O DCM é censurado em um dos maiores hospitais públicos de São Paulo. Por Kiko Nogueira

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O Hospital Pérola Byington, um dos mais importantes de São Paulo, referência no terreno de saúde da mulher, está censurando o Diário do Centro do Mundo em sua rede.

Nos computadores da instituição, o DCM está bloqueado. A mensagem que aparece na tela é “acesso negado”. Isso ocorre pelo menos desde maio.

O mesmo problema acontece com o Brasil 247 e o Tijolaço, entre outros. Sites como os da Folha, Estadão, Veja e G1 funcionam normalmente. (Na recepção, uma TV de 60 polegadas fica ligada na TV Globo.)

Não existe wifi. A internet é acessada pelos funcionários, que permitem, eventualmente, que pacientes e visitantes entrem. O Pérola tem 300 médicos e cerca de mil empregados atendendo, em média, 25 mil pessoas por mês. São 180 leitos.

Trata-se de uma inconstitucionalidade.

De acordo com o Artigo 5º da Constituição, XIV, “é assegurado a todos o acesso à informação”. O Artigo 220 fala que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”.

Ainda: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

O hospital tem algumas diretrizes para sua rede interna e é natural que seja assim. Não se permite a entrada no Facebook e no Twitter, por exemplo, ou de endereços que veiculem pornografia.

No caso das informações jornalísticas, porém, o critério é claramente arbitrário. Uma clínica particular pode fazer o que quiser nesse departamento. Uma hospital público não.

Não há uma explicação coerente para a censura. O DCM telefonou para o setor responsável na Secretaria de Saúde (na tela aparece  o email “intragov@saude.sp.gov.br”), que faz a gestão.

Ninguém soube dizer de quem ou de onde partiu a ordem. O diretor do Pérola se chama Luiz Henrique Gebrim. Está no cargo desde 2006 e é uma figura presente em eventos e convenções do PSDB.

“Esse pessoal faz democracia seletiva”, diz Janaína Luna, diretora da região central do sindicato dos trabalhadores da saúde.

O DCM ainda aguarda uma posição da assessoria de imprensa da secretaria.

 

 

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