“Fechar o Ministério da Cultura é vingança pela rejeição dos artistas ao impeachment”, diz escritor

Postado em 14 de maio de 2016 às 9:59 am

Do Estadão:

 

Por trás do fim do Ministério da Cultura pelo presidente em exercício Michel Temer pode estar não apenas a intenção de enxugar gastos, justificativa oficial dada pela nova gestão, mas também uma retaliação à postura da classe artística contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, disse o escritor Eric Nepomuceno, um dos artistas e analistas ouvidos pelo Estado sobre a extinção da pasta. Na semana que vem, representantes do setor deverão se reunir com o ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, em Brasília.

“Fechar o Ministério da Cultura é parte do plano demolidor de Michel Temer. É a vingança pela rejeição imensamente majoritária do mundo das artes e da cultura ao golpe consumado. É o desprezo pelo País, claramente demonstrado por quem se apossa do poder através de uma farsa, de um golpe abjeto. Aliás, basta ver o quilate ético e moral dos que o cercam. Mendonça Filho não tem a mais remota qualificação para ser ministro de nada, quanto mais da educação e da cultura”, disse o escritor.

“Temer, o ilegítimo, não decepciona: arma uma equipe de homens, brancos e ricos. E, dando indícios da sua visão do mundo e da vida, faz desaparecer as secretarias da Igualdade Racial, da Mulher e dos Direitos Humanos”, critica Nepomuceno, signatário, com Chico Buarque, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, Raduan Nassar, Fernando Morais e Marcelo Rubens Paiva, entre outros escritores, de manifesto divulgado em março contra o impeachment. Procurado, Chico não quis falar sobre o fim do ministério, que foi ocupado por uma de suas irmãs, a cantora Ana de Hollanda, entre 2011 e 2012.

Para a atriz Clarice Niskier, a decisão do governo foi “rápida e arbitrária” e de motivação duvidosa. “O MinC foi uma conquista importante, num país de diversidade cultural incomensurável. Não se colocou nada em discussão com a sociedade. A gente só vai conseguir respirar em 2018, entender o quanto de retrocesso houve, o que foi ruína e o que foi construção. Estávamos lutando por um orçamento maior para o MinC, para pelo menos 1%, o que já era um descalabro. É realmente difícil dizer qual foi a motivação real, se foi vingança ou não, qual foi o critério para voltarem a unir cultura e educação.”