Por que demorou tanto para o Brasil reconhecer a maconha como planta medicinal? Por Nathalí Macedo

Moraes erradicando a maconha na América do Sul

A onda de conservadorismo que vem se alastrando vertiginosamente pelo Brasil não parece capaz de deter – ao menos não tão facilmente – as tendências libertárias observadas na América Latina como um todo, especialmente considerado o não tão recente movimento decolonial – aquele que possibilitou que intelectuais latino-americanos fossem lidos e ouvidos, pela primeira vez satisfatoriamente, no mundo inteiro.

Apesar dos Bolsonaros, Felicianos e da bancada evangélica que ataca minorias – maconheiros, inclusive – com tanques de guerra movidos a fé, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de incluir a cannabis sativa na lista de plantas medicinais.

Nada surpreendente. Países como os EUA e o Canadá já haviam dado esse passo. No Chile e no Uruguai, a maconha é completamente legalizada. O movimento de legalização das drogas é eminente no mundo inteiro, quer queira o Brasil conservador pós-golpe, quer não.

No Brasil, aliás –  de raízes coloniais e formação racista – a proibição serve de pretexto para o genocídio do povo negro por parte da polícia e para a famigerada criminalização da pobreza.

Um dia minha mãe, conservadora e do interior, falando sobre maconha, me disse que temia por mim porque a polícia é violenta com as pessoas que se drogam.

“Não, mãe, a polícia é violenta com as pessoas que são pretas. Eu não sou preta. Logo, durma tranquila.”

Então eu escrevo esta coluna sobre maconha também porque quero fumar um baseado na praia em paz, mas principalmente porque quero que meus amigos negros possam fumar um baseado na praia em paz e sobretudo que possam viver em paz.

 Porque não quero viver em um país em guerra contra as drogas, dominado pelo tráfico e por suas consequências nocivas, porque não quero ver mães perdendo seus filhos pretos para o sistema porque vendem a maconha que eu fumo pra escrever uma coluna sobre maconha.

Legalize.