Para historiador, protesto não cria condição para governo de oposição que acalme o país

Postado em 14 de março de 2016 às 8:42 pm

Da BBC Brasil:

 

Para o historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, as manifestações contra o governo Dilma Rousseff ocorridas no domingo foram “muito importantes”, mas não criaram condições para a formação de um governo “que acalme o país”.

“Os manifestantes não estão a favor de liderança de oposição nenhuma. Não há condições de se formar um governo consensual, que acalme um país, quando este governo cair”, afirma Alencastro, professor emérito da Universidade de Paris Sorbonne e professor da FGV-SP.

O protesto realizado em São Paulo teve a presença de 500 mil pessoas de acordo com o Instituto Datafolha – superou o das Diretas Já e foi o ato político mais numeroso desde que o instituto iniciou a medição. Segundo a Polícia Militar, também houve público recorde em outras cidades.

Mas, apesar de os principais alvos da manifestação serem Dilma e o PT, nome da oposição como o senador Aécio Neves e o governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, foram hostilizados por manifestantes na avenida Paulista. O mesmo aconteceu com a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PMDB).

Para Alencastro, a situação atual é diferente da que havia em 1992, quando o então presidente Fernando Collor de Mello sofreu um impeachment.

“O day after (dia seguinte) do Collor estava preparadíssimo antes de o processo de impeachment começar”, diz. “O Itamar já tinha formado um governo de coalizão.”

Atualmente, para Alecastro, o quadro é outro. Ele diz que, se o processo de impeachment de Dilma avançar, ele seria organizado “por uma pessoa que está a caminho da cadeia, que é o Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados)”. Se forem realizadas novas eleições, a oposição entraria dividida, diz ele. E, se o processo de impeachment demorar, o novo presidente teria que ser eleito indiretamente por um Congresso desacreditado.

(…)

“A própria divisão entre ‘gente de bem’ e ‘matilha de petistas’ feita pelo editorial do (jornal) O Estado de S. Paulo no domingo mostra isso. Você tira a dimensão humana do adversário. É uma coisa muito grave”, conclui.

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