico. Está quase sempre em mangas de camisa. Não é quem mais fala, o que é compreendível em face da tagarelice típica de jornalistas reunidos, mas quando se manifesta — pausadamente, num tom baixo — fica claro quem manda ali naquela sala. É ele o guardião da linha liberal, à Thatcher, das mídias da Globo.
O aeroporto acabou aparecendo para mim. Tecnicamente, talvez fosse mais indicado rumar para Pequim, hoje a capital do mundo. Mas Londres, para pessoas da minha geração, é Londres. De resto, a melhor mídia do mundo ainda está aqui, a começar pela BBC. Londres tem sido um MBA para mim. Aqui, acabei me digitalizando. Não foi tão fácil assim para quem, como eu, tinha quase 60 anos de papel — os 30 de meu pai na Folha e mais os 25 meus nas revistas em que trabalhei.
Reinventei-me em Londres. Voltei a fazer o que menos fizera desde que assumira cargos executivos: escrever. Em Londres entendi que nunca mais quero ser executivo. Ao voltar ao Brasil, posso gozar de merecida aposentadoria. Ou quem sabe montar, numa parceria com investidores profissionais, um site inovador, ao modelo do The Daily Beast ou do The Huffington Post. O bom senso me chama para a primeira hipótese: jornalistas morrem cedo, e eu já estou com 54, a idade com que meu pai adoeceu para morrer. A paixão pelo jornalismo me empurra para a segunda.
Londres merece um capítulo à parte neste livro — um contraponto majestoso a uma saída tumultuada. Sou, por isso, grato à Globo, a despeito de uma saída em que foi particularmente dura a sensação de ter sido traído por um grupo de pessoas que eu próprio levara para a Globo. Registrei minha gratidão à Globo mais de uma vez a João Roberto.
Eu sempre me julgara um bom formador de equipes. Aprendi, ali, que o maior erro que alguém pode cometer é se cercar de bajuladores. Eles podem dar a você uma sensação momentânea de ser o máximo. Mas a bajulação acaba forjando ressentimento em quem a pratica sem que você se dê conta até a hora em que o sangue escorre de suas costas. Os companheiros leais que tive como chefe nunca hesitaram em me contestar, quando acharam que deviam. Só assim se forja uma relação saudável. Se alguém me pedisse um só conselho sobre como montar times, diria: não contrate bajuladores. De resto, tendem a ser eles que colocarão em risco o respeito a limites éticos que, ultrapassados, provocam danos à imagem de jornais, revistas, sites ou o que for.










Prezado Paulo, ao que parece, assim como em outras áreas, no jornalismo também há as usas intrigas, traições, e pessoas não tão competentes em locais certos. Mas também suas alegrias e glórias.
Li seu texto com atenção e carinho como sempre o faço, mesmo porque aprendi muita coisa, tanto na forma de escrever, como em informações neles contidas. E de tudo o que hoje li, concluo o seguinte: Puxa saco, mais formalmente chamado de bajulador é terrível, e se não temos integridade moral, acabamos como ele.
Parabéns e abraços sinceros
E hoje, lá no blog do viajante está o seu pedido.
Muito bom Paulo, de verdade. Fiquei interessado em seu livro, por duas razões: 1) gosto da forma como escreve; 2) não sou jornalista, mais me interesso em saber como o mundo jornalístico se comporta e funciona. Quanto a questão da Ética, bem, certamente não é só do meio jornalístico que ela as vezes fica de fora não. Pena, se não nos guiarmos por ela… o caminho fica tortuoso. A respeito das tempestades pelas quais você passou cumpre lembrar que, de certa forma, não há mal que não traga um bem, creio que no seu caso o bem já veio e continuará vindo. No tocante aos bajuladores, você aprendeu uma lição importante: ter cuidado com os "amigos" os "admiradores", são os primeiros a nos passar a perna. Bajular é típico de quem não possui caráter ou personalidade, prefiro sempre aqueles que me críticam abertamente ou batem de frente, são sinceros. Sempre desconfio de elogios fáceis. Como disse Voltaire: "Que Deus me proteja dos amigos. Dos inimigos cuido eu". No mais, meus cumprimentos sinceros.
VC já escreveu sobre o Brasil, a sua opinião, de não precisar mais ter diploma para ser jornalista?
acho o diploma de jornalista desnecessário, Carolina. Meu pai era formado em Letras, por exemplo.
Voltaire não poderia estar mais certo, Max … Grato pelas palavras gentis!
