Patrícia Lélis prova que só o feminismo tira o Bolsonaro das pessoas. Por Nathalí Macedo

Patrícia Lélis

Você tem cinco minutinhos para ouvir a palavra de Simone de Beauvoir?

Só o feminismo salva. Se você não acredita, leia o post do Eduardo Bolsonaro sobre sua ex namorada.

Havia uma mulher, escreveu ele, que antes do feminismo andava com roupas discretas, não rebolava e era sua namorada.

Que tédio.

Depois do feminismo, ela vai pra a balada LGBT com um médico cubano e usa uns looks descolados e nada discretos porque afinal o corpo é dela e discrição é tão somente uma escolha e rebola a raba até o chão, assim como eu, você e todas nós.

Queria dar um abraço nessa mulher, pensei, e descobri que a mulher em questão é Patrícia Lélis, que entrevistei em Brasília no ano passado. A mesma que era membro do PSC Jovem e foi vítima do pastor-deputado-estuprador e agora – que evolução, hein, miga – é feminista e deixou a vida cristã (que, para as mulheres, convenhamos, nunca foi fácil).

Para a satisfação da minha alma feminista, já dei mais que um abraço nela, e, na ocasião, ela me contou que era difícil conversar com o filhote de Bolsonaro porque ele fala muita bobagem. Te entendo, querida.

E começo a entender a (des) importância da figura masculina na vida de uma mulher quando ela, que antes jantava com o sogrinho Bolsonaro – imagina jantar com o Jair Bolsonaro sendo ele o seu sogro – agora frequenta boates LGBT.

É pra glorificar de pé.

O empoderamento de Patrícia – que infelizmente partiu de um escândalo sexual – é a prova de que só o feminismo livra o Bolsonaro e o silenciamento cristão das pessoas.

De crente direitista a feminista esquerdosa em dois palitos, ela postou uma foto e um textão no Instagram em resposta à indireta do ex (quem nunca, né): “Escolhi ser forte e resiliente perante qualquer situação.”

Plena.

Se isso não é uma história com final feliz, eu não sei o que é uma história com final feliz. Grande coisa a Cinderela, que ganhou um príncipe no final: a gente quer mesmo é ganhar uns amigos viados e um pouquinho de consciência política.