Quanto custou o jabá que Doria fez dos produtos de um amigo em reunião com secretários? Por Kiko Nogueira

 

 

Segundo o novo normal brasileiro, é perfeitamente aceitável, recomendável até, que um prefeito faça “merchan” de uma marca de farmacêuticos durante uma reunião com seu estafe.

O vídeo foi postado nas redes da prefeitura de São Paulo e nas do empresário.

Com toda a equipe reunida em torno de uma grande mesa, na sede no Viaduto do Chá, João Doria pega os frascos de produtos de Sidney Oliveira e diz: “Hoje nós temos a quarta reunião com nosso secretariado. Estou dando uma dose de vitaminas para eles”.

Em seguida, faz aquele sinal estúpido com as mãos, um V na horizontal que se assemelha a uma mistura de cumprimento maçom com o código dos donos de bugue que traficam maconha em Jericoacoara.

O “gestor” faz jabá na maior, como se não houvesse amanhã.

No final, seu vice Bruno Covas, com seu sorriso invencível de Fofão da vida real, levanta e balança o dedão. Só falta o “eu recomendo”.

Milton Friedman lembrava que não existe almoço grátis. Quanto custou a brincadeira?

Há semanas, a companhia de João Doria, Lide, pediu dinheiro a empresários para bancar um almoço com ele. Por 50 mil reais, o sujeito sentava em sua mesa. Doria recuou a contragosto diante da repercussão.

Oliveira é dono da rede Ultrafarma e amigão do prefeito. De acordo com a Veja, deu um cheque de 600 mil reais para comprar “medicamentos populares”.

Cedo ou tarde, ficaremos sabendo o que ganhou em troca. O merchandising de Doria é a parte visível e mais vexatória da transação.