Em Curitiba, professora critica protesto no Facebook, é execrada por pais de alunos e se demite

Postado em 24 de março de 2016 às 4:12 pm

Do Notícias ao Minuto:

Uma professora de História dos Movimentos Sociais, que leciona no 9º ano no Colégio Jesuíta Medianeira, localizado na cidade de Curitiba (PR), foi hostilizada por pais de estudantes que a chamaram de “comunista” e pediram sua demissão.

Ela criticou em suas redes sociais uma manifestação “pró-impeachment” feita pelo estudantes do colégio ao irem à escola vestindo preto em apoio ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Apesar de não ter sido demitida pela direção da escola, a professora, que não quis ter sua identidade revelada, sofreu pressões e acabou por pedir demissão. Com a saída da docente, alguns alunos resolveram protestar, levando cartazes como “Opinar não é doutrinar”, enquanto outra parte saiu contra a professora, Dilma, Lula e o PT. Para evitar conflitos, a escola acabou proibindo toda e qualquer manifestação nas dependências da unidade de ensino, de acordo com o UOL.

Confira o texto da professora no Facebook, que legendou uma imagem da década de 1930 com crianças italianas vestindo o fardamento negro do Partido Nacional Fascista, então no poder:

“Hoje, vi crianças numa escola, vestindo preto e pedindo golpe. Desprezando a democracia e exalando ódio. Parece que não conseguimos escapar do que Marx profetizou quando disse que a História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa…”

Dentre os comentários dos pais do colégio em grupo aberto no Facebook, é possível ler posts como “Comunista descarada!”, ou “SE EU PEGAR ALGUM TEXTO COMUNISTA no caderno do meu filho eu vou RASGAR e devolver rasgado. E vou convidar o professor a me convencer. O COMUNISMO SÓ DEU CERTO NA CABEÇA DELES………..Argentina caiu, Venezuela caiu, e por aí vai. MAS ISSO É CULPA DA COORDENAÇÃO DE ENSINO EM DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA.”

E ainda: “À diretoria do colégio deve tomar uma providência. Sou totalmente contra a ideologia de esquerda… Não aceito em hipótese alguma que professores fiquem doutrinando minha filha… Se minha filha aparecer em casa com alguma ideia esquerdista, vai dar confusão…”.

Já na página da professora, alguns pais fizeram comentários como: “Porca vermelha, se afaste do meu filho”, “Petista vagabunda, vai dar aula em Cuba ou no raio que o parta”, “Comunista burra, o comunismo acabou, devia voltar para a escola como aluna”.

O clima que se seguiu foi definido por um pai de aluno como “macartismo”. A professora foi alvo de reclamações e pais pediram que fosse afastada.

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