“Acredito na inocência”: segundo Alckmin, a Justiça serve apenas a seus amigos. Por Kiko Nogueira

Alckmin e Capez: nesse caso, é preciso apurar os fatos antes de julgar
Alckmin e Capez: nesse caso, é preciso apurar os fatos antes de julgar

 

Geraldo Alckmin deixou seus correligionários, imprensa incluída, estupefatos diante de sua sensatez e civilidade ao falar sobre investigações do Ministério Público, julgamentos apressados, ilações irresponsáveis e condenações sem defesa.

“Acredito na inocência. O importante é fazer uma apuração séria, o mais rápido possível, para quem for culpado ser condenado e punido. E quem não for culpado ser inocentado”, disse durante um evento na Grande São Paulo.

“Acho que é isso que a sociedade quer. Sempre haver justiça. Se há uma denúncia, investiga-se com profundidade”.

A declaração chamou atenção no momento em que Lula é condenado aprioristicamente por um sítio e um triplex, numa investigação conduzida para provar a tese de que ele é culpado até prova em contrário.

O que teria acontecido com o governador de São Paulo, indagaram cientistas políticos do Brasil e do exterior?

Finalmente um líder oposicionista responsável, colocando a democracia acima de suas ambições e das picuinhas, campeão do estado de direito?

Alckmin teria se transformado no homem público como um dia ele deve ter se imaginado em sua pequena Pindamonhangaba?

Foi quando alguém chamou atenção para o fato de que ele se referia ao colega Fernando Capez, presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual do PSDB envolvido na Operação Alba Branca, que revelou a máfia da merenda no estado.

A sobriedade e o espírito republicano de Geraldo são seletivos, infelizmente. Os valores que ele cultiva para os cupinchas não se aplicam a outros cidadãos, especialmente os adversários.

“O Lula é o Partido dos Trabalhadores. O Lula é o retrato do PT, partido envolvido em corrupção, sem compromisso com as questões de natureza ética, sem limites”, afirmou, peremptório, na semana passada. “É muito triste o que nós estamos vendo”.

Alckmin confirmou o que todos já sabiam e fingiam não perceber: assim como Cunha nunca acreditou em Deus, ele nunca acreditou em outra coisa que não fosse em em si mesmo.