A mulher de João Doria, a meritocracia e a Lei Rouanet. Por Kiko Nogueira

Bia Doria com Lula e a mulher Marisa
Bia Doria com Lula e a mulher Marisa

 

Assim como Carlos Sampaio acha que o impeachment é remédio para dor de cabeça, seborreia e hérnia de disco, João Doria Jr, o pré-candidato à prefeitura de SP pelo PSDB, acredita que a solução para os problemas da cidade é a privatização.

Protegé de Alckmin, eterno fundador do movimento Cansei e organizador de gincanas de empresários e políticos em resorts da Bahia, Doria se declara um “defensor do Estado eficiente e suficiente. Estado inchado quem gosta é o PT, coisa da política maldita deles”.

Emulando o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, um dos homens mais ricos dos EUA, Doria afirma que vai abdicar do salário.

É mais uma palhaçada de um homem acostumado a viver pesadamente de favores governamentais e conchavos.

Recentemente, veio a público uma troca de emails entre João, sua mulher Bia Doria e o presidente da Apex Brasil, David Barioni, agência do governo federal que promove produtos e serviços nacionais no exterior e atrai investimentos estrangeiros.

Segundo a Folha, Bia, que é artista plástica, havia pedido patrocínio a Barioni para uma exposição no exterior. Teve autorização da Lei Rouanet para captar até 1,7 milhão de reais.

Ela mandou um email a Barioni, com o marido copiado, contando que seguiria “em busca de empresas”. Doria poderia se manifestar caso tivesse algo contra a iniciativa.

Doria, o campeão da meritocracia e do estado mínimo, dá um OK. “Nenhuma objeção. Pelo contrário”, escreve. “Barioni, aqui ao meu lado, vai avançar neste tema com você”.

Não foi um caso isolado e nem a primeira vez de Bia Doria, casada com um sujeito que se orgulha de usar um relógio de 15 mil euros — presente de um cantor sertanejo, afirma ele —, em busca de dinheiro público.

Em novembro de 2014, ela lançou o livro “Raízes do Brasil”. De acordo com o release, são esculturas “a partir de árvores recolhidas no fundo da represa da Hidroelétrica de Balbina, no Amazonas”, no que teria sido “o maior desastre ambiental do Brasil pelo alto custo, baixa geração em relação à área inundada e alta emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global”. Bia tem essa pegada “sustentável” em seu trabalho, como se vê.

Ainda segundo o texto de divulgação, a obra “contou com o incentivo da Lei Rouanet para ser publicado e estará a venda nas livrarias Cultura de todo o Brasil”. O Ministério da Cultura aprovou que ela captasse 302 mil reais.

Um outro projeto, chamado “Preto no Branco”, solicitava 373 320 reais. Trata-se de um “livro bilingue, contendo aproximadamente 320 páginas”, com 140 esculturas da artista plástica Bia Doria, acompanhadas de um texto conceitual (!?) do escritor e curador Marcio Pitliuk.

A tiragem será de 1 500 exemplares e “irá documentar um conjunto de obras de Bia Doria, em madeira, mármore e bronze, realçando as luzes e sombras, as formas e texturas.” Foram aprovados 300 mil. Se o cronograma for respeitado, “Preto no Branco” sai em outubro de 2016.

Você precisa ser um completo inocente para acreditar que a papagaiada liberal de João Doria é para valer. Para ficar apenas em um exemplo recente de sua própria relação promíscua com o governo, Geraldo Alckmin liberou meio milhão em publicidade para sua editora de revistas fantasmas.

A meritocracia de Doria, bem como sua moral, é relativa. Quando se trata de seus negócios e da sua família, o dinheiro público serve para ser privatizado.

 

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