Golpe é para colocar PMDB e PSDB no poder, afirma especialista americano em América Latina

Postado em 23 de março de 2016 às 7:26 pm

Do americano James N. Green, professor de história moderna da América Latina e diretor da Iniciativa Brasil da Brown University, em Rhode Island, à BBC Brasil:

BBC Brasil – A crise atual é comparável a algum outro momento que o Brasil já viveu?

James N. Green – Evidentemente a 1964. Não que os militares estejam à beira de tomar o poder neste momento, mas a linguagem da oposição ao governo Dilma é uma linguagem sobre corrupção que foi usada justamente em 1964 contra o governo do João Goulart e uma das várias justificativas para o golpe.

Depois, houve várias CPIs e nada foi descoberto de corrupção no governo João Goulart. Ou seja, era uma oposição contra as medidas políticas do João Goulart, as reformas de base, às quais setores dos militares e políticos eram contra.

BBC Brasil – Pode explicar melhor?

Green – A Dilma é uma presidente fraca, com uma política econômica problemática, e há um descontentamento amplo da sociedade. Mas, em vez de esperar por novas eleições em 2018, a oposição está fazendo justamente o que o Partido Republicano fez quando Barack Obama foi eleito. Eles (no EUA) tiveram uma reunião no dia da posse dele e combinaram que não iriam aprovar nada no governo, fazer de tudo para que governo não funcionasse e fosse derrubado.

Eles fizeram isso durante quatro anos, mas Obama conseguiu uma mobilização popular, foi reeleito e melhorou a economia. A mesma coisa estão fazendo os que eram contra a eleição de Dilma. Perderam por quatro pontos e estão furiosos com essa situação, então estão fazendo campanha constante contra o governo dela, dizendo que ela tem de ser derrubada. Isso é uma narrativa.

Na época de Goulart, também se dizia que o governo era comunista – tudo para justificar o golpe e envolver a Casa Branca, que, na época, estava obcecada pela questão comunista.

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