É Pedrão, o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais, não é? Mas que fiquemos de fora … Vou ler com a habitual atenção em seu blog o texto que sugeri. Cheers!
Paulo, estou muito impressionada com seu texto, com sua história tão radiografada…tudo muito impressinante mesmo. Cara, o poder sempre me choca bastante…e saber dessas teias, desses tentáculos será muito instigante, sem dúvida.
Agora deu pra entender mais precisamente sobre aquela questão do português lá de baixo, afinal uma maldita vírgula fez um estrago tremendo na sua vida! ( brincadeirinha rss)
Te ver de Dom Quixote foi um capítulo à parte…e vc c sempre me seduz!
Paulo Nogueira o Sr é bem parecido com o seu pai.Em outra foto que vi no outro site, pensei até que fosse o Sr.
Putz, Paulão, sem querer parecer um "bajulador", creio que seu livro será um estrondo no meio jornalístico. Não por uma pomposa castata verborrágica, mas por uma sinceridade simplista… Com esse trecho, posso antever uma bela grande obra, que certamente eu gostaria de ter nas minhas mãos e apreciar em pequenos goles sua trajetória por esta profissão, muitas vezes tão mal compreendida.
Parabéns por sua postura!
Pê.
Achei o seu texto muito bom e mesmo não sendo da área jornalistica, senti curiosidade em ler o livro,não querendo ser bajuladora.A respeito da ética , do caso que o Sr relatou , parece ocorrer em todos os lugares, as intrigas,a inveja ,rivalidades ,das pessoas ficarem apunhalando pelas costas e puxarem o tapete quando menos se espera.Parece-me que isso acontece por causa do mundo competitivo de hoje ,ocorrendo principalmente na área jornalistica.Na politica então nem se fala.
Paulo,
entendo que a revista perdeu muito em qualidade. Sempre gostei muito dos textos que publicava em Época. Através deles cheguei em seu blog da edição on-line da revista. Já fazia parte da minha rotina ligar o computador de manhã e ir ao site da Época conferir. Sintomático , desde que o “Diário” se mudou pra cá , não me lembro de ter acessado o epoca.com.br. O sentimento de injustiça talvez seja um dos instintos mais fortes do homo sapiens, lhe assevero. Posso imaginar seus sentimentos face a tudo isso. No mais , bola pra frente , que este espaço aqui é um pouso obrigatório pra muitos…
Boa sorte !
Não sou da área jornalistica e nem de outra área qualquer.Ter diploma em artes plásticas é a mesma que não ter,no meu caso.Só serve quando fazem perguntas como, Qual sua profissão? respondo sempre artista plástica,sinto-me desconfortavel em responder essa pergunta.
Paulo,
Texto instigante, gostei. Vai incomodar algumas pessoas, mas com certeza vc já sabe disso e não deve estar se importando.
Relacionamentos são sempre complicados em todas as profissões e em todos os niveis, mas, faz parte e é sempre uma grande oportunidade para aprendermos e nos aprimorarmos, se bem que, de vez em quando, prefiro ficar em solidão absoluta ou então, apenas na companhia dos animais.
A vida seria muito mais simples se as pessoas fossem sinceras e esquecessem estes jogos tolos de poder e de preservação, o maior alimento dos bajuladores. Classe essa, das mais desprezíveis que a humanidade fabrica.
Simplesmente adorei a passagem sobre sua personalidade… Quando sai o livro? Provavelmente vou ler em uma única noite.
Ah! Uma coisa que aprendi a duríssimas penas: contratos são feitos entre advogados!!
Lendo seu texto concluo que não teria estomago para seguir o jornalismo apesar de ser uma profissão fascinante e muito bonita.Às vezes sinto-me chateada como as pessoas são, eu que sou uma pessoa desconhecida,Imagina estar rodeada de lobos por todos os lados tentando me apunhalar a todo momento.Em pouco tempo teria um colapso nervoso.
Fico chateada de ver as pessoas ficarem brincando com quem eles acham serem fracas e sem nenhum valor.Tentando imitar,dizendo que a pessoa escreve mal, simples no primeiro erro que comete.É fácil fazer isso comigo ou com qualquer outra pessoa , difícil é fazer isso com alguém importante ,rico e poderoso e bater de frente.
Ás vezes pergunto-me se certos atos que fazem às pessoas como ficarem massacrando aos poucos, imitando só para incomodar , torturar se não seria melhor matar logo com a pessoa , se não seria mais humano do que fazer a pessoa sofrer em doses homeopáticas.
