Vídeo do DCM sobre o helicóptero dos Perrellas apreendido com cocaína é retirado do YouTube

O flagrante
O helicóptero

 

O vídeo “Helicoca – o helicóptero de 50 milhões de reais”, produzido pelo DCM a partir de um projeto de crowdfunding, foi retirado do ar pelo YouTube.

Ele estava com mais de 130 mil visualizações. É a história de uma das maiores apreensões de droga do Brasil. Quase meia tonelada de pasta base de coca foi encontrada pela Polícia Federal no Espírito Santo na aeronave da família Perrella.

Os Perrellas são velhos aliados de Aécio Neves em Minas Gerais. O repórter Joaquim de Carvalho esteve em três estados, entrevistou policiais, suspeitos, advogados e juízes para esmiuçar o caso.

Na última terça-feira, recebemos um alerta, vindo de leitores, de que o “Helicoca” não estava mais disponível.

Na tela, aparece o aviso de que foi uma “reivindicação de direitos autorais”. O nome de quem teria feito a “denúncia” é Jorge Scalvini.

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Nós procuramos saber quem é Scalvini. Seu email é zerobeta000@gