Pesquisa com Lula em Alagoas e influência de Cunha estão por trás do rompimento de Renan com Temer. Por Roberto de Martin

"Vai indo que eu não vou"
“Vai indo que eu não vou”

POR ROBERTO DE MARTIN

 

Uma reunião ocorrida na última terça-feira (28) em Brasília, com 11 dos 22 senadores que compõem a bancada do PMDB no Senado, escancarou de vez a guerra de Renan Calheiros com Michel Temer.

Em rota de colisão com o governo federal, Renan está insatisfeito com a influência que Eduardo Cunha, de dentro da prisão, tem exercido sobre os companheiros que ficaram livres das grades.

Depois de denunciar a escolha de Osmar Serraglio para o Ministério da Justiça como fruto de uma chantagem de Cunha, que ameaça denunciar Temer e sua cúpula caso não seja ouvido em suas “indicações”, Renan assinou uma carta-manifesto, juntamente com oito peemedebistas, contra o projeto de terceirização aprovado pela Câmara e na fila para a sanção presidencial.

Além da falta de diálogo com Temer, há um outro elemento: uma pesquisa realizada em Alagoas, contratada por sua equipe, mostrando o ex-presidente Lula em primeiro lugar disparado em todos os cenários da disputa.

O levantamento foi encomendado depois que Renan ouviu da imprensa local que estava perdendo popularidade entre os alagoanos.

Vale lembrar que o filho dele é o atual governador, o que aumenta sua responsabilidade com a satisfação de seu eleitorado. 

Renan acredita, segundo interlocutores, que se Lula for candidato, será um “passeio” contra seus adversários. E é melhor estar ao seu lado.

Próximo do ex-presidente petista, ele prepara um afastamento da impopularidade contagiosa de Michel Temer.

Buscando reconquistar Renan, MT ofereceu-lhe um ministério em troca do apoio ao projeto que terceiriza até as atividades-fim de uma empresa.

Renan avalia, por ora, que não faz sentido aceitar cargo em troca de um projeto prejudicial às suas pretensões para 2018, quando deve ser candidato ao Senado novamente — se não cair na malha da Lava Jato.

Ele contou ter conversado na quarta-feira com Eliseu Padilha e Moreira Franco. “Eu não quero participar do governo, não quero indicar ninguém no governo e hoje, como líder da bancada, diante dessa insatisfação que é generalizada, mais do que nunca”, declarou.

Seu último movimento foi um vídeo publicado em suas redes sociais, criticando o “corte de investimentos públicos, reoneração da folha e aumento de impostos” e acusando que “tudo isso junto só vai drenar as energias de uma economia que não consegue se levantar”.

De onde veio isso, tem mais.