Ou a Globo demite Waack ou vira cúmplice do racismo de um dos jornalistas mais detestados do Brasil. Por Kiko Nogueira

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A Globo está numa sinuca de bico com o vídeo em que William Waack, em frente à Casa Branca, impaciente com as buzinadas que invadiam o estúdio, comenta no ouvido de Paulo Sotero, diretor do Wilson Center — centro de estudos de geopolítica:

“Tá buzinando por quê, seu merda do cacete? Não vou nem falar, porque eu sei quem é… é preto. É coisa de preto. Com certeza”.

O desfecho mais óbvio é fazer Waack ajoelhar no milho e pedir desculpas. Em seguida, demiti-lo. Vale uma suspensão. Mas tudo é possível ali. 

Provavelmente, uma sindicância será instaurada para saber como as imagens vazaram e quem vazou. A transmissão é do ano passado, na cobertura das eleições americanas, e será difícil achar o autor.

A “piada” de WW, que deixou seu interlocutor constrangido, é típica do sujeito que fala isso toda hora. Aquela sordidez foi apenas uma que foi ao ar.

O episódio deixa evidente que Waack não é detestado apenas fora da emissora — a raiva que guardam dele também está no coração de seus colegas.

Quem vazou sabia o que fazia e lavou a alma de milhares de pessoas.

A reação da internet, pedindo sua cabeça, mostra o tamanho do ódio a ele. Ódio kármico.

Waack tornou-se um monstro ao longo do processo de impeachment de Dilma. A arrogância, o rancor que demonstrava o colocaram no padrão de um Jabor.

Dilma era “insignificante e cúmplice de ditaduras”. Liderava o “bloco do fracasso”.

Na GloboNews, dedicou um programa inteiro a uma declaração que Dilma não deu, a de que “as forças ocidentais deveriam dialogar com o Estado Islâmico”.

Num rompante, ao vivo, se exaltou: “manda ela calar a boca”. Ela e Lula eram “mentirosos”. Suas diatribes foram reproduzidas orgiasticamente pelo MBL num canal canalha no YouTube.

Mas com Dilma podia.

Como vão ficar seus pingue pongues com Eraldo Pereira? Imaginemos que Eraldo, num surto, cravasse: “É coisa de judeu”. E então?

A situação fica ainda mais patética diante do best seller “Não Somos Racistas”, de seu chefe Ali Kamel, uma tese alucinada jogada no lixo por uma das estrelas da casa.

Ex-companheiros de Waack relatam que ele não era assim. Virou um kataguiri com o antipetismo cafajeste e deram-lhe corda — até ele se enforcar.

Como diz o jornalista Palmério Dória, a máscara mortuária de Waack está mais exposta do que nunca. Faltava ser enterrada.