facebook
rss
twitter
youtube
  • DESTAQUES
    • Video do dia
  • POLÍTICA
  • BRASIL
  • MUNDO
  • MIDIA
  • COMPORTAMENTO
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • Especiais DCM
O ESSENCIAL
“Mein Kampf”, de Hitler, é best seller na Alemanha de novo
A nova do prefeito de SP: Doria revê promessa de encerrar 2017 sem crianças na fila de creches
Bolsonaro negocia com Malafaia aliança para 2018
Reação à campanha “Gente Boa Também Mata” do governo federal é um desastre
Ex-mulher de atirador de Campinas registrou cinco boletins de ocorrência
Serrano: juiz que presos do AM chamaram para negociar é perseguido por parte do Judiciário
Manaus registra 3 rebeliões em menos de 24 horas com 56 mortes e fuga de presos
Com reforma da Previdência, 4 milhões poderão ganhar menos que um salário mínimo
Rebelião no maior presídio do Amazonas termina com ao menos 50 mortos
“Você matou a mamãe”, disse filho do atirador de Campinas antes de ser também executado

“Estou preparado para morrer por meu ideal”: o legado de Madiba

Email
Tweet
Compartilhar


Postado em 07 Dec 2013
por : Diario do Centro do Mundo
Comments: 5
Madiba

Madiba

 

O artigo abaixo é de autoria de Washington Araújo, jornalista, escritor e professor universitário. Araújo mantém o blog Cidadão do Mundo.

Noventa e cinco anos de uma vida bem vivida – assim foi Madiba, nome do clã a que Nelson Mandela pertencia e o nome carinhoso com que sua tribo o chamava.

Madiba transbordou de uma individualidade a mais no luminoso continente africano para se transformar em um dos mais vigorosos apelos para sermos melhores seres humanos, melhores cidadãos, melhores amantes da fraternidade universal e mais apaixonados por ideais como liberdade e justiça.

Madiba entrou na prisão aos 46 anos, em 1964 e foi libertado aos 73 anos, em 1991. Pronunciou contundente discurso de defesa ante o tribunal que o sentenciara. Naquele último dia de liberdade que somente terminaria 27 anos depois, Madiba disse, punho para o alto, mão cerrada: “Eu lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu cultivei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. Este é um ideal que eu espero viver para alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”

A vida do cidadão do mundo Mandela é singular em diversos aspectos, não é linear, mas cheia de altos e baixos e é muito melhor descrita por tudo o que ele, mesmo podendo ser, decidiu solenemente não ser.

Madiba não buscou fama, mas a fama lhe chegou por sua integridade de alma.

Madiba nunca foi ríspido, grosseiro, descortês, petulante ou arrogante. Ao contrário, mostrou sempre ser uma pessoa afável, amena, e em seu rosto as imagens revelam um sorriso franco, sincero, amigo.

Madiba nunca levantou o braço para bater em outro ser humano, mulher então, nem pensar; idoso, também jamais, e muito menos deu demonstrações de desapreço e menosprezo para com aquela torrente de jornalistas que lhe perseguira nos últimos 30 anos de vida.

Madiba foi digno tanto em seus longos 27 anos de prisão quanto em seus anos como presidente da África do Sul – o poder não o deslumbrou, mas ele soube trazer dignidade ao poder a ponto de ao concluir seu mandato como chefe de Estado continuou sendo aquele que melhor personificava a alma de sua nação.

Madiba não obteve seu reconhecimento como líder autêntico de um povo e nem alcançou essa  condição de rara unanimidade devido à cor de sua pele. Não, Madiba não foi beneficiado com ações afirmativas e, ao contrário, muito sofreu os rigores do odioso racismo, as dores de uma brutal discriminação racial.

Madiba não era aquele tipo de personalidade que, semelhante à mariposa, está sempre em busca dos holofotes midiáticos, sempre pronto para falar de seus feitos, de suas vitórias, de suas conquistas, sejam para si, sejam para seu povo.

Não, Madiba é um dos  maiores ícones do século XX, a par com personalidades como Mahatma Gandhi e o reverendo Martin Luther King Jr.

Madiba não era vingativo e não consta qualquer gesto seu de agressão, e mesmo investido da Suprema Magistratura da África do Sul, não se conhece fato em que haja se empenhado para processar, julgar, condenar, prender seus algozes brancos, algozes também da inteira população de sua pátria, algozes que criaram um dos mais tenebrosos regimes de escravidão jamais registrados na história humana – o famigerado Apartheid.

Aquele regime em que bancos de praças públicas negros não podiam se sentar, ônibus e táxis que podiam ser utilizados apenas por brancos e proibidos para negros, escolas para brancos e fechada aos negros, bebedouros para brancos e assim por diante. Não, Madiba não era vingativo. E nem tripudiava contra aqueles que em algum momento foram por ele considerados como desafetos.

A Madiba vários direitos humanos fundamentais foram negados: não recebeu julgamento justo, continuou discriminado nos muitos anos como presidiário por ser negro, e até mesmo breves gestos de humanidade também lhe foram subtraídos, como a autorização para assistir aos funerais de sua mãe (1968) e depois o de seu filho mais velho (1969).

Em 1993, Madiba e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz, por seus esforços para trazer a paz ao país. E, desde aquele ano tomou a frente de uma série de articulações políticas que culminaram nas primeiras eleições democráticas e multirraciais do país em 27 de abril de 1994.

