“Estou falida depois do impeachment”, diz a ativista que foi presa no Congresso após afirmar que deputados “estão roubando”

 

Bolsonaro e Carla Zambelli

Na quinta, dia 30, Carla Zambelli foi detida pela polícia legislativa da Câmara dos Deputados ao afirmar que o deputado Paulo Pimenta “rouba” sem nenhuma prova.

Pimenta estava saindo com o colega Wadih Damous do depoimento do ex-advogado da Odebrecht Tacla Durán.

A ativista de direita foi defender o juiz Sérgio Moro e atacou os deputados, dizendo que “vocês estão roubando”.

Zambelli é líder do movimento Nas Ruas, que foi contra o governo da ex-presidente Dilma e o PT. Ela criou o grupo em 2011 para protestar contra a absolvição da empresária agropecuarista e ex-deputada Jacqueline Roriz na Câmara dos Deputados.

O Nas Ruas estava na Avenida Paulista junto com o MBL de Kim Kataguiri no golpe. Fã de Janaína Paschoal, ela afirma que está endividada.

A revista Época informou em novembro que Carla havia se tornado monarquista e defensora dos descendentes da família real. Ela também seria candidata ao cargo de deputada em 2018. Numa passeata de intervencionistas em São Paulo, ela escapou de ser linchada.

Dias antes da baixaria no Congresso, ela havia conversado com o DCM.

DCM: Você está arrependida ou feliz com o resultado do impeachment de Dilma? Qual a sensação?

Carla Zambelli: Impeachment nunca é uma coisa boa. Ele mostra que o nosso sistema político ainda precisa melhorar muito para que a gente não recorra a um remédio tão amargo. Esse é um dos motivos que me levaram até a monarquia parlamentarista.

Nesse sistema é muito mais fácil e rápido tirar um governante corrupto e incompetente. Eu não votei no Michel Temer e quem colocou ele lá foram os petistas.

DCM: Você sabe de outros grupos que receberam apoio do Temer ou do PMDB? O Nas Ruas recebeu?

CZ: Eu me preocupo e posso falar pelo Nas Ruas. Estou preocupada em pagar uma série de dívidas que acabei contraindo na luta contra a corrupção. Hoje eu estou praticamente falida depois do impeachment.

Se não fossem as doações dos simpatizantes do Nas Ruas, eu não teria a mínima condição de continuar batalhando por um país mais justo. Falo por mim: eu nunca recebi um centavo de político ou partido algum.

DCM: Por que há tantos rachas na direita depois do impeachment? Os escândalos do PMDB, do PSDB e do Michel Temer contribuíram para as brigas internas?

CZ: Esse é um dos pontos mais fracos da direita hoje, porque os movimentos poderiam ser mais unidos. Eu procuro nunca atacar e só me defendo, infelizmente, se necessário.

DCM: Diante dos militaristas, você falou que foi agredida com três socos numa live de Facebook. Pediram para te linchar. Como isso aconteceu? Por que eles associam seu nome com “socialismo” e “comunismo”?

CZ: Infelizmente fui agredida por algumas pessoas que não gostam ou não sabem o que é democracia. Eu fui ao evento dos intervencionistas para dar uma grande oportunidade deles exporem suas ideias e ao mesmo tempo uma visibilidade que a grande mídia não quer dar.

DCM: Você tem amigos intervencionistas?

CZ: Tenho vários amigos intervencionistas que me deram apoio e são contra esse a qualquer tipo de violência.

DCM: Então por que eles te chamam de socialista?

CZ: Ser chamada de socialista chega a ser uma piada. Eu sou processada toda hora pelos petistas, comunistas, socialistas, esse pessoal.

DCM: O governo Temer era desejável depois da queda da Dilma mesmo com os escândalos de Joesley Batista e da JBS?

CZ: Esse governo nunca foi a opção do movimento Nas Ruas. Nem Dilma e nem Temer.

DCM: Daniela Schwery acusa você numa entrevista de ser financiada pelo PSDB e pelo senador Ronaldo Caiado. O que tem a dizer sobre isso?

CZ: Não sei por qual razão ela tem essa fixação comigo. Eu refuto o que ela diz e acho que ela tem desequilíbrio mental.

DCM: Ela também te acusa de ter amizade com Danilo Amaral, do movimento Acorda Brasil, que foi citado 18 vezes na Lava Jato. Isso é verdade?

CZ: Tenho amigos que conto nos dedos das mãos e ele não está entre essas poucas pessoas. Sequer sei dessas acusações.

DCM: Você diz que o Nas Ruas surgiu em 2011 contra a corrupção e o escândalo da Roriz. A direita perdeu o foco?

CZ: Não houve perda de foco porque já apontamos erros e roubos de todos os partidos em toda e qualquer instância ou poder.  Estamos sempre atentos aos interesses da sociedade de bem, aquela que não compactua com corrupção e que luta por um estado menor e mais eficiente.

DCM: O Nas Ruas é liberal, então?

CZ: Sim, ele luta por menos impostos, pela Reforma da Previdência e, principalmente, aquela sociedade que não tem o “bandido de estimação”.

DCM: Mas você não é monarquista? Você falou com os descendentes da coroa portuguesa?

CZ: Eu já era monarquista parlamentarista quando conheci Dom Bertrand de Orléans e Bragança, que concedeu entrevista gentilmente neste ano assim que foi solicitado. A eficiência desse sistema me fez defendê-lo considerando o que vivemos no Brasil hoje.

O depoimento foi realizado ao Nas Ruas. Até aquele momento, Dom Bertrand não conhecia o meu trabalho.

DCM: Você tem alguma mais simpatia por manifestantes militaristas ou simpatizantes de Bolsonaro?

CZ: Eu tenho simpatia por qualquer brasileiro que seja intolerante com a corrupção. Não vejo solução na briga ou nas divisões que o PT e PSDB tentaram implantar nos 21 anos em que estiveram no poder.

Tenho simpatia por todos aqueles que não querem enriquecer na vida pública. Que estão dispostos a servir e não a ser servido pela população.

DCM: A Época também diz que você vai tentar se eleger deputada. Já tem partido fechado?

CZ: A revista afirmou algo que não teve confirmação de minha parte. Participo de um processo seletivo para o cargo de deputada federal no Partido Novo, o único partido que não utiliza dinheiro público para campanha eleitoral.

DCM: Tem algo que eu não perguntei e você gostaria de falar?

CZ: Sim. Eu acredito que nosso trabalho é regado com o amor que temos pelo nosso país. Qualquer dúvida ou preconceito com pessoas que se dizem de direita nada mais é do que falta de oportunidade para entender que o verdadeiro espírito de oportunidade. Ele está em fornecer igualdade de oportunidade a todos.

DCM: A esquerda não prega a igualdade? A direita não é intolerante cultivando “mitos”, como vocês dizem, como o Bolsonaro?

CZ: Acredito que a direita conservadora nada tem de intolerante. A crença dela é na família e no poder de Deus para mudar vidas, no comunitarismo para resgatar a união de brasileiros.

Os que acreditam na teoria da esquerda como único método de combater a desigualdade deveriam buscar informações da teoria da direita conservadora.

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Pedro Zambarda de Araujo

Escritor, jornalista e blogueiro. Autor dos projetos Drops de Jogos e Geração Gamer, que cobrem jogos digitais feitos no Brasil e globalmente. Teve passagem pelo site da revista Exame e pelo site TechTudo.