O novo ministro George Hilton é certeza de fortes emoções, mas não no esporte

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“Radialista, apresentador de televisão, teólogo e animador”.

Eis o currículo do novo ministro do esporte, George Hilton, segundo ele mesmo, no site oficial da Câmara dos Deputados.

Homônimo de um ator uruguaio que fez carreira no western spaghetti, Hilton é uma escolha que tem tudo para dar encrenca. Está na testa dele.

GH teria sido nomeado após o veto ao senador Marcelo Crivella, cuja indicação poderia ser vista como provocação ao governador do Rio, Pezão. GH foi a opção do PRB.

A afinidade de Hilton com a pasta é próxima de zero. Segundo seus assessores, ele está mergulhado nos assuntos do ministério, estudando loucamente. A um ano das Olimpíadas do Rio, é remota a possibilidade de George Hilton saber a diferença entre arremesso de martelo e pingue pongue.

Aldo Rebelo sabia? Não necessariamente. O critério deve ser o da competência como gestor, digamos. Mas fica mais patente do que nunca que para preencher uma vaga ninguém precisa ter o mínimo conhecimento do tema.

Pastor licenciado da Igreja Universal, Hilton aparece em vídeos no YouTube defendendo a família e denunciando a “política de desconstrução dos sexos”. Em 2005, foi pego pela Polícia Federal carregando 600 mil reais em caixotes no aeroporto da Pampulha. Acabou expulso do PFL. Imagine o PFL expulsando alguém por corrupção. O processo teria sido arquivado no STF.

“O PRB ganhou esse ministério pelo aumento de sua bancada. Tínhamos a Pesca, mas como o PRB não tinha nenhum deputado envolvido nessas coisas ai dessa operação Lava-jato, a presidente Dilma resolveu dar ao partido um ministério mais forte”, disse seu assessor.

Ele não declarou à Justiça Eleitoral a propriedade de uma empresa de transportes da qual é sócio com a mulher. A firma está registrada em Belo Horizonte e responde a um processo de execução fiscal. Após duas tentativas de penhora de bens para quitar a dívida, o juiz afirmou que o casal está em “local incerto e não sabido”.

Em 2012, GH candidatou-se a prefeito de Contagem, em Minas. Ficou em quarto lugar, com 15 mil votos no terceiro maior colégio eleitoral do estado. Perdeu a prefeitura, dois anos depois ganhou um presentão.

George Hilton nunca marcou um gol, mas é certeza de fortes emoções daqui por diante.