Leo Pinheiro disse que acertou triplex para Lula com Vaccari e Okamotto

Postado em 21 de abril de 2017 às 8:12 am

Do JornalGGN:

A equipe do ex-presidente Lula publicou no site oficial do petista, por volta das 18h desta quinta (20), uma nota sobre o depoimento prestado por Leo Pinheiro ao juiz Sergio Moro, no âmbito do julgamento do caso triplex.

Em junho de 2016, a imprensa havia noticiado que Leo Pinheiro não conseguia fechar o acordo de delação premiada porque havia poupado Lula das acusações, afirmando que a reforma no apartamento no Guarujá era uma tentativa de vender o imóvel ao petista.

Agora, depois de mais de um ano preso em Curitiba, Pinheiro disse que acertou com João Vaccari Neto e Paulo Okamotto o direcionamento do triplex a Lula como parte dos pagamentos devidos ao PT.

A defesa de Lula destacou que Pinheiro decidiu se incriminar e acusar o ex-presidente de ser proprietário oculto do triplex em meio à negociação de benefícios com o Ministério Público Federal. Moro, porém, não viu conflito de interesse.
O GGN reproduz abaixo parte da nota no site oficial de Lula.

(…)

Em seu depoimento, o empresário disse que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari indicou seis empreendimentos da Bancoop (cooperativa habitacional pertencente ao Sindicato dos Bancários) para serem assumidos pela OAS, e que eles foram aceitos pela construtora por serem viáveis. Afirmpou também que a empresa a princípio não queria fazer empreendimentos fora de grandes centros urbanos, mas que teria aceitado o do Guarujá após João Vaccari ter apontado que lá havia uma cota de uma unidade de propriedade da família do presidente Lula.

Léo disse que acertou com Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) e João Vaccari Neto que o apartamento seria de Lula em 2009, e que tanto o valor do imóvel quanto o valor das reformas no tríplex teriam sido acertados em um “encontro de contas”  de R$ 15 milhões com João Vaccari Neto feito cinco anos depois, no restaurante Bassi, em meados de 2014, misturando o apartamento, obras no tríplex, obras no sítio em Atibaia, e débitos da Bancoop  com valores que a OAS devia ao PT dentro de uma “conta”  com o partido.

Tal conta – de que o empresário não apresentou qualquer prova de sua existência -,  segundo Léo Pinheiro, não guarda nenhuma relação com contratos da Petrobras fechados pela OAS, conforme consta na denúncia dos procuradores da Lava Jato contra Lula, mas que teriam sido feitos em contrapartida a um investimento feito pelo Funcef, o Fundo de Previdência dos Funcionários da Caixa Econômica Federal na OAS Empreendimentos. Depois, disse ter relação com contratos da refinaria RNEST.

Pinheiro diz que a reforma teria custado acima de R$ 1 milhão, e que conversou sobre essas atividades no imóvel unicamente com João Vaccari, não tendo nem perguntado, nem ouvido do ex-presidente Lula ou de seus familiares sobre pagamentos para o apartamento.

Segundo Léo Pinheiro, ele foi o único que tratou do assunto sobre o tríplex na empresa e do tal “acerto de contas”. E não haveria transferência do imóvel para a família de Lula, que conversou sobre esse assunto com Paulo Okamotto e João Vaccari Neto, que não disseram como iriam resolver a questão da titularidade do imóvel até ele ser preso, em novembro de 2014.

Segundo Léo Pinheiro, Dona Marisa teria a intenção de passar as festas de fim de ano de 2014 no apartamento, e perguntou quando a obra ficaria pronta. Léo Pinheiro não sabe dizer se o apartamento ou chaves foram entregues para a família do ex-presidente.

Mas os advogados do ex-presidente apresentaram um documento financeiro chamado emissão de debênture, emitida em  2013, que coloca esse apartamento como garantia de financiamento da obra, assinada por Léo Pinheiro, algo só possível de ser feito com o apartamento sendo propriedade da OAS Empreendimentos.

O empresário, então, afirmou que não consultou o ex-presidente antes de emitir o papel. A Defesa de Lula apontou também que o imóvel consta no processo de recuperação judicial da OAS como ativo da empresa, ou seja, continua sendo da OAS.

Acervo presidencial

Sobre o armazenamento do acervo presidencial, Léo Pinheiro relatou ter se encontrado com Paulo Okamotto, e que a empresa fechou um contrato com a Granero, e que isso não teve nenhuma relação com nenhum recurso de corrupção, nem nenhuma vantagem indevida, nem solicitada qualquer contrapartida. A empresa tinha interesse em manter relações próximas do ex-presidente por saber que ele teria uma atuação internacional.

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