A bomba ter estourado em Temer e Aécio não prova que a Lava Jato não é parcial, diz professor da UnB

Joesley Batista, da JBS

Por Luis Felipe Miguel, professor da UnB, em seu Facebook.

Cinco observações sobre o momento atual da crise:

(1) A bomba ter estourado em Temer e Aécio não prova que a Lava Jato não é parcial. A essa altura do campeonato, está mais do que evidente de que ela foi uma co-produção de polícia, judiciário e mídia com o objetivo de derrubar Dilma e destruir o PT (e se possível o resto da esquerda). O que a delação de Joesley Batista mostra é que os conflitos internos nessa coalizão estão cada vez menos controláveis. E que o juiz Sérgio Moro não determina tudo.

(2) Enquanto a mídia reclama pelo gesto de “altruísmo” que seria a renúncia, Michel Temer se aferra ao cargo. Seu trunfo é o prosseguimento do desmonte dos direitos. Ele aposta que, quanto mais a pressão por diretas crescer, mais sua permanência no cargo se tornará palatável para as classes dominantes. Afinal, o que elas mais temem é dar alguma voz ao povo nesse processo.

(3) Diante da impossibilidade crescente de sustentar a presidência de Temer, o custo de recusar eleições diretas é grande. Mesmo expoentes da direita, desde que tenham ambições na política eleitoral, são sensíveis a isso, como mostram as declarações de Ronaldo Caiado ou Reguffe. A relutância do usurpador em renunciar faz com que as diretas se firmem como possibilidade. O ideal, para os donos do poder, seria uma solução rápida (e indireta) para a sucessão.

(4) Essa tensão interna ao golpísmo abre uma oportunidade para que o campo popular passe à ofensiva. Todo mundo tem uma boa razão para o “fora Temer”: a classe trabalhadora, as mulheres, a população negra, os povos indígenas, os gays, lésbicas e travestis, a juventude, a intelectualidade, a comunidade científica… É hora de juntar essas razões e fazer a pressão aumentar.

(5) A boataria de ontem à noite era de que hoje a bomba da JBS atingiria Lula e Dilma. É esperar para ver. Nada muda o principal: não se pode usar o judiciário para promover uma perseguição política, não se pode condenar alguém sem provas. O eventual surgimento de evidências contra Lula hoje ou amanhã (não estou dizendo que elas realmente surgirão) não apaga ou absolve a perseguição imotivada que ele vem sofrendo até agora.