A truculência seletiva da PM ao espancar os alunos na PUC de São Paulo. Por Mauro Donato

 

Revoltados off line com  a reunião de artistas, intelectuais e demais simpatizantes da democracia plena ocorrida na semana passada nas dependências da PUC, um grupo capitaneado por estudantes de Direito, Economia e Administração resolveu dar o troco.

Alugou um caminhão de som e foi para frente da faculdade na noite de ontem, entor discursos a favor do impeachment e palavras de ordem em louvor a Sergio Moro.

Não demorou para que estudantes se empoleirassem nas sacadas do prédio e que muitos descessem à rua para revidar com  gritos de “não vai ter golpe”. Confusão armada, a polícia apareceu e fez sua costumeira dispersão.

Por dispersão entenda-se tiros, bombas e cacetadas. Por costumeira, entenda-se seletiva. Tão logo chegou, a polícia já posicionou o cordão de frente para os jovens contrários ao golpe. E foi contra eles o ataque.

O golpe está em curso, não é mais devaneio algum afirmar isso. Aqueles que discordam deveriam fazer o seguinte exercício: analisar o comportamento da polícia (que é majoritariamente militarizada) e observar se é neutro. Se não for, de que lado ela está?

Devem procurar saber o que tem acontecido na avenida Paulista com os manifestantes que lá estão acampados. Por que a polícia os protege tanto? Por que das diferenças de tratamento entre manifestações pró-impeachment e todas as demais? Por que uns são poupados e outros sofrem brutal e violenta repressão?

O que ocorreu em frente a PUC na noite de ontem fez reacender na memória a “batalha da rua Maria Antonia”, como ficou conhecido o confronto entre estudantes de Filosofia, Ciências e Letras da USP e direitistas do Mackenzie.

Em lados opostos quanto a posicionamento social e político, os alunos entraram em violento choque que terminou com um morto (por arma de fogo) e dezenas de feridos. O prédio da USP pegou fogo literalmente e aquela batalha é tida como uma das responsáveis pelo recrudescimento do governo militar e a decretação do AI-5.

O acirramento de ânimos entre as classes estudantis demonstra que as questões da educação no país permanecem. Com seu perfil excludente e elitista, o ensino superior se mantém como um empecilho ao desenvolvimento e à redução das desigualdades sociais.

O clima de 1968 só tende a piorar. Nesta semana, um ato marcado para a frente do Mackenzie já foi agendado e certamente continuaremos a ouvir a grande imprensa dividir os grupos entre os que são “a favor do impeachment” e os que são “a favor do governo” quando, pelo bem da verdade, o segundo grupo deve ser classificado como “a favor da democracia” ou “contra o golpe”.