O barco que está sendo tratado como iate. Por Carlos Fernandes

A 'prova' do crime
A ‘prova’ do crime

Agora sim surgiu uma prova irrefutável. A de quanto os membros da justiça brasileira, com a ajuda da grande imprensa familiar, além dos idiotas úteis, é claro, estão desesperados para criar um único fato que seja que possibilite, mesmo que supostamente, a incriminação do ex-presidente Lula, de sua família, do PT e de quem mais for necessário para viabilizar uma candidatura PSDBista com mínimas chances em 2018.

A “bala de prata” da vez (já se foram muitas outras) é a “descoberta” de uma nota fiscal da compra de uma canoa em nome de dona Marisa por inacreditáveis R$ 4.126,00.

Esse é o valor de um simples jantar despretensioso que um Fernando Henrique Cardoso poderia pagar numa noite qualquer para tentar esquecer o melancólico lugar de desprezo e esquecimento que atualmente habita.

Mas isso não vem ao caso. Trata-se enfim de dar cabo a uma caçada inglória que já dura mais de duas décadas contra Lula cujos resultados não foram outros senão a sua ascensão ao patamar histórico de maior líder popular desse país.

É um verdadeiro vale-tudo. E na falta de elementos mais sólidos e consistentes que deem sustentação às suas acusações, querem fazer crer que o fato mais do que conhecido de que a família Silva freqüentava o sítio em Atibaia aliado com a compra de uma canoa desprezível se configure como um dos maiores crimes de corrupção do país. Muita paciência.

O problema na verdade é que, quanto mais os paladinos da justiça investigam, mais evidentes ficam as mentiras e suposições que são jogadas aos quatro cantos para interferir e manipular a opinião pública.

Tudo que descobriram de fato até agora é que o triplex, que poderia muito bem ser do ex-presidente, simplesmente não lhe pertence e que o luxuoso iate de milhões de reais que o “genial” Wanderlei Silva afirmou ser da família de Lula não passa de uma canoa mequetrefe que qualquer cidadão comum poderia adquirir.

Que pessoas mal intencionadas como o próprio Wanderlei se utilizem de mentiras e factóides para ludibriar mentes menos preparadas é até compreensível, faz parte da natureza dessa gente.

Mas que isso seja um expediente utilizado por membros da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça Federal e da grande imprensa nacional, esse sim é um verdadeiro caso de polícia.

Enquanto isso, os bilionários desvios dos magnatas envolvidos na operação Zelotes, sumidades como Eduardo Cunha e seus milhões na Suíça e os comprovados 30% desviados regularmente da merenda de crianças pelo governo de Geraldo Alckmin são sistematicamente esquecidos.

Ao que tudo indica, o que estamos presenciando nesse exato momento no Brasil nada mais é do que uma das maiores ofensivas já vistas nesse país contra o Estado Democrático de Direito e contra o verdadeiro combate à corrupção.

E o mais estarrecedor é que tudo isso está partindo justamente das instituições que deveriam assegurar o fiel cumprimento da Constituição.