Do que observo e o que li do seu texto fico em dúvida de como me conduzir nos dias de hoje.Muitas vezes vejo pessoas super sofisticadas, cultas agindo de forma dúbia , sendo umas raposas que nem mais ligo se erro ou não por ver tanta coisa bem pior perto do meu jeito de ser.
E concluindo que no mundo de hoje é difícil tomar partido desta ou daquela pessoa com tanta coisa envolvida neste mundo, uns se dizem e parecem amigos e logo ali na frente estão te detonando e massacrando no primeito deslize que se cometa.
O mundo de hoje é superficialmente bonito, bem produzido na casca mas por dentro está completamente podre.Quer dizer, a vida não vale nada, nada mesmo.O ato de respirar , o sangue que corre pelas veias, os pensamentos e o que a pessoa é de verdade é nada no mundo de hoje.
Uma das coisas que aprendi no mundo da internet é como detonar , massacrar alguém em dez lições, aqui no virtual dá para ver claramente a sutileza e como agem as mentes ardilosas,
No mundo real uma pessoa muito ingenua é logo descartada do baralho e nem saber o porque de tão sutis que são os comportamentos quando há concorrência.
Imagina eu que não sou candidata a nenhum emprego , a nada já sinto pressão pesada, imagina se fosse.
Meu Deus! O sr. Paulo Nogueira é bom em falar dos outros. Mas o senhor lembra que distribuía um manual de jornalismo da Abril (de sua autoria), no qual o senhor mandava os repórteres "plagiarem" as revistas internacionais? Algo imoral e criminoso! E ainda tem coragem de escrever um artigo sobre ética?
Socorro!
Será que o "Vamos lembrar ?" não é o próprio Paulo Nogueira? Hoje em dia já não me surpreendo com mais nada.
[...] seu blog trechos do livro que prepara sobre a profissão. Confira a íntegra de seu primeiro artigo aqui. É chumbo [...]
Mr. P,
Obra capital a camiinho, sem dúvida. Não importa o quanto demore, vai valer a pena esperar!
Quanto ao que já apareceu no "Diário" — gratíssimo, obviamente, pela parte que me toca.
Vai em frente, amigão — ad astra per aspera, como diziam os antigos.
Major abraço,
G.
Paulo,
Relato forte, corajoso e instigante!
Se todos tivéssemos este ímpeto jornalístico para relatar o intestino corporativo, uma nova revolução estaria a caminho. Bancários, advogados….imagina como seria lindo?
Paulo, não deixe que a mágoa tome conta do que você tem de melhor: a honestidade e a competência
Deixe sua história como um legado acadêmico para que os jovens jornalistas não cometam os mesmos erros, ou pelo menos, tenham um caminho diferente para escolher.
E se para dar lição de ética jornalista for necessário não citar nomes, as vezes causamos mais desconforto a quem verdadeiramente queremos nos dirigir, do que de forma explícita. E, por vezes, poupamos advogados…
Um forte abraço e força com este livro que já deu vontade de ler os próximos capítulos.
Chico Amarante
Umas décadas atrás utilizar este recurso de ler revistas estrangeiras para fazer artigos para uma revista, jornais devia ser corriqueiro.A maioria das pessoas talvez nem lessem revistas e jornais estrangeiros, o número devia ser muito pequeno , hoje também não é diferente pelo o que percebo.Todo mundo sabe que é assim,hoje isso é bem claro .Agora o errado está em fazer um artigo que é de outra pessoa e dizer que é de sua autoria.Aí não é nenhum pouco ético.
Notei também que os profissionais pinçam muito o que vêem aqui na internet, aproveitam muita coisa por terem a oportunidade de verem opiniões diversas tão rápido e direto. Aproveitam uma coisa aqui outra lá e vão formando seus artigos conforme a tendência e os interesses do momento.
Mas vendo como funciona o meio não iria muito longe pelo meu comportamento ,minha falta de vocação e esperteza caso tivesse escolhido essa profissão.É muito agressivo.
Mas estou aproveitando e aprendendo muito com esse convívio .Fico informada sobre um monte de coisas em pouco tempo, sobre livros, música, arte , política ,tanta coisa.
Não entendo também porque usar de agressões de todos os lados nestes espaços contra os "inimigos" , podendo ser usado para trocas de idéias diversas, conhecer pessoas diferentes.
É o que tenho observado , as pessoas só ficam se degladiando, trocando farpas, alfinetadas e sutilmente mandando passear os não bem vindos.
Não seria melhor então uma seleção para a pessoa ser aprovada ou não para quem pode entrar nos blogs, os que estivessem dentro do perfil do blog, mais ou menos com um cadastro.Não preencheu o perfil, passar bem,caro amigo.
