O gesto inédito de dois clubes paranaenses contra a ditadura da Globo no futebol. Por Paulo Nogueira

Um não jogo talvez histórico
Um não jogo talvez histórico

Pode não ser muito. Pode ser pouco. Mas também pode ser um acontecimento extraordinário: saberemos com o correr dos dias.

É possível que este domingo tenha sido o marco zero do fim do domínio imperial, tirânico da Globo sobre o futebol brasileiro.

Atlético Paranaense e Coritiba decidiram enfrentar a Globo — e a federação local.

Os times recusaram o dinheiro que a Globo pagaria pela transmissão do jogo entre os dois, o clássico Atletiba.

Era uma “esmola”, segundo o diretor de um dos clubes.

Descartada a “esmola”, Atlético e Coritiba acertaram com o YouTube a transmissão do jogo.

A Justiça proibiu — o que nada surpreende dada a força da Globo.

Os times tiveram uma atitude com potencial revolucionário para o futebol: decidiram não jogar. Os jogadores entraram em campo, ouviram o hino, foram para suas posições — mas não tocaram na bola.

A torcida, segundo jornalistas presentes ao estádio, aliás cheio, aplaudiu e vaiou. Aplaudiu os jogadores, que se deram as mãos em círculo ao sair de campo. Vaiou a Globo.

Repito: pode não dar em nada. Mas pode ser um sinal de que a paciência dos clubes com a Globo tenha chegado ao fim.

Como em todos os negócios dos quais participa, a Globo lucra barbaramente com o futebol e os parceiros têm que se contentar com as sobras. Ou a “esmola”.

Basta ver a situação da Globo — seus donos estão entre os homens mais ricos do país — e compará-la com a penúria do futebol brasileiro.

No Twitter, a hashtag #atletiba fervia na noite deste domingo. A esmagadora maioria dos internautas elogiava entusiasmadamente a atitude dos times. “No Brasil nem a bola pode rolar se a Globo não deixar”, tuitou um dos internautas.

Os próximos capítulo do caso Atletiba prometem ser emocionantes.

Registro aqui minha torcida para que o desfecho, entre todas as possibilidades que alinhei no começo deste artigo, seja o fim da ditadura da Globo no futebol.

Basta.