Quem é Marlos Melek, o homem que vendeu sua empresa para ser juiz e virar o pai da reforma trabalhista

Marlos Melek

A Reforma Trabalhista — chamada pela senadora Regina Sousa de “indecente” — tem um “pai” e ele se chama Marlos Melek.

Ele é mais um presente do Paraná para o Brasil. Um perfil do juiz do Trabalho na Gazeta do Povo é revelador.

Segundo nos informa o jornal, Melek passou “mais de 14 horas na Câmara, em abril, outras sete horas no Senado, na semana passada, até finalmente a bola da reforma trabalhista tocar duas vezes o campo adversário e ser aprovada. Isso sem contar os meses de infindáveis discussões, protestos e muita pressão”.

Marlos é tenista e se compara ao sérvio Novak Djokovic. “Meu estilo é totalmente Djokovic. Ele é pé no chão, faz um jogo com mais cabeça e menos força. Não é pancada. Minha estratégia muitas vezes é desmontar o adversário, devolver tudo. Uma hora o cara pensa: ‘pô, não tem mais o que fazer’. Ganho o jogo no cansaço”, diz.

Nasceu em Itajaí (SC), tem 42 anos e no primeiro ano de vida mudou-se para Curitiba. Fez parte da pequena equipe de cinco pessoas que redigiu a legislação, a comissão de redação.

Melek “conhece bem as falhas da CLT”. Está há doze anos julgando ações em sua área.

Foi empresário. “Comecei a trabalhar aos 14 anos, numa tornearia mecânica no Boqueirão. Depois, trabalhei em veículos de comunicação. Pegava ônibus, tive carteira assinada por muitos anos”, diz.

“Só então abri uma empresa de cosméticos (a Ramelk), que começou pequena, mas teve franquias e filiais no Brasil todo. Aí passei a ter o prazer de assinar milhares de carteiras de trabalho”, conta.

Perto dos 30, vendeu a companhia e foi para o Judiciário. Escreveu um livro chamado “Trabalhista! E Agora?” O “sucesso” de vendas chamou a atenção da Casa Civil, que articulava a reforma.

Ele é ex-repórter de rádio e apresentador de tevê. Toca bateria em sua casa no bairro de Santa Felicidade, na capital paranaense. O pai é dono de indústria química, a mãe, dona de casa.

Gosta de pilotar um ultraleve de pouco menos de meia tonelada. “Precisamos de mais aviadores no Brasil”, acredita. Ele faz contas para justificar o mimo de bacana. “Viajar assim é mais barato que de carro”.

Voando pelo Brasil realizou mais de 80 palestras nos últimos meses. “A história nos julgará. Dentro de um tempo vamos ver se isso funcionou ou não funcionou. Se nós queremos saber se isso vai gerar mais empregos ou não, não temos que perguntar aos burocratas de Brasília, e não estou me referindo a ninguém, mas temos que perguntar a quem tem a caneta na mão e assina as carteiras de trabalho”, diz.

O que a matéria não conta é que Melek se afastou para fazer a assessoria direta do presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho.

Numa entrevista recente à Folha, Gandra afirmou que “não é possível dar a uma pessoa que recebia um salário mínimo o mesmo tratamento, no pagamento por dano moral, que dou para quem recebe salário de R$ 50 mil. É como se o fulano tivesse ganhado na loteria.”

A obra literária de Melek rendeu, mas suscitou polêmica por conta de seu sexismo. Ele advoga que “a utilização de roupas muito curtas ou apertadas [pelas mulheres] é um fator que tem sido levado em consideração para aplicação de penalidades”.

Indignados, centenas de juízes assinaram um manifesto em protesto contra o conteúdo.