“Cinegrafista preto” usado por defensores de Waack como prova de que âncora não é racista é branco

“É coisa de preto”

Os defensores de William Waack estão se apoiando em um depoimento publicado no Facebook como “prova” de que ele não é racista.

O cinegrafista Gil Moura conta o seguinte: “Eu sou preto. Já trabalhei com ele na França, em Portugal, na Espanha, na Índia e em São Paulo”.

“Ele faz parte dos pouquíssimos globais que carregam o tripé para o repórter cinematográfico preto ou branco”.

O relato foi reproduzido por Reinaldo Azevedo em sua coluna. “William Waack não é racista. Não o é de várias maneiras”, afirma.

“Uma das coisas erradas que se disseram sobre William é que ele é de trato difícil, ríspido, com chefes e subordinados”, prossegue, antes de reproduzir a declaração de Moura.

O detalhe é que Gil Moura não é exatamente preto. Nas fotos de seu perfil na rede social, aliás, ele é branco.

Confira:


Uma hipótese é a de que Gil se defina como preto. Direito dele. Ele pode também estar usando uma classificação do IBGE.

Como reza aquela velha formulação: uma imagem vale por mil palavras.

A seguir, o testemunho de Gil Moura sobre William Waack:

Eu sou preto. Já trabalhei com ele na França, em Portugal, na Espanha, na Índia e em São Paulo.
Nesta caminhada de 30 anos, fazendo imagens e contando histórias, poucos colegas foram tão solidários quanto o velho Waack. Ele faz parte dos pouquíssimos globais que carregam o tripé para o repórter cinematográfico preto ou branco. Na verdade, não me lembro de ninguém na Globo que o faça. O velho sabe para que serve cada botão da câmera e o peso do tripé. Quando um preto sugere um restaurante mais simples, ele não dá atenção, porque paga a conta dos colegas que ganham menos, no restaurante melhor. Como ele fez piada infeliz de preto, ele faz dele próprio, suas olheiras, velhice, etc.
O que a Globo mais tem são mocinhos e mocinhas de cabelos arrumadinhos, vindos da PUC ou da USP, que são moldados ao jeito da casa.
Posso dar o exemplo de quando estávamos gravando uma passagem no meio da rua, onde havia um acidente, e sugeri a uma patricinha repórter que prendesse o cabelo devido ao vento. Ela o fez. Gravamos na correria, porque estávamos a duas horas do RJ. No dia seguinte, na redação, que aparece no cenário do JN, ela comenta.
– Você viu a matéria ontem?
– Não
– Sobrou uma ponta do cabelo, fiquei parecendo uma empregada doméstica.
Ao que respondi.
– Eu sou repórter cinematográfico, cabeleireiro não havia na equipe.
Posso lembrar-me de muitas coisas como, quando fazíamos uma matéria para o Fantástico, uma mesa de discussão, e ao ouvido, ouço o repórter falar.
– Põe aquela pretinha mais para trás.
Isto faz parte do cotidiano. Os verdadeiros racistas, estão por todas as partes, mas são discretos. Também tem a famosa, que chegou ao prédio onde vive, e uma moradora (namorada de um amigo) segurou o elevador.
A famosa negra não agradeceu, e ficou de braços cruzados. O elevador começou a subir.
Jornalista Famosa
– Você não sabe qual é o meu andar?
– Sei, mas não sou sua empregada.
No vídeo, ela é uma “querida”, jamais trata mal o entrevistado, se estiver gravando…
Voltando ao racista William Waack. Quando íamos para a Índia – eu vivia em Lisboa – fui 3 dias antes para Londres, de onde partiríamos para Dheli.
Eu ia ficar em um hotel, mas o racista que havia trabalhado comigo até então somente uma vez em Cannes, convidou-me para ficar em sua casa, onde vivia com esposa e dois filhos, esposa essa a quem ele, preconceituosamente, chamava de “flaca” devido à sua magreza. Eu via como uma forma de carinho.
Comemos, bebemos bom vinho e, em nem um momento, alguém quis se mostrar mais erudito que eu, nem mais racista.