facebook
rss
twitter
youtube
  • DESTAQUES
    • Video do dia
  • POLÍTICA
  • BRASIL
  • MUNDO
  • MIDIA
  • COMPORTAMENTO
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • Especiais DCM
O ESSENCIAL
“Mein Kampf”, de Hitler, é best seller na Alemanha de novo
A nova do prefeito de SP: Doria revê promessa de encerrar 2017 sem crianças na fila de creches
Bolsonaro negocia com Malafaia aliança para 2018
Reação à campanha “Gente Boa Também Mata” do governo federal é um desastre
Ex-mulher de atirador de Campinas registrou cinco boletins de ocorrência
Serrano: juiz que presos do AM chamaram para negociar é perseguido por parte do Judiciário
Manaus registra 3 rebeliões em menos de 24 horas com 56 mortes e fuga de presos
Com reforma da Previdência, 4 milhões poderão ganhar menos que um salário mínimo
Rebelião no maior presídio do Amazonas termina com ao menos 50 mortos
“Você matou a mamãe”, disse filho do atirador de Campinas antes de ser também executado

Os Indignados de Cuba

Email
Tweet
Compartilhar


Postado em 11 Dec 2012
por : Fernando Ravsberg
Comments: 21

Não é fácil a vida dos consumidores cubanos. Eles não têm a quem apelar

Comércio em Havana

O artigo abaixo foi publicado originalmente na BBC Mundo.

Lourdes Machado é uma cubana de Santa Clara que gastou vinte dólares – o equivalente ao salário mensal – num par de sapatos que durou trinta dias. Ela reclamou na loja, mas a garantia era de apenas uma semana. Evidentemente, eles conhecem a qualidade dos produtos que vendem.

Indignada e sem ter a quem recorrer, ela escreveu a Pepe Alejandro, um defensor informal dos consumidores cubanos, e ele publicou a denúncia na revista “Juventude Rebelde”, à espera de que alguma autoridade desse uma satisfação.

Lourdes não é exceção, mas a regra. Em Cuba, há milhões de “indignados” que não produzem tumulto, porque andam dispersos pelas ruas – nos pontos de ônibus, nas repartições públicas, nos açougues, nos bares, nas casas de câmbio e nas lojas. Eles não têm a quem apelar em relação aos seus sapatos destruídos ou coisa do gênero.

Não há ninguém que devolva o dinheiro gasto, que processe as lojas por venderem produtos de baixa qualidade e aos importadores que gastam milhões comprando coisas ruins do exterior.

As comissões ilegais — propinas — que os importadores cubanos recebem dos fabricantes de sapato chegam a dezenas de milhares de dólares. Essas propinas definem em última instância as compras. Quanto maior a propina, menor é a qualidade do produto.

Aos importadores, nada afeta. Com o dinheiro extra que recebem, compram bens para eles mesmos no exterior, em suas viagens de negócios. Nunca vi um importador nem sua família usar sapatos que ele mesmo importa.

Isso ocorre em todas as partes. O supermercado mais caro de Havana vende as marcas mais baratas da Espanha a preços que fariam sonhar os mais ávidos especuladores e aplica de um dia para o outro aumentos que podem chegar a 30%.

Os supermercados de Havana cobram três, quatro, até cinco vezes mais do que os supermercados da Europa e, apesar dos lucros fabulosos, não oferecem um bom serviço à clientela: fecham antes do tempo e aumentam a qualquer momento o preço dos artigos.

Os donos sempre estão reunidos ou descansando. Porque “não podem estar o dia todo aqui”, nos explicam. Quando reclamamos de uma quebra, nos oferecem outro produto, para que nos calemos. E não nos dão possibilidade de fazer uma queixa.

Os indignados cubanos têm “voz”, mas de nada servirão seus protestos enquanto não houver um órgão que defenda os consumidores. A indignação do cidadão deveria se converter em um motor que coloque em movimento soluções.

O país pede, aos gritos, uma defesa do consumidor assim como, num nível maior, uma controladoria. Uma defesa de consumidores é importante em qualquer lugar do mundo, mas em Cuba é ainda mais, pois o Estado monopoliza o comércio interno. Para os corruptos, é muito fácil calar qualquer protesto politizando a queixa ainda que o problema seja simplesmente má qualidade e preço excessivo.

A defesa do consumidor mudaria radicalmente essa percepção porque é um instrumento do próprio Estado para proteger os cidadãos dos abusos dos lojistas. O governo deixaria de parecer como culpado e se projetaria como aliado das pessoas.

No começo, a Revolução Cubana proclamou ser dos humildes, para os humildes e pelos humildes. Os grandes beneficiados de uma defesa dos consumidores serão justamente os humildes, aqueles que devem gastar o mais eficientemente possível seu dinheiro escasso.

 

 

 

 

Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.

Clique aqui e assine nosso canal no youtube

Sobre o Autor
Fernando Ravsberg, jormalista uruguaio há vinte anos radicado em Havana, escreve regularmente para a BBC Mundo uma coluna chamada Cartas de Cuba.
  • google-share
Post anterior

Como o Brasil se situa no ranking mundial da corrupção

Próximo post

O massacre das crianças em Connecticut e o controle de armas

Leia também

0

Por que Temer quer matar os sites progressistas? Por Paulo Nogueira

Postado em 28 Dec 2016
, por Paulo Nogueira
0

Google assina acordo com governo cubano. Por José Eduardo Mendonça

Postado em 13 Dec 2016
, por José Eduardo Mendonça
0

“Fidel não fez a revolução da liberdade”, diz Leonardo Boff

Postado em 01 Dec 2016
, por Diario do Centro do Mundo
0

40 anos com Fidel. Por Fernando Morais

Postado em 29 Nov 2016
, por Diario do Centro do Mundo

Conheça as regras do debate

  1. “Mein Kampf”, de Hitler, é best seller na Alemanha de novo
  2. override-if-required

  3. A nova do prefeito de SP: Doria revê promessa de encerrar 2017 sem crianças na fila de creches
  4. override-if-required

  5. Bolsonaro negocia com Malafaia aliança para 2018
  6. override-if-required

  7. Reação à campanha “Gente Boa Também Mata” do governo federal é um desastre
  8. override-if-required

  9. Ex-mulher de atirador de Campinas registrou cinco boletins de ocorrência
  10. override-if-required

  11. Serrano: juiz que presos do AM chamaram para negociar é perseguido por parte do Judiciário
  12. override-if-required

  13. Manaus registra 3 rebeliões em menos de 24 horas com 56 mortes e fuga de presos
  14. override-if-required

  15. Com reforma da Previdência, 4 milhões poderão ganhar menos que um salário mínimo
  16. override-if-required

  17. Rebelião no maior presídio do Amazonas termina com ao menos 50 mortos
  18. override-if-required

  19. “Você matou a mamãe”, disse filho do atirador de Campinas antes de ser também executado
  20. override-if-required

  • Sobre o Diário
  • Expediente
  • Anuncie
  • Midia Kit
  • Panorama Mundial Internet
  • Fale Conosco