O CNA ganhou com 62% dos votos, enquanto o Partido Nacional teve 20%. Com o resultado, Madiba tornou-se o primeiro líder negro do país e também o mais velho, com 75 anos. E, dando vazão ao anseio reprimido por gerações de sul-africanos, sua gestão, iniciada em 10 de maio de 1994 foi marcada por políticas antiapartheid e reformas sociais.

Avesso a homenagens laudatórias, deve ter esboçado um sorriso encabulado ao saber em 2009 que a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas anunciou que o dia de seu aniversário seria celebrado em todo o mundo como o Dia Internacional de Mandela, uma iniciativa para estimular todos os cidadãos a dedicar 67 minutos a causas sociais – um minuto por ano que ele dedicou a lutar pela igualdade racial e ao fim do apartheid.

Madiba não foi um dos heróis do Pedro Bial em suas patéticas e onipresentes aparições no famigerado Big Brother Brasil.

Madiba não foi capa de revista de Johannesburgo, saudado como salvador da pátria e tendo como fundo a foto de um menino negro pobre e desvalido, destinada a angariar piegas homenagens e baratas emoções.

Madiba, longe de se vangloriar com tamanho reconhecimento mundial – virou até estatua em tamanho natural na Praça do Parlamento, em Londres, coração do imperialismo que ele tanto combateu ao longo de sua existência –, aproveitou sua vida para dignificar a vida dos sofridos, oprimidos e condenados da Terra.

E por isso Madiba permanecerá eterno nas melhores recordações de um tempo em que a presente Ordem mundial demonstrou estar lamentavelmente defeituosa, cheia de rachaduras e incompreensões quanto à verdadeira natureza humana e espiritual da espécie humana.

E quando algum dia décadas vindouras um injustiçado gritar o nome “Madiba!” diversas vozes ecoarão em sua consciência “Presente! Presente! Presente!”

 

Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.

Clique aqui e assine nosso canal no youtube

Sobre o Autor
  • google-share
Post anterior

Mandela, os mestiços e a África do Sul

Próximo post

Edward Snowden é a pessoa do ano para o DCM

Leia também

0

Tida como modelo, a Comissão da Verdade da África do Sul puniu pouco e fez muito barulho

Postado em 28 Apr 2014
, por Diario do Centro do Mundo
18

Mandela foi aplaudido por não ter feito o que gostaria de fazer

Postado em 15 Dec 2013
, por Paulo Nogueira
45

Obama versus Dilma nos tributos a Mandela

Postado em 11 Dec 2013
, por Paulo Nogueira
0

“Madiba sou eu”: uma entrevista exclusiva com o ator que interpreta Mandela em novo filme

Postado em 08 Dec 2013
, por Harold Von Kursk

Conheça as regras do debate

  1. “Mein Kampf”, de Hitler, é best seller na Alemanha de novo
  2. override-if-required

  3. A nova do prefeito de SP: Doria revê promessa de encerrar 2017 sem crianças na fila de creches
  4. override-if-required

  5. Bolsonaro negocia com Malafaia aliança para 2018
  6. override-if-required

  7. Reação à campanha “Gente Boa Também Mata” do governo federal é um desastre
  8. override-if-required

  9. Ex-mulher de atirador de Campinas registrou cinco boletins de ocorrência
  10. override-if-required

  11. Serrano: juiz que presos do AM chamaram para negociar é perseguido por parte do Judiciário
  12. override-if-required

  13. Manaus registra 3 rebeliões em menos de 24 horas com 56 mortes e fuga de presos
  14. override-if-required

  15. Com reforma da Previdência, 4 milhões poderão ganhar menos que um salário mínimo
  16. override-if-required

  17. Rebelião no maior presídio do Amazonas termina com ao menos 50 mortos
  18. override-if-required

  19. “Você matou a mamãe”, disse filho do atirador de Campinas antes de ser também executado
  20. override-if-required

  • Popular
  • Comments
  • Latest
  • Today Week Month All
  • 14 atitudes que as mulheres odeiam no sexo 14 atitudes que as mulheres odeiam no sexo
  • Nos bons tempos O perfil de Marco Archer por um jornalista que conversou com ele 4 dias na prisão
  • Ela Ao calar o Faustão, Marieta Severo deve ser a próxima global a receber ameaça de morte. Por Kiko Nogueira
  • Nos bons tempos O que podemos aprender sobre traição e violência com o caso de Fabíola? Por Nathalí Macedo
  • 14 atitudes que as mulheres odeiam no sexo 14 atitudes que as mulheres odeiam no sexo
  • Juiz de Manaus diz estar ameaçado de morte por facção por causa de matéria “covarde” do Estadão Juiz de Manaus diz estar ameaçado de morte por facção por causa de matéria “covarde” do Estadão
  • Ele Rombo nas contas enriquece os de sempre e paralisa o país. Por Márcio Pochman
  • O horror, o horror. E era um presídio administrado pela iniciativa privada O horror, o horror. E era um presídio administrado pela iniciativa privada
  • João Victor João Victor, 8 anos: a tragédia de um filho do ódio. Por Paulo Nogueira
  • Recado de Ano Novo aos minions providos de dois neurônios e raciocínio binário-programável. Por Eugênio Aragão Recado de Ano Novo aos minions providos de dois neurônios e raciocínio binário-programável. Por Eugênio Aragão
  • Today Week Month All
  • Sorry. No data yet.
Ajax spinner

Assine o DCM

  • Sobre o Diário
  • Expediente
  • Anuncie
  • Midia Kit
  • Panorama Mundial Internet
  • Fale Conosco