A maneira mais simples de entender o que se passa hoje na Justiça brasileira. Por Paulo Nogueira

Atualizado em 17 de março de 2016 às 22:18
Catta Preta não parece, mas é juiz
Catta Preta não parece, mas é juiz

A maneira mais simples de entender o que acontece hoje na Justiça brasileira é imaginar um jogo de futebol.

Suponhamos Corinthians versus Palmeiras.

Os dois times estão em campo. Só que o juiz é palmeirense. E tem licença para apitar de maneira a favorecer a sua equipe.

Pode marcar pênaltis que não existiram para o Palmeiras. Pode não marcar pênaltis claros para o Corinthians. Pode expulsar sem motivos um jogador do Corinthians. Pode não expulsar um jogador do Palmeiras que cometa uma barbaridade.

Pode, no limite, marcar um gol para o Palmeiras.

O papel do juiz no jogo não é fazer justiça. É, sim, dar legitimidade à injustiça. Todos dirão, depois de cada roubo: “Foi o juiz que decidiu.”

Saiamos do futebol rumo à política.

É daquele jeito que se comportam os juízes. Há, nestes dias, um confronto entre a direita e a esquerda.

A tragédia está na arbitragem.

Não é um jogo justo, não por não haver juízes, mas porque os que existem se comportam como torcedores. Podem favorecer seu lado sem consequências.

A mídia, que ao longo dos anos sempre gostou de se apresentar como fiscal, não cobra. É, antes, conivente, porque ela torce exatamente para o mesmo lado dos árbitros.

Resta ao time roubado espernear.

Sérgio Moro é o típico juiz descrito acima. Ele sequer guarda as aparências porque sabe que ninguém o incomodará.

Moro posa, sem pudor, ao lado de João Dória e ainda diz que não é partidário. Aceita receber da Globo um prêmio que só lhe foi dado porque é o juiz dos sonhos dos Marinhos.

Na escalada do seu despudor, Moro conseguiu vazar para a Globo amiga grampos provavelmente criminosos de conversas entre Lula e Dilma.

Algumas pessoas disseram que sua máscara caiu. Errado. A máscara já caíra muito antes. Moro e sua Lava Jato não estão aí para combater a corrupção, ou se estão disfarçam terrivelmente bem.

Estão aí para destruir Lula, Dilma, o PT, a esquerda – e, sobretudo, a democracia.

Achava-se que o símbolo máximo do juiz para o qual a justiça é uma questão irrelevante fosse Gilmar Mendes, o pupilo de FHC.

Gilmar não se pronuncia quando emite um voto: ele faz um discurso interminável contra o PT. O pior juiz de todos é aquele cuja decisão você sabe com antecedência.

Este cara é Gilmar. Você sabe exatamente como ele vai votar: contra o governo, contra Lula, contra Dilma, contra o PT.

Se Lula for julgado por inventar o remédio contra o câncer, Gilmar vai condená-lo depois de uma hora de um blablablá condenatório. Dirá algo assim: “Como a humanidade pode ficar sem o câncer?”

Mas Gilmar acabou superado por Moro como o número 1 dos juízes que você sabe exatamente como vão atuar.

Tais juízes se reproduziram e se espalharam pelos tribunais do país. Um caso exemplar é o juiz que deu a liminar que suspendeu a posse de Lula, o dr. Catta Preta.

Num dia ele foi a um ato pela queda de Dilma e no outro julgou uma causa em cujo centro estava exatamente Dilma.

Catta Preta é a justiça brasileira.

O que surpreendeu nele foi apenas a pressa em apagar de seu Facebook mensagens agressivas contra Lula. Um excesso de zelo, já que ninguém lhe irá cobrar por ser um juiz como tantos outros.

A única saída para o time que não é favorecido pelo juiz, para voltar a nossa metáfora futebolística, é a torcida lotar o estádio e deixar claro que não vai engolir passivamente a roubalheira.

É o que se espera que aconteça nesta sexta, 18.