Por que a Globo quer tanto que você conheça o pet de Dony de Nuccio, espécie de Anitta do jornalismo. Por Donato

Dony de Nuccio e Rocky

O jornalismo televisivo está cada vez mais dependente das celebridades. E não se está aqui a dizer que os telejornais estão à procura de notícias sobre o Justin Bieber ou Anitta. É o contrário.

Popularíssimo nas redes sociais, Evaristo Costa tinha 1.130.000 seguidores no Twitter. Sua saída do Jornal Hoje da Rede Globo provocou uma questão na diretoria. 

Era preciso arrumar alguém que tivesse esse novo perfil ‘celebridade’, que se expõe na internet de modo escancarado para angariar seguidores e, consequentemente, audiência.

Quantos não assistiam ao jornal vespertino apenas por achar Evaristo gato?

Para dividir a bancada com Sandra Annenberg seria necessário um clone do apresentador saído. Dony De Nuccio era o cara. Rostinho de bom moço, bombado, sempre de roupas justas realçando o bíceps, já um sucesso em redes sociais (seu Instagram é bastante popular devido às fotos de seu cachorro, um golden retriever chamado Rocky).

Dony De Nuccio não atende apenas ao perfil ‘celebrity’ e à desinibição do ridículo. Ele também está mais que alinhado com o discurso da emissora apoiadora de medidas como a reforma trabalhista.

Num país em que trabalhadores terão seus direitos surrupiados e praticamente todos precisarão se tornar uma pessoa jurídica terceirizada, lançados à própria sorte, Dony é autor de um livro de auto-ajuda chamado ‘Nasce um empreendedor’.

“Um livro imperdível para a futura geração de empresários do país!”, é o que consta em sua apresentação. Uma geração que terá sido obrigada a tornar-se empreendedora não por opção.

De Nuccio, é bom lembrar, nunca empreendeu na vida. É empregado. 

Com ‘dicas e depoimentos imperdíveis para quem quer se aventurar nesse universo tão desafiador e fascinante’, ele faz raciocínios como “aos olhos do empreendedor, crise é oportunidade”. Você já não ouviu isso em algum lugar?

Independentemente da especialização em economia de Dony de Nuccio, essa nova função atribuída aos apresentadores de telejornais das grandes emissoras parece um caminho sem volta.

Quem não estiver disposto a ter sua intimidade preservada terá maiores dificuldades para se sentar em uma bancada em frente às câmeras.

É um tal de dar “Bom dia”, postar fotinhos com os pets, com os filhos (já teve jornalista compartilhando a reação do filho quando a viu na telinha), foto mordendo o crachá, tudo em busca de curtidas.

Uma interação com o seguidor/telespectador que será benéfica para o empregador que irá herdar os resultados desse ‘aliciamento’. Uma interação que seria de fato benéfica para todos se suportada pela empresa, com pautas que induzissem a um debate mais elevado do que saber se o jornalista está com um novo penteado ou se casou com Joesley Batista trajando um vestido de 180 mil euros.

Tudo com a conivências das editorias de celebridades dos concorrentes da Globo, que cobrem as aventuras de De Nucio como se se tratasse de Anitta.

É bem provável que, se ela trocar de lugar com Dony de Nuccio, ninguém vai notar.