Se Marina está preocupada com o “confronto”, por que instiga o golpe? Por Kiko Nogueira

Pois é
Pois é

 

É um mistério religioso se Marina Silva deixará de ser, algum dia, a mistura de ressentimento, fanatismo e oportunismo em que se tornou.

Em evento da Rede, a ex-ministra de Lula culpou o PT por “fazer apologia do conflito, do confronto, para se defender de acusações”.

Segundo ela, “o povo brasileiro merece ser reparado por erros do governo”. A Justiça deve ser vista como “reparação” e não como “vingança” e ninguém está acima da Lei. “Não é hora de deslegitimar as investigações”.

Não é novidade que Marina apoia a cassação da chapa Dilma e Temer, para ela “duas faces da mesma moeda”. No final do discurso, saiu do armário: “Eu não entendo por que com tanta violência projetaram em mim que se eu ganhasse as eleições, eu seria cassada por falta de apoio no Congresso, eu iria tirar o emprego das pessoas, a comida, o estudo das pessoas. Agora eu entendo.”

Em sua sede de vingança, Marina, como sempre no papel de vítima, um clássico do passivo agressivo, aprova uma operação arbitrária, passa mel numa condução coercitiva, pisca para homens fardados com metralhadora e tira o golpe para dançar.

É uma inversão fabulosa. Como disse o ministro Marco Aurélio Mello: e quando o chicote mudar de mãos? E quando for ela, Marina, acordada às 6 da manhã por policiais federais e levada para uma conversa amigável com o acompanhamento de helicópteros de televisão?

Nos anos 70, um Carlos Lacerda arrependido de apoiar os militares em 64, amargurado depois de cassado, disse o seguinte: “Não gosto de política… gosto é do poder. Política para mim é um meio para chegar ao poder”. Deu no que deu.

Marina se junta a homens públicos guiados por propósitos escusos. Em 2018, se a Constituição for respeitada, haverá novas eleições. Por que ela não espera e concorre? Como Aécio, trata-se de alguém que perdeu em 2014, não se conforma com o resultado, pega uma carona numa mídia amiga e tenta cortar caminho.

No papel virginal, o coque cada vez mais opressivo, ela sabe que, se falar qualquer coisa diferente — se pedir, por exemplo, calma nesse momento delicado —, não vira manchete.

Se alguém se declara realmente preocupado com o confronto, por que prega a instabilidade? Se alguém está realmente preocupado, por que apela para a retórica canalha de expressões como “é preciso reunificar o Brasil” e “estamos num poço sem fundo”?

A busca do atalho sairá cara a Marina, como a seus amigos de ocasião. Serão julgados pela história — e bem antes do tribunal do Deus vingador em que ela diz acreditar.