Morre jovem atropelado em Florianópolis por herdeiro da RBS que estuprou adolescente em 2010

Postado em 11 de agosto de 2017 às 11:04 am

 

Do Diário Catarinense:

Um dos quatro jovens atropelados na madrugada do último domingo (6), na SC-402, em Jurerê, no Norte da Ilha, Sérgio Teixeira da Luz Júnior, 23 anos, morreu no início da madrugada desta sexta-feira. Ele estava internado em estado grave na UTI do Hospital Celso Ramos, havia passado por cirurgias e chegou a retirar parte do pulmão esquerdo. De acordo com a unidade, a morte ocorreu por volta da 0h45min.

Os jovens haviam saído de uma festa quando foram atropelados. Três deles foram atropelados por um Audi A3. Sérgio teria sido atropelado uma segunda vez, enquanto recebia socorro de uma pessoa na rua. O rapaz que parou para ajudá-lo também acabou sendo atingido. 

O responsável pelo primeiro acidente foi Sérgio Orlandini Sirotsky, 21 anos. O rapaz prestou depoimento à polícia na quarta-feira (9) e foi liberado, já que não houve prisão em flagrante. Antes da morte de Sérgio, o delegado Otávio Cesar Lima, da 7ª Delegacia de Polícia, conduzia o inquérito por crime de lesão corporal culposa na direção de veículo e omissão de socorro. Agora, a conclusão do inquérito pode seguir um rumo diferente.

— O resultado morte aconteceu em razão do acidente. Resta saber se foi (homicídio)culposo (sem intenção de matar) ou dolo eventual (quando assume o risco de matar) — explicou o delegado.

Outra possibilidade que pode ser levada em consideração tanto no inquérito quanto no processo criminal é a de crime de lesão corporal seguida de morte. A conclusão dependerá do colhimento de provas, resultado da perícia e depoimento de testemunhas.

No fim da manhã desta sexta-feira, o pai de Sérgio Orlandini Sirotsky, Sérgio Sirotsky [N.R.: conselheiro da RBS no RS], divulgou nota afirmando que “não há o que repare a imensa dor dessa perda”, acrescentando: “Que a família encontre forças para enfrentar esta ausência. Estamos todos de luto e sofrendo com os familiares e amigos de Sérgio Teixeira da Luz”.

(…)

Em 2010, aos 14 anos, Sérgio filho e amigos estupraram uma garota de 13 com requintes de crueldade, num caso que foi abafado.

Elio Gaspari, o único a furar o bloqueio, contou a história em sua coluna.

O que aconteceu no apartamento do garoto não se sabe com precisão, pois o inquérito policial e o processo correm em segredo de Justiça. Durante a investigação, quem devia preservar o sigilo permitiu que ele vazasse.

A jovem contou em seu depoimento que foi estuprada por um ou dois rapazes, ambos menores. Além do dono do apartamento, denunciou o filho de um delegado. Medicada num hospital, deu queixa à polícia e submeteu-se a um exame de corpo de delito. Nos últimos dez dias, o caso explodiu na internet.

A família Sirotsky publicou um comunicado informando a ocorrência do “lamentável episódio”, lembrando que “confia integralmente nas autoridades policiais”.

Para que se possa confiar mais nessas autoridades, o secretário de Segurança de Santa Catarina deve exonerar o delegado Nivaldo Rodrigues, diretor da Polícia Civil de Florianópolis. Numa entrevista gravada, ele disse o seguinte:

“Eu não posso dizer que houve estupro. Houve conjunção carnal. Houve o ato. Agora, se foi consentido ou não, se foi na marra, ou não, eu não posso fazer esse comentário, porque eu não estava presente”.

O blogueiro Mosquito, que denunciou o crime, morreu no ano seguinte.

 

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