O herói chinês

Lei lê para crianças: um herói que os chineses querem que seja devidamente apreciado nestes dias de enriquecimento veloz

 

O governo chinês está, neste momento, empenhado em promover um nome: o de Lei Feng. Mais precisamente, repromover.

Nos dias de Mao Tsetung, Lei foi um símbolo entre os chineses de modéstia, simplicidade, altruísmo, solidariedade – todas aquelas virtudes, enfim, que costumam sumir quando uma sociedade enriquece rapidamente como é o caso da China contemporânea.

Soldado, Lei morreu em 1962, aos 21 anos, num acidente, quando dirigia um caminhão do exército. Depois de sua morte, foi descoberto que ele mantinha um diário no qual registrava suas ações. Lei, por exemplo, sempre pedia que seu nome não fosse citado quando fazia algum tipo de caridade.

Os líderes chineses consideraram tão inspiradora sua conduta que decidiram transformar Lei numa referência para as pessoas. Na China, 5 de março é o dia conhecido como “Aprenda com Lei Feng”. Serviços comunitários são realizados neste dia – em praças, escolas etc.

Agora, cinquenta anos depois de sua morte, livros, filmes e eventos destacarão entre os chineses a figura de Lei Feng. Como escreveu um jornal chinês, num momento em que o dinheiro jorra e espalha riqueza e com ele ganância, é mais que oportuno sublinhar valores que possam servir de contrapartida à sociedade.

Clap, clap, clap.

Aplausos de pé. Não é por sorte que a China, uma civilização altamente desenvolvida que pelo seu caráter não militarista foi espoliada selvagemente pelas potências ocidentais e pelo vizinho Japão ao longo de cerca de 100 anos a partir de meados do século 19, não é à toa que a China, eu dizia, vai se tornando a maior potência do mundo.

Lei Feng é um exemplo não apenas para os chineses – mas para pessoas de todas as nacionalidades.