Sopesados seus defeitos, Luciano Huck consegue ser ainda pior do que Jair Bolsonaro. Por Carlos Fernandes

 

”Luciano Huck precisa ser revelado para além de suas latas velhas e suas morenas a rebolarem seminuas no seu programa”.

 

Do intrincado universo de bizarrices surgidos após o desmantelamento da democracia brasileira, poucas coisas são mais ignomínias do que o que sobrou de seus autores para serem oferecidos como “solução” para o caos criado.

É curioso, e de certa forma revelador, que no sofisticado esquema internacional e multi-institucional que se formou para depor uma presidenta legítima e honesta, não tenham tido a menor preocupação de postular alguém com capacidades intelectuais mínimas para dar cabo ao projeto de poder que, por vias democráticas, há quatro eleições consecutivas é simplesmente rejeitado.

Michel Temer, o beneficiário primeiro do golpe, é o que tem se mostrado: o mais odiado e incompetente presidente já visto na história republicana desse país.

DEM e PSDB, partidos ícones da antidemocracia e campeões incontestes nos escândalos de corrupção, patinam miseravelmente no mar de lama cujos baluartes como FHC, Aécio, Alckmin e Serra tanto se banharam.

Os rameiros do chamado “centrão” e os nanicos que só existem em função do fundo partidário, esses sequer fazem questão de aparecer. Na prática da rapina, há sempre os que preferem a escuridão.

Contabilizada as perdas, o que sobrou da escumalha com alguma chance de pelo menos disputar um segundo turno com Lula, o líder isolado em todas as pesquisas, são justamente os que deveriam representar a escolha derradeira dos desesperados.

De um lado, ninguém menos do que Jair Messias Bolsonaro, a síntese acabada da ignorância, da perversão e da intolerância.

Civilizações ancestrais teriam náuseas de cogitar alguém com tamanho despreparo para ser o seu líder.

A entrevista que o iluminado concedeu à Folha de São Paulo entrará para a história desse país como uma das mais grotescas demonstrações de incivilidade, estupidez, brutalidade, deselegância e inurbanidade já proferidas por alguém com pretensões a ocupar o cargo maior de uma nação.

Não fossem desprovidos da mais limiar noção de decência, seus seguidores estariam acometidos por uma sensação desconcertante bastante parecida com vergonha.

Em contrapartida, eis que surgiu direto das instalações Globo, um mercenário que ganha a vida fazendo da pobreza alheia o seu trampolim para a autopromoção.

Com a vantagem descomunal de estar a serviço de uma das maiores máquinas de manipulação e idiotização de massas do mundo, Luciano Huck ainda pode dizer que possui pelo menos o discernimento de não demonstrar em praça pública o mal que provocará caso seja eleito.

Uma personagem mal-acabada como Huck na presidência da República seria uma novela tão desastrosa que faria com que o próprio Aguinaldo Silva conseguisse enxergar alguma relevância na sua produção insignificante.

Desastrosa, deixemos claro, para todos aqueles que não pertencem a malfazeja família Marinho.

E está aí, nesse ponto, o que torna Luciano Huck um candidato mais danoso para o Brasil do que Jair Bolsonaro.

Bolso é um idiota completo. Um sujeito incapaz de compreender a complexidade do próprio cargo que pleiteia. O coitado simplesmente não possui as condições pessoais mínimas necessárias para ser um Chefe de Estado e tudo o que isso incorre.

Ainda mais tolo do que Fernando Collor, não seria problema algum para o establishment se desfazer dele como o imprestável que é.

Já Luciano Huck sabe exatamente o que teria que fazer uma vez na presidência da República: defender caninamente os interesses de seus patrões.

Imaginar um país sendo conduzido, sem intermediários, pelos herdeiros de Roberto Marinho, é um destino que esse país jamais deveria se submeter.

Luciano Huck precisa ser revelado para além de suas latas velhas e suas morenas a rebolarem seminuas no seu programa.

Para a desmoralização última da política, já basta que tenhamos um candidato à presidência que pensa que Manaus está localizado no Nordeste.

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Carlos Fernandes

Economista com MBA na PUC-Rio, Carlos Fernandes trabalha na direção geral de uma das maiores instituições financeiras da América Latina