Sergipana formada pelo Prouni devolve a Lula o cartão do Bolsa Família

Postado em 23 de agosto de 2017 às 10:04 pm
Isso se chama dignidade

Do Brasil de Fato

Iva Mayara é sergipana de Aracaju. Aos 13 anos “fugiu de casa” grávida para morar com o namorado no Morro do Avião, na periferia de Aracaju. “Eu casei e engravidei muito cedo, uma das oportunidades que eu tive foi receber o Bolsa Família”, conta. A garantia dessa renda mensal fez com que Mayara, mesmo com uma filha pequena e todo o trabalho doméstico da casa, conseguisse continuar estudando e terminar o ensino médio.

Nesse período a família dela também teve acesso ao Programa Minha Casa, Minha Vida, numa parceria entre o governo federal e o governo de Sergipe, na gestão do ex-governador Marcelo Déda (PT), falecido em 2013, de quem faz questão de lembrar com carinho. A casa fica localizada no bairro 7 de Março, e é um dos principais orgulhos de Mayara. “Ter uma casa boa, limpa, para mim e para minha família, um lugar seguro onde a gente pudesse chegar todas as noites, foi um alegria sem tamanho”.

Depois que conseguiu sua casa, Mayara ingressou na faculdade pelo Prouni (Programa Universidade para Todos) e se formou em Administração de Empresas. Na sequência, ela fez o desligamento voluntário do Bolsa Família. “Em todos esses momentos da minha vida o Bolsa Família foi quem mais me ajudou , inclusive na faculdade”, relata a jovem, que diz que o dinheiro do Bolsa Família foi o que garantiu que conseguisse pagar a internet, concluir o curso feito pelo sistema de Educação à Distância (EAD) e “alimentar a minha família nos períodos que não tínhamos [dinheiro]”. Agora, ela é cadastradora do Bolsa Família no bairro onde mora. “É uma forma de retribuir o que fizeram por mim”.

“Só quem sabe a dificuldade é quem passa. Ter aquele dinheirinho todo final de mês para comprar alimentação ou outra coisa é um alívio. Para as mulheres que estão numa situação precária, é realmente uma coisa muito valiosa”, ressalta.

Hoje, Mayara tem 25 anos, é mãe de Adriana, de 11 anos e Cauã, de dois anos. Ela sonha em voltar para faculdade e estudar enfermagem.

Mayara contou sua história ao Brasil de Fato no ato da Frente Brasil Popular na tarde desta terça-feira (22), no sexto dia da caravana Lula pelo Brasil, quando entregou simbolicamente ao ex-presidente Lula seu cartão do programa. “Quando criei o Bolsa Família disseram que eu estava criando vagabundo, na verdade eu estava vendendo esperança”, disse Lula.

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