João Doria, de grande esperança branca da direita a cavalo de Tróia a destruir o PSDB. Por Kiko Nogueira

Alckmin, Doria, Zacarias e Kojak

Uma passagem da mitologia de Napoleão me é particularmente evocativa. Já citei aqui.

Um dia o Corso explicou a um amigo que havia quatro tipos de soldados.

“Os primeiros são os burros sem iniciativa. Esses eu coloco na infantaria. Há também os inteligentes com iniciativa. Esses são meus marechais de campo. O terceiro tipo são os inteligentes sem iniciativa. Esses eu transformo em generais”, disse.

O interlocutor, então, notou que faltava um grupo. “E os ignorantes com iniciativa?”, quis saber.

Napoleão respondeu sem pestanejar: “Esses eu fuzilo”.

O voluntarismo de João Doria é danoso para qualquer organização. Em sete meses de prefeitura de São Paulo, pouco fez para resolver os problemas para os quais, em tese, foi eleito: cuidar da cidade.

Inflado pelos fascistas do MBL e outros extremistas de arquibancada da direita, buscando o eleitorado de Bolsonaro, Doria transformou o destempero e a histeria em seu marketing.

Os ataques a Lula, uma fixação estranhíssima, são constrangedores pelo grau de infantilidade. Não convencem ninguém com mais de 12 anos. A destrutividade não demorou a causar problemas no ninho tucano.

Doria não se controla com Aécio Neves, o qual considera que deve sair imediatamente da presidência do PSDB. Provocou mais um racha numa agremiação cujo muro já está trincado por causa do casamento com Temer.

Tomou uma cacetada de Alberto Goldman, vice-presidente nacional da sigla. “Esse é um papel de alguém que precisa de forma obsessiva estar nas manchetes. Parece um papagaio falando”, disse Goldman.

Apanhou também do suplente de senador José Aníbal, chefe do Instituto Teotônio Vilela, para quem o alcaide é “desfocado”.

“A cidade está piorando, os buracos aumentando, os faróis estão quebrados, o capim aumentando e ele desconhece isso. Fica brigando com o Lula e nomeando gente na Executiva. Esse cara está delirando. Precisa focar na Prefeitura e mostrar resultado. Tem gente tão ou mais competente do que ele pensando no Brasil”, afirmou Aníbal.

Bate boca indiscriminadamente — a lista vai de FHC a pichadores, passando por foliões de Carnaval. Demitiu Soninha e filmou a humilhação. Posou com uma bandeira do Brasil depois da condenação de Lula para puxar o saco de Sérgio Moro.

Alckmin, que o inventou, vem mandando recados pela mídia. Segundo a Época, sua “paciência com as tentativas” do ex-pupilo de se lançar candidato à presidência está “perto do fim”.

Lauro Jardim, no Globo, conta que Lu Alckmin, primeira dama do estado, não aguenta mais o meninão.

A obra mais visível da gestão JD, até o momento, é a dispersão da cracolândia pelo centro paulistano na esteira de uma operação desastrosa com a PM, fruto de seu modelo “deixa comigo”.

É o que ele faz com o PSDB: tratorar, semear a discórdia e surgir com falsas soluções para problemas complexos — tudo em nome de uma ambição que não encontra respaldo numa auto alardeada competência de “gestor”.

É o que gostaria de fazer com o Brasil. Antes disso, porém, será abatido por seus próprios colegas golpistas em pleno vôo de urubu.