O pedido de desculpa de Danuza (ou: como Madonna pode arruinar sua vida)

Atualizado em 4 de dezembro de 2012 às 20:16

No último capítulo da saga DL, a colunista explica o que escreveu na semana passada

"Se eu comprasse o mais lindo vestido para uma festa e lá encontrasse Madonna com um igual, talvez voltasse em casa para trocar"

 

“Escrevo na Folha há dez anos; são mais de 500 colunas, e acho que nesse longo tempo já deu -ou deveria ter dado- para saber quem eu sou. Reli o que escrevi na minha última crônica, refleti sobre o que queria verdadeiramente dizer e cheguei ao seguinte: nós, seres humanos, somos únicos, ricos ou pobres, gênios ou pessoas comuns, e essa é a grande riqueza da vida: não existem duas pessoas iguais, e ninguém quer ser igual ao outro. Se eu comprasse o mais lindo vestido para uma festa e lá encontrasse Madonna com um igual, talvez voltasse em casa para trocar o meu. Se comprasse um iate com 38 cabines, com uma tripulação vestida por Jean Paul Gaulthier, e cruzasse com outro igual, pertencente a Donald Trump, meu brinquedinho perderia a graça. Porque faz parte querer ser original e único, por isso os artistas, os costureiros, os arquitetos, os decoradores, os escritores, os médicos, os cientistas, todos trabalham para conseguir que suas obras sejam as melhores e, consequentemente, únicas. Existem dois tipos de pessoa: os que vivem para seguir o que está na moda em matéria de viagens, estilo, restaurantes, hotéis, etc., enquanto outros preferem viver na contramão. Eu pertenço ao segundo grupo: não gosto de multidões, não vou a shows, não vou a festas, não vou a restaurantes da moda e não viajo na alta estação, prefiro ficar em casa lendo um livro; falei sobre o porteiro como poderia ter falado sobre qualquer pessoa que faz parte dessa multidão que passa a vida indo atrás do que ouviu dizer que está “in”, o que para mim é apenas impossível. Lamento, foi um exemplo infeliz.”

Este é um PS da coluna de Danuza Leão na Folha de hoje. Como não ficou claro o que ela escreveu no domingo passado, na crônica Ser Especial, resolveu fazer esse adendo.

Danuza reduz a humanidade a duas facções: os que seguem a moda e os que preferem viver na contramão. Ela, naturalmente, faz parte do segundo time. E o porteiro continua tomando porrada por ser incapaz de pensar por conta própria, sempre correndo atrás do que é “in” (Danuza deve ter tido algum problema com esse tipo de gente, não é possível).

Se alguém tinha dúvida do que significa ser único, agora não tem mais. É uma dureza.

Imagine o drama de uma mulher que leva a noite inteira para escolher um vestido e de repente lá está, veja só, justo quem, a Madonna com a mesma roupa. É revoltante. Como deve ser revoltante comprar um iate e, pelas barbas de Netuno, cruzar com Donald Trump num barco igualzinho. O oceano inteiro à disposição e uma tragédia dessas acontece. Palhaçada.

A ironia da história é essa: Danuza não é irônica. O mundo dela é esse, mesmo. Não deve ser fácil.

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