O casamento de César Tralli e o narcisismo doentio que transforma jornalistas em subcelebridades. Por Kiko Nogueira

César Tralli e Ticiane Pinheiro estão casados

César Tralli é um resumo do que pode almejar um jornalista da Globo: virar mais um ex-BBB.

Tralli casa com quem quiser, quando e como quiser, evidentemente.

Mas fica para os anais da psiquiatria, do narcisismo e da cretinice a necessidade de transformar o próprio casamento com uma moça chamada Ticiane Pinheiro em manchete.

Além da imprensa de fofocas falando de cada bocó presente, o casal colocou tudo em suas redes sociais. A festa aconteceu num hotel em Campos do Jordão para 250 convidados.

Rafaela, a filha de Ticiane com Roberto Justus, seu primeiro marido, foi dama de honra. Entre os “famosos” estavam Rodrigo Bocardi (?!?), Márcio Canutto, Gloria Vanique, Ana Hickmann, Otávio Mesquita, César Filho, Sabrina Sato.

A cobertura da imprensa foi ampla. O G1, da Globo, destacou — atenção — “o clima intimista da festa”. É inacreditável.

O apresentador do SPTV não perdeu tempo: no dia seguinte, já postou no Instagram um vídeo em que ele e a noiva recebem os anéis da menina Rafaela em frente ao padre e ele cai no choro.

“Aguenta coração. É muito amor por essa daminha. E pela mãe dela, agora minha esposa. Enfim, casados”, escreveu na legenda.

É obrigatório soar como um idiota? É para agradar a “audiência”? A ideia é parecer uma novela ruim?

Onde é que esse pessoal está com a cabeça? Em que momento passou a ser normal e desejável tornar público cada aspecto de sua vida privada?

Ele vai colocar fotos da noite de núpcias no Facebook? Teremos detalhes do acordo pré-nupcial? A separação vai ser televisionada?

Um mestre, falecido, gostava de repetir que “jornalista não é notícia”. César Tralli é a falência do jornalismo.

Seu público não será capaz de lembrar de uma única matéria relevante que ele tenha feito, um furo que tenha dado, uma análise interessante.

Mas ninguém vai esquecer do casamento de Tralli com Ticiane, que ele fez questão de expôr em redes sociais histericamente, como um subproduto de A Fazenda — e que durou menos de seis meses.