A “podridão” segundo FHC, o Demagogo

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Passou despercebida, em meio ao alarido eleitoral, uma declaração de apoio do jurista Eros Grau, ex-STF, a Aécio.

Grau, aos 74 anos, é um dos signatários de um manifesto chamado “Esquerda democrática com Aécio Neves”.

Ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, ele disse que será um “soldado” num eventual governo Aécio. Sem nenhum cargo, afirma, por razões etárias.

“É uma coisa muito engraçada. A maioria das pessoas acha que pelo fato de o presidente Lula ter indicado a mim, ao Joaquim Barbosa e ao Cezar Peluso ao Supremo, nós seríamos ligado ao PT. Mas nenhum de nós é. Eu sempre fui ligado ao PSDB e minha origem lá atrás é sabida”, diz Eros.

É uma frase curta, simples – mas sobre a qual os historiadores terão que se debruçar quando escreverem alguma biografia de Lula.

Lula, o Rei do Aparelhamento segundo seus opositores, nomeou então para o STF três juízes que nada tinham a ver com o PT, conforme palavras de um deles.

Um pouco mais que isso. Eros era, como ele mesmo conta, sabidamente ligado ao PSDB, nêmesis do PT.

Agora compare a indicação de Eros, fiquemos nele, com uma de FHC: Gilmar Mendes.

Num perfil de Gilmar Mendes e sua mulher, alguns anos atrás, a colunista da Folha Eliane Tucanhede lembrou – em tom quase de congratulação – a alma tucana do juiz.

Este foi o padrão FHC de nomeações no STF. Em seus anos no STF, Gilmar Mendes não decepcionou quem o colocou lá. Ele tem se comportado muito mais como um militante do PSDB do que como um juiz propriamente dito.

Em pleno Mensalão, Gilmar não se embaraçou ao ir, festivo, ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo sobre os “petralhas”.

Abraçou o autor, posou para fotos – fez enfim tudo aquilo que um juiz não deveria fazer, em nome da imparcialidade.

Recentemente, no STF, vetou um direito de resposta do PT na Veja e desfez  assim uma decisão unânime do TSE sob a alegação de que os acusados deveriam antes provar sua inocência.

Gilmar foi e é um soldado de FHC, o mesmo FHC que conclamou as multidões a comparecer a uma manifestação contra essa “podridão” para a qual nem ele próprio confirmou participação.

No marketing, você logo aprende que um autoelogio tem determinado valor. Um elogio partido de outra pessoa vale muito mais. Se esta pessoa está do outro lado que não o seu, como é o caso de Eros Grau em relação a Lula, o valor é ainda maior.

Quanto a FHC, há uma palavra exata para políticos que falam uma coisa e fazem outra.

Demagogo.