Após artigo do DCM sobre César Tralli, Globo restringe uso de redes sociais para jornalistas e diretores

Publicado no blog do Sidney Rezende

Em comunicado enviado aos jornalistas nesta segunda-feira (4), o diretor-geral de Jornalismo e Esportes da Globo, Ali Kamel, restringiu o uso das redes sociais pelos profissionais da emissora. O aviso vem após o jornalista César Tralli identificar marcas de grife em fotos de seu casamento com a apresentadora Ticiane Pinheiro, que aconteceu no último sábado (2).

“Marcas, evidentemente, devem ser evitadas. E os nomes de restaurantes e lojas, no espaço dedicado à localização (nas redes sociais), devem ser substituídos pelo nome da cidade em que a foto foi tirada. Isso evitará percepções equivocadas”, diz comunicado de Ali.

De acordo com o diretor, os jornalistas “são em grande medida responsáveis pela imagem dos veículos para os quais trabalham e, por isso, devem evitar em suas atividades públicas tudo aquilo que possa comprometer a percepção de que exercem a profissão com isenção e correção”.

Leia o comunicado na íntegra:

“Amigos,

De forma certamente não proposital, alguns jornalistas da Globo, em suas redes sociais, têm publicado fotos suas com a marca aparente de algum produto, roupa, restaurante, hotel e afins. Ou, então, permitindo que o espaço para “localização” da foto remeta a alguma marca.

Isso leva o público a crer que possa estar diante de publicidade, mesmo que subliminar.

Marcas, evidentemente, devem ser evitadas. E os nomes de restaurantes e lojas, no espaço dedicado à localização (nas redes sociais), devem ser substituídos pelo nome da cidade em que a foto foi tirada.

Isso evitará percepções equivocadas.

Nosso princípios editoriais afirmam que a participação de jornalistas do Grupo Globo em plataformas da internet, como blogs pessoais, redes sociais e sites colaborativos deve levar em conta que os jornalistas são em grande medida responsáveis pela imagem dos veículos para os quais trabalham e, por isso, devem evitar em suas atividades públicas tudo aquilo que possa comprometer a percepção de que exercem a profissão com isenção e correção.

Peço aos diretores e aos editores-chefes que se certifiquem de que esse e-mail chegou a todos.

Abraços
Ali Kamel”

A exposição na mídia do casamento do apresentador do “SPTV”, César Tralli, com Ticiane Pinheiro, já havia sido questionada por pessoas fora da Globo que não concordaram com a forma vulgar como tudo foi conduzido.

O colunista Kiko Nogueira, do DCM, foi um dos que denunciaram a mudança de papéis de alguns jornalistas que querem aparecer como se fossem celebridades.

Leia o seu texto, originalmente publicado no Diário do Centro do Mundo:

César Tralli é um resumo do que pode almejar um jornalista da Globo: virar mais uma subcelebridade.

Tralli casa com quem quiser, quando e como quiser, evidentemente.

Mas fica para os anais da psiquiatria, do narcisismo e da cretinice a necessidade de transformar o próprio casamento com uma moça chamada Ticiane Pinheiro em manchete.
Além da imprensa de fofocas falando de cada bocó presente, o casal colocou tudo em suas redes sociais. A festa aconteceu num hotel em Campos do Jordão para 250 convidados.

Rafaela, a filha de Ticiane com Roberto Justus, seu primeiro marido, foi dama de honra. Entre os “famosos” estavam Rodrigo Bocardi (?!?), Márcio Canutto, Gloria Vanique, Ana Hickmann, Otávio Mesquita, César Filho, Sabrina Sato.

A cobertura da imprensa foi ampla. O G1, da Globo, destacou — atenção — “o clima intimista da festa”. É inacreditável.

O apresentador do SPTV não perdeu tempo: no dia seguinte, já postou no Instagram um vídeo em que ele e a noiva recebem os anéis da menina Rafaela em frente ao padre e ele cai no choro.

“Aguenta coração. É muito amor por essa daminha. E pela mãe dela, agora minha esposa. Enfim, casados”, escreveu na legenda.

É obrigatório soar como um idiota? É para agradar a “audiência”? A ideia é parecer uma novela ruim?

Onde é que esse pessoal está com a cabeça? Em que momento passou a ser normal e desejável tornar público cada aspecto de sua vida privada?

Ele vai colocar fotos da noite de núpcias no Facebook? Teremos detalhes do acordo pré-nupcial? A separação vai ser televisionada?

Um mestre, falecido, gostava de repetir que “jornalista não é notícia”. César Tralli é a falência do jornalismo.

Seu público não será capaz de lembrar de uma única matéria relevante que ele tenha feito, um furo que tenha dado, uma análise interessante.

Mas ninguém vai esquecer do casamento de Tralli com Ticiane, que ele fez questão de expôr em redes sociais histericamente, como um subproduto de A Fazenda — e que durou menos de seis meses.