Gauguin e Temer

Gauguin se impôs uma espécie de exílio sexual

Pensei na jovem mulher de Michel Temer, Marcela,  ao atravessar hoje a Millennium Bridge com um vento gelado no rosto para ver Gauguin na Tate Modern.

É belo parar no meio da ponte e olhar para trás: você é arrebatado pela beleza deslumbrante da St Paul Cathedral.

Tinha visto e lido que Marcela é bonita, e quase meio século mais nova que o marido. Soube que com sua trança e a tatuagem com o nome do marido na nuca delicada ela roubou as atenções na posse de Dilma. Do ponto de vista estético, vista a turma do poder que entra e do poder que sai, não foi tão difícil assim.

A conexão que minha mente fez entre Gauguin e Temer é que ambos obedeceram a um imperativo masculino: procurar mulheres jovens na maturidade. Gauguin largou a França e foi para a Polinésia em busca de nativas pagãs que retratava e conhecia biblicamente.

Nosso Gauguin

Ele se impôs uma espécie de exílio sexual.  Convenhamos que era mais agradável o paraíso tropical, com sexo sem pecado, do que por exemplo a companhia atormentada de Van Gogh, que Gauguin teve durante um período conturbado. (Brigaram um dia e Van Gogh acabou arrancando a orelha com a faca com a qual ameaçara Gauguin.)

A festa sexual de Gauguin não terminou bem. Uma sífilis acabaria matando o grande pintor com pouco mais de 50 anos. Se não morresse, provavelmente seria preso. O paraíso de Gauguin era uma colônia francesa, e os administradores estavam lhe cobrando impostos que ele recusava pagar.

Homens maduros costumam procurar mulheres jovens por razões biológicas. Eles estão confrontados com a mortalidade, e vislumbram nelas uma chance mais de espalhar sua semente enquanto há tempo. Temer tem um filho pequeno com Marcela.

Para as mulheres há uma lógica em eventualmente casar com um marido mais velho. Ele pode remeter à figura paterna e, através dela, a um sentimento de segurança que não é tão fácil de encontrar em homens jovens.

Pode ser golpe do baú, claro. Mas não é necessariamente, ao contrário do que o pensamento convencional estabelece.

As pessoas costumam ver com inveja e raiva homens maduros com mulheres jovens. Um quadro de Gauguin toca exatamente nisso. São duas mulheres jovens e lânguidas. “Não fique com ciúme” é o nome do quadro. Gauguin prestava imensa atenção nos títulos de suas obras.

Um interpretação frequente entre os estudiosos é que ele não estava tratando de uma crise entre as duas beldades nativas por causa de algum homem. Gauguin estaria mandando um recado às pessoas que deixou para trás na França.

Não fiquem com inveja, mon amis.

É um recado bem humorado, espirituoso.

Mas em geral inútil.

A inveja, nestes casos, costuma triunfar estrepitosamente, como se viu na cobertura do casal Marcela e Michel Temer.