A confissão de Eros Grau, o ex-ministro do STF que apoia o impeachment. Por Paulo Nogueira

Indicado por Lula, apesar da militância tucana
Indicado por Lula, apesar da militância tucana

Vejo Eros Grau, ex-ministro do STF, nos trending topics do Twitter neste sábado.

O que o levou lá bem podemos imaginar. Grau defendeu o impeachment.

A imprensa deu um enorme destaque, e com ela os analfabetos políticos que ela criou.

A força da opinião de Eros estaria no seguinte: foi Lula quem o indicou para o STF, em 2004.

Só que ninguém fala o seguinte. Lula o indicou – num dos vários erros que cometeu nas nomeações do STF – a despeito dos laços de Eros Grau com o PSDB.

Numa entrevista ao blogueiro Fernando Rodrigues em 2014, logo depois de assinar um manifesto de apoio a Aécio, Eros Grau afirmou: “É uma coisa muito engraçada. A maioria das pessoas acha que pelo fato de o presidente Lula ter indicado a mim, ao Joaquim Barbosa e ao Cezar Peluso ao Supremo, nós seríamos ligado ao PT. Mas nenhum de nós é. Eu sempre fui ligado ao PSDB e minha origem lá atrás é sabida.”

Qual o valor do apoio ao impeachment de um militante togado do PSDB? Zero. Por isso a imprensa esconde o passado tucano de Eros Grau.

Sua voz só serve se ele aparece vinculado a Lula, um juiz de Lula.

Eros Grau pelo menos foi sincero, ao contrário de outros juízes do mesmo gênero, como Gilmar e Moro.

Mas o que chama realmente a atenção no caso foi o estilo de Lula de nomear pessoas para a Suprema Corte.

Pelo lado romântico, você pode dizer que Lula, ao contrário de FHC, foi “republicano” – uma palavra em nome da qual barbaridades são cometidas.

Pelo lado prático, foi um método simplesmente suicida. Lula criou um ninho de jararacas.

Ao ver os horrores do STF, fui ler livros sobre a Suprema Corte dos EUA. Num deles, encontrei uma frase icônica: “Nada é mais importante na atividade de um presidente da República do que a nomeação de um juiz da Suprema Corte.”

O caso de Roosevelt é exemplar e sempre citado pelos americanos ao debater sua Justiça. Ao assumir o poder, Roosevelt enfrentou uma Suprema Corte dominada por conservadores que o impediram de colocar em ação seu New Deal.

Atormentado, Roosevelt tentou ampliar o número de juízes e estabelecer um limite de idade para mudar a cara da corte.

Sofreu uma derrota acachapante no Congresso – 70 votos a 20. Ele acabou atingindo seu objetivo com os sucessivos mandatos que os eleitores lhe deram: quatro.

Com os juízes que com o tempo pôde nomear, Roosevelt enfim emplacou o New Deal – um conjunto de leis que deram proteção aos desvalidos.

Compare agora isso tudo com o que Lula fez, nas palavras insuspeitas de Eros Grau. Não foi apenas Eros Grau e sua militância no PSDB que chegaram com Lula ao STF. Joaquim Barbosa foi também ungido por Lula.

Enquanto esteve no STF, Barbosa se dedicou a caçar Lula e o PT, razão pela qual virou ídolo da imprensa e dos analfabetos políticos.

Nomeações “republicanas” não funcionam nem nos Estados Unidos, onde as instituições são muito mais fortes que no Brasil.

Conservadores na suprema corte de um país podem destruir qualquer governo progressista.

É uma pena que Lula só tenha aprendido isso depois de nomear juízes como Eros Grau e Joaquim Barbosa.