Repórteres da Record presos na Venezuela trabalhavam ilegalmente no país

Postado em 17 de fevereiro de 2017 às 7:20 am

Do Notícias da TV:

 

Os repórteres Leandro Stoliar e Gilson Fred Oliveira, detidos na Venezuela no último final de semana enquanto gravavam uma série de reportagens para o Jornal da Record, trabalhavam no país de forma ilegal, sem visto. Eles podiam apenas visitar o país como turistas, não como jornalistas profissionais. A Record tem omitido esse fato das reportagens em que se coloca como vítima de “prisão arbitrária” e de “censura”.

A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores. De acordo com o Itamaraty, Stoliar e Oliveira entraram na Venezuela na quarta (8) sem nenhum visto. O país vizinho não exige o documento para turistas brasileiros, mas é necessária uma autorização especial para trabalho, inclusive temporariamente, como a produção de reportagens.

Stoliar e Oliveira foram para a Venezuela para gravar uma série sobre as denúncias de corrupção que envolvem financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que favorecia construtoras brasileiras, em especial a Odebrecht, para obras no Brasil e na América Latina.

O Notícias da TV apurou que os jornalistas foram mandados às pressas para a Venezuela porque os superiores queriam que a reportagem ficasse pronta o quanto antes. Assim, Stoliar e Oliveira receberam a ordem da direção de ir como turistas para ganhar tempo. Acabaram detidos e tiveram todo o material produzido no país confiscado pelas autoridades venezuelanas. Os equipamentos também foram tomados.

A emissão de permissão para trabalho na Venezuela leva, no máximo, quatro dias úteis. A equipe da Record, apressada, preferiu não esperar.

Em reportagem exibida na segunda-feira no Jornal da Record, a emissora afirmou que seus profissionais sofreram “prisão arbitrária” e “violência que atenta contra a liberdade de expressão”. Em nenhum momento citou que eles não tinham visto para trabalhar no país.

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Na reportagem do Jornal da Record, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, declarou que a forma com que os jornalistas foram tratados não era justificável: “Mesmo que tivesse um problema de visto, você não usa o instrumento da prisão, da hostilidade, tratando-os como se fossem meia dúzia de terroristas ou coisa do gênero. Isso faz parte do regime de arbítrio que hoje vive a Venezuela, infelizmente”, disse.

 

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