Paulo,
Parabéns pela verdade nua e crua.
Pena que a ética de um modo geral está virando fora de moda. Ética essa que as pessoas deveriam ter diariamente em suas vidas.
Engraçado, não encontrei nenhuma discussão sobre ética nesse texto, apenas ressentimento finamente destilado. O exemplo iniciador da análise acabou sequestrando o objeto principal e tomando o seu lugar.
No mais, bibliografia sobre jornalismo há aos montes no Brasil — e de muito boa qualidade. Sugiro uma visita à biblioteca universitária mais próxima quando voltar ao país.
Lamentavelmente, porém, os jornalistas de fato não se interessam em ler essa bibliografia e, portanto, não se criticam, nem se melhoram.
Apesar destes problemas no texto, tens minha solidariedade por conta do enredo maquiavélico de sua demissão da Globo. Esse sr. Blecher realmente parece um ser humano abaixo da média.
Disse muito bem!
Modesto, vamos aos temas éticos tratados no texto: brindes, carros com desconto, palestras remuneradas de jornalistas, reportagens favoráveis em troca de dinheiro obtido com venda por exemplo de livros em lote … quer mais? grato pela leitura e bom fim de semana
'Vamoslembrar" — para começo de conversa, é uma covardia antiética vc se agarrar ao anonimato para escrever mal dos outros. Você tem medo de se expor? Você mais uma vez está fazendo o que fez na Globo — atacar sob proteção do anonimato?
Vou deletar da próxima vez, porque é injusto, ainda mais com o Adriano, que — se vc é quem penso, iniciais CA — tem mais talento em metade do cérebro do que vc em todo o corpo.
Vou apenas entrar na questão da "cópia". Aprender com quem faz melhor é um gesto de sabedoria e humildade. "O grande artista copia", escreveu Picasso. Era uma frase provocativa para obtusos como vc, que imaginam que seja possível reinventar a roda. Picasso — e tantos outros — estudava obsessivamente os grandes pintores e extraía deles o melhor para forjar sua própria obra.
Este o ponto pelo qual sempre me bati. Se vc não entendeu, é por incapacidade sua de aprender e não minha de ensinar.
Caso queira continuar o debate — eu adoraria — tire a máscara dos covardes e apareça com o nome verdadeiro.
Adoro ser parecido com meu pai, o maior jornalista, o maior homem que conheci …
tks, Pedrão!
termino o livro em seis meses, Graça. espero que em algum momento de 2011 ele esteja nas livrarias e na internet …
quanto aos contratos, sim, de advogado para advogado … agora, é preciso considerar que eu vivera toda a vida numa empresa em que não havia trapaças como a de que fui vítima …
apesar de todos os problemas, o jornalismo é uma profissão incrível, Sílvia …
O Manual de Jornalismo que fiz não dizia isso, Vou publicar num post em breve, tal como o redigi em parceria com o jornalista José Roberto Guzzo — conhece?
não, Sílvia … não sou eu! sou bobo, mas não um imbecil covarde ….
Professor, seu apoio me comove e me estimula.
Com meu pai, vc é minha maior inspiração, Guzzo.
Major abraço
Paulo
Paulinho, não perca seu tempo com covardes anônimos. Já disse que sigo no debate — desde que o "Vamos Lembrar" se lembre de que é um acinte ético criticar anonimamente outros que como eu dão nome aos bois e se expõem.
Sou bonzinho, mas nem tanto. O próximo texto do "Vamos Lembrar" só não será deletado se ele (ela, na verdade) se identificar …
Obrigado, Isabelle. Combaterei o bom combate, inspirado em meu pai …
A única versão que conheço desta história é a sua, Paulo.
Quando falo sobre o assunto com os outros envolvidos, eles baixam a cabeça e mudam de assunto.
Sr ou Senhora "Vamos Lembrar" ou como queira ser conhecida. Críticar, acusar ou ofender alguém utilizando-se de um nome fantasia demonstra covardia, além de outros desvios de carater. Existe uma coisinha chamada honra, quer se bater com alguém, então o faça mostrando a cara, publique seus "comentários" com seu verdadeiro nome. Se o que tem a dizer fosse verdade, então diria abertamente.
É uma profissão muito bonita , dá a pessoa muita cultura e conhecimento.Bem que hoje as profissões não são tão estanques como antes.Parece que o conhecimento está se fundindo novamente com o surgimento da internet.Não sei se estou certa em pensar assim, mas sinto um pouco isso…
não sei o que lhe dizer porque foi como se eu tivesse sido apresentada a vc agora.
e, como com as pessoas que acabamos de conhecer, só me resta dizer 'muito prazer' e descobrir aos poucos quem é vc.
olha, parabéns pela coragem em escrever tudo aquilo. parabéns pelo profissional que é, pela carreira que construiu.
o bom é que vc sabe que eu não o bajulo.
Estava só brincando quando escrevi ,risos.Tudo se mistura na minha cabeça , muitas vezes não sei o que é brincadeira do que é sério aqui na internet.
Em todo o caso, desculpe-me .
Paulo,
Vc pode trabalhar na melhor empresa do mundo, onde a trapaça não faça parte de suas regras e nem seja incentivada, mas vez ou outra, pessoas que tem em comum o hábito de enganar também acabam fazendo parte desta mesma empresa e praticam, muitas vezes, disseminam, essas ações. O mundo está repleto desses seres, dentro e fora das empresas.
Uma única palavra em um contrato muda todo o contexto e toda uma defesa futura, caso vc precise de uma ação judicial. Um único termo "legal" que apenas um profissional da área conhece. Não podemos esquecer que é com a ingenuidade e boa fé das pessoas que os desonestos trabalham.
Hj, tenho em minha agenda o telefone de advovados especialistas em cada área imobiliária e da construção civil. Vc não tem ideia de como isso facilita a minha vida…
Que bacana!! Vc vai disponibilizá-lo na internet também ?
Graça, acabo de receber um contato de uma grande editora. Vou discutir o assunto. Gostaria, é claro, de disponibilizar o livro para a internet, mas não sei como o mercado de livros funciona, para ser sincero.
não fiquei ofendido não, Sílvia. Até achei engraçado …
Copio e colo suas palavras, meu caro Max.
Críticar, acusar ou ofender alguém utilizando-se de um nome fantasia demonstra covardia, além de outros desvios de carater. Existe uma coisinha chamada honra, quer se bater com alguém, então o faça mostrando a cara, publique seus "comentários" com seu verdadeiro nome.
Por isso que perguntei, Paulo. Acho que as duas coisas juntas não são possíveis, pelo menos, não em um primeiro momento, até mesmo por questões comerciais.
Sucesso, meu querido…vc merece!
A vida ensina: Que os incoerentes falem mal de mim, assim, saberei que fui reto.
E que os coerentes me repreendam, para que possa sempre avançar.
Já os anônimos, a quinta coluna, sabemos para o que servem. – E cada um se presta ao que lhe é alcançável.
Assim vejo eu.
Lembro que no início da internet a maioria das pessoas usavam o anonimato e o que eu mais presenciava eram ofensas e agressões.
Não estou querendo proteger ou aprovar os anônimos da internet que entram nos sites para escrever livremente o que acham de tudo e de todos e nem condená-los porque como podemos saber,garantir se uma pessoa que diz nunca ter usado o anonimato na internet está falando a verdade e não tenha feito o mesmo uma vez ou outra . Na internet a questão do anonimato é muito complexa e difícil de julgar e avaliar e a única coisa que eu acho errado no anonimato é usá-lo para ameaçar, perseguições. Acho que o anonimato também não é uma coisa só de covardes, a pessoa pode usar o anonimato por várias razões.Porque tem covardes que não são anônimos mas aproveitam da posição em que se encontram para enganar , trapacear e distorcer os fatos a seu belo prazer.Já vi isso na internet em outras ocasiões de quererem confundir uma pessoa .
Faço minhas suas palavras, Graça. Parece-me que o Paulo tocou na ferida de muitos, de outra forma como se explica esses ataques vis e ignóbeis? Acredito na dialética. Contudo ela só é possível quando os envolvidos usam da verdade e dignidade. Todos nós podemos discordar de um ou outro argumento, podemos questionar, mas sempre deveremos assumir nossos atos e oferecer a outra parte o direito de resposta. Quem ataca do escuro não permiti defesa.
Engraçado que eu já tinha falado que não aceitaria infâmias anônimas … Respondo a qquer assunto, até porque não tenho nada a esconder — mas desde que a pessoa se identifique. Ou então é uma covardia incrível — e não sou tão bobo assim.
Tratando-se de internet acho que não dá para ser tão rígido assim, desde que o anonimato não sirva para extorquir, perseguir quem quer que seja,ameaçar ou aterrorizar alguém.Essas coisas são horríveis em qualquer lugar como também é horrível querer induzir uma pessoa ao erro para se beneficiar de alguma forma de algo da outra pessoa, não deixa de ser um tão vil e ignóbel também.
Nas situações da vida prefiro não tomar partido sem saber o que cada lado tem a dizer sobre qualquer tipo de conflito.E mesmo assim fica difícil dos que não estão envolvidos no caso de forma direta tomar partido, acho suspeito.
Prefiro não apontar o dedo só no diz que diz….mesmo sendo amigo ou não.
No caso de conflitos, de ressentimentos e de mal entendidos o bom é somente os que estão achando que estão sendo injustiçados de uma forma ou outra resolverem o problema entre eles ou com a lei dependendo da gravidade da situação.
No momento que não houver mais a possibilidade do anonimato da internet , a proposta inicial dela não será a mesma que era da livre expressão e liberdade das informações.
O problema numa situação assim é que dá liberdade e espaço para pessoas ignóbeis e vis de se aproveitarem das situações e virem a prejudicar outras pessoas de forma às vezes cruel e destruidora pela rapidez que as informações transitam neste espaço.
Outra coisa que também as vezes percebo é a maneira ambigua que muitas mensagens são feitas sempre deixando margem para várias interpretações, tanto para tomar partido de uma pessoa ou então para acusar uma pessoa.
Se as acusações são feitas no anonimato ou não, isso não quer dizer que não haja covardes em ambos os lados.
A defesa é um direito de qualquer pessoa , esteja ela no anonimato ou não na minha opinião.E também penso que em todas as situações têm que existir análise para se julgar uma pessoa.
Acusar alguém por mera imaturidade ,capricho ou interesse não me parece muito certo, é ter uma ética duvidosa.
Ainda bem que existe gente com coragem de desmascarar toda esta farsa, representada por gente sem carater. Que pena haver gente assim e que ainda pensa que ser jornalista. ETICA eh o que todos esperam quando lemos o que eh publicado pela imprensa. Imagine se podemos esperar isto deste tipo de gente.
Não sou jornalista, então não devo estar na berlinda….risos…bem, fico no camarote assistindo tudo.Espero que quando fecharem as cortinas o fina seja feliz ,como em história com início meio e fim e não aquelas histórias sem pé nem cabeça e que o fim parece que não é o fim, dando a impressão que a história foi cortada, deixando o espectador com cara de tonto…espero.
No caso da ética na imprensa também sou favorável a uma ética clara e correta.
[...] This post was mentioned on Twitter by FredNavarro, Paulo Nogueira, Paulo Nogueira, Pedro Burgos, Léo Macario and others. Léo Macario said: #FF @pnogueira56 c/ texto dele sobre o livro que está escrevendo http://is.gd/eGIl5 [...]
Max Oliveira, O seu nome é esse mesmo?Só por curiosidade, nada mais.
Em certos sites que eu entro eles pedem o nome e também um nome que pode ser diferente ao nome verdadeiro.No Facebook, twitter e outros sites do tipo acontece assim vc se cadastra , coloca seu nome verdadeiro e outro para aparecer em publico, o Sr deve saber como funciona.
Acho que ninguém é obrigado a usar sua real identidade em publico.Se ele está usando anonimamente por algum motivo que não sei qual é, se por falta de caráter ou não, para lavar a roupa suja acho que isso não influirá em nada sobre a imagem e do trabalho do Paulo Nogueira.
Não sei se também é correto ficar colocando mais lenha na fogueira.
Dear Paul,
Ainda estou lendo o texto, mas fiz o favor de vir comentar já que, se depender de mim, teu livro (juro, já o espero) não será uma continuação da obra de Ega… rsrs. (Enfim, não vou repetir aqui o que você, como sensível leitor, sabe, que um livro é o celular que atravessa séculos. Leio Montaigne hoje e é como se ele tivesse escrito só para mim). Quero dizer apenas que faltam livros de jornalismo (e digo com propriedade) que abarquem realmente uma grande carreira e, lógico, um bom conteúdo, coisa que todos os seus leitores já sabem há décadas que você tem. E digo isso com propriedade! Um dos livros da área que mais leio e releio são as memórias do Samuel Wainer. Hoje, acho que poucos fazem essa leitura. Mas ela é tão fundamental quanto muitos romances. Isso sem falar nas do Kotscho, nas do Chatô e enfim… Confesso que sinto falta de jornalistas-que-fazem-livros com a mesma intenção que a sua. No Brasil parece que há uma cultura de se criar coleções sobre comunicação, onde cada um escolhe um parte teórica e, pronto, temos mais uma repetição, da repetição, da repetição… Todos sabemos a importância da formação, é inegável, mas também todo o mundo sabe o peso, imenso, do campo prático, vivo, crítico, longe da didática acadêmica e mais perto do rés-do-chão. Não tenho dúvidas que seu livro vai ser, para mim, quase tão importante quanto as memórias daquele incrível sujeito nascido na Bessarábia.
Oi! Paulo…….
Uma vez ,um certo jornalista muito inteligente e consciente, me falou!
Não liga para opiniões alheias!
Agora e sempre sigo e seguirei seu conselho ,é a melhor coisa a fazer.Obrigada
Portanto, vá em frente sem medo…….
Paulo,
Não te conheço e cheguei aqui por recomendação de um amigo. Confesso que fiquei de olhos arregalados. O texto é de um ressentimento assustador. Senti dó.
Tudo que você fala pode até ter acontecido, mas vc está fazendo um papelão e se expondo de um jeito desnecessário escrevendo dessa forma tão baixa.
Cara, curta a sua vida e até escreva o seu livro mas, supere a sua saída da Globo, supere que vc não vai voltar para a Abril.
Vc está dando sinais tilt. Inventar que o Guzzo escreveu um comentário nesse post absurdo e achar que a Cinthia está aqui te escrevendo anonimamente.
Talvez seja o caso de procurar um médico
Ainda bem que o seu pai não está vendo tudo isso, mas pense, seus filhos estão.
Cuida te.
Sônia Albuquerque
Olá Paulo! Adorei poder acompanhar sempre por aqui, um pedaço de seu livro, que na verdade retrata a sua história como jornalista. Para quem está começando, como eu, conhecer essas experiências pode me ajudar futuramente. Adorei a forma como escreve, a descrição do fato foi provocando curiosidade. Você foi corajoso ao "dar nome aos bois," uma expressão usada por aqui. Não sei se o objetivo é realmente passar ao leitor a sua decepção, mas ficou bem claro o ressentimento que você carrega. O texto me parece um desabafo. Eu gostei! e vou continuar de olho para ler os próximos capítulos. Ao ver que existiam 62 comentários, fiquei impressionada e claro que li todos..rs. VOCÊ ESTÁ GERANDO POLÊMICA E REVOLTA.
Desculpem, como fui nominalmente citado (provavelmente pelo fato de ter um nome), vou fazer meu último comentário.
Dá para entender essas mentes ofuscadas, um pouco se deve ao berço (de onde vieram, quais são suas referências), o resto é questão moral mesmo.
Como é bom poder escrever isto sem ter sido um bajulador…
Muito bom, Paulo. Muito bom! Coração aberto, entranhas expostas! E sem essa de parar o livro: já estamos esperando, pô!!
Sonia, não te conheço e vou testar se vc existe mandando um email para o endereço seu que chegou a mim.
Se vc não existir, deletarei seu comentário.
Qto a sua afirmação de que inventei o Guzzo, por que vc não checa antes de falar uma monstruosidade dessas?
tks, meu caro Lennon!
Celsão, nada me deterá …
Paulinho, obrigado pelas palavras gentis — ditas abertamnente, e não escondidas covardemente atrás de anonimato.
Paulinho, a entrada é franca para bem intencionados como vc, que dão nome e sobrenome. Caso tenha novos comentários a fazer, sinta-se em casa.
Paulo,
Acho que não se lembrará de mim com facilidade.
Apesar de ser uma pessoa mais simples e de um cargo nem tão importante como o seu, vivi na pele o que você viveu.
Lembro das suas palavras quando fui ter uma última conversa naquela editora, você estava com o Hélio na sala dele e disse: – a sua cama já veio pronta pra cá. E eu respondi: – um dia você vai saber de fato com quem está trabalhando. Que bom que alguém possa falar publicamente sobre o assunto sem sofrer retaliações.
Boa sorte e um abraço
Grande Paulo! Texto impecável, adorável. Que venham os próximos trechos do livro em breve
Ótimo texto, Paulo. Eu só li o seu blog agora, na segunda-feira, mas fez melhor a minha semana. Esclarece melhor um período tumultuado nas redações da Abril e da Globo – nós já trabalhamos juntos, mas não tem porque você se lembrar de mim, dentre inúmeros colaboradores. Jornalismo, por conta de histórias parecidas com as que vocè descreve aqui, acabou ficando na minha atual vida para um segundo plano. Então, eu talvez não seja tenha créditos suficientes, mas deixo o comentário: condutas de vida que a gente escolhe ao longo dos anos nunca se aposentam. E a Ética realmente faz falta, nestes tempos de múltipla informação.
Oi, Tanaka
Com todos os espinhos, jornalismo é o que eu faria de novo, se tivesse 20 anos …
Obrigado pelas palavras gentis e um abraço amigo
Paulo
Obrigado, Mari! Cheers
Corajoso, didático e elucidativo. A man's gotta do what a man's gotta do. Que venha o livro!
Abraço.
Kiko Nogueira
Belo texto, deu gosto de ler. Não conheço o Paulo Nogueira, nunca trabalhei com ele, mas terminei as linhas cativado. E sei que muita gente vai se coçar quando o livro sair!
Obrigado, Roberto. Cheers!
Paulo, por ter vivido e, ainda viver, situações semelhantes as que viveu na Editora Globo me interesso muito pelo tema da ética no mundo corporativo.
Nunca fui alta executiva, mas trabalhei bem próxima destes e ainda assim senti na pele a traição, a falta de ética e os puxões de tapete que são, infelizmente, frequentes neste mundo.
Tenho um blog – dilemas do mundo corporativo – que fala exatamente sobre essas questões e como os líderes podem fazer a diferença, caso queiram.
Gosto muito da forma como voce escreve e tenho grande interesse em conhecer mais da área jornalística, mas garanto a voce que não é muito diferente de outras áreas, pois a vaidade, o interesse pessoal e a ganância estão em todas as áreas (INFELIZMENTE!). As pessoas esquecem-se que todos morreremos e o mal cheiro será o mesmo, ainda que uns tenha feito uso de perfumes franceses por toda sua existência.
Uma curiosidade apenas: caso o Blecher não tivesse encontrado alguém que o escutasse e tivesse tomado atitudes em relação a voce, qual teria sido o desfecho para essa história?
Forte abraço com admiração pelo que está fazendo!
Sonia Marin
Oi, Sonia. Obrigado pelas palavras gentis. Em situação normal, se eu soubesse que o Nelson Blecher tinha ido secretamente ao Rio para falar de mim para o Jorge Nóbrega, teria demitido o Nelson imediatamente por conduta moralmente inaceitável.
Para entender essa história é preciso considerar que o Nelson, um sujeito bem assustado, só foi ao Rio 1) por achar que eu iria demiti-lo por conta dos 16 brindes e 2) tinha garantia de impunidade dada pelo Nóbrega. Eu já não tinha poder efetivo sobre o Blecher quando ele pegou o avião e foi ao Rio secretamente. Minha secretária o procurou porque eu queria despachar um assunto editorial e ouviu uma tremenda de uma lorota …
Se ele tivesse vindo a mim se demitir por insatisfação com meu estilo — o que jamais aconteceu — eu provavelmente o convidasse a pensar mais um pouco e, caso encontrasse nele disposição efetiva de ir embora, aceitaria com naturalidade.
Quanto à ética no jornalismo comparada com a de outras áreas, bem sei que a miséria humana está bem espalhada …
Bajuladores, bah…
Trabalhei na Exame (em cargo subalterno, não sou jornalista, portanto você não se lembrará de mim) e conheci muitos dos personagens citados em seu livro. Confesso que não entendo por que motivo você levou o Nelson para a Globo… Nunca o achou confuso demais? Ok, ser um bom jornalista blá-blá-blá é importante, mas equilíbrio emocional também. Na minha humilde opinião. Abraço, Fabiana
Oi, Fabiana
Foi sem dúvida uma contratação errada. Ele era um jornalista conhecido na área econômica, e imaginei que isso fosse facilitar a chegada da Época Negócios. Confiei que eu resolveria, na supervisão, as limitações dele como editor. O que aconteceu, aliás. Quanto à importância da inteligência emocional, vc tem toda a razão.
Já vi variações sobre esse mesmo tema (o das puxadas de tapete) inúmeras vezes em minha vida profissional. Nem por isso, elas passam a ser mais suportáveis.
O fato é que não teremos um jornalismo de qualidade sem ética.
Salve, Paulo. Já li praticamente todos os capítulos e curti cada um dos textos. Só como sugestão para análise sua e quem sabe acréscimo de mais um capítulo, é abordar a questão de ser chefe numa redação. Consta que na Veja os editores são terríveis – vc até mencionou uma historia com a Dorrit – mas isso não fica muito claro. Seria interessante resgatar quando começou o império dos "tiranos" nas redações. E de que que forma isso acabou influenciando o seu estilo de gerenciar nos anos seguintes. E, finalmente, se foi este estilo de chefiar que acabou dando ânimo à "corja" de esfaqueá-lo pelas costas. abs e muita sorte
grato pelos bons conselhos, Antonio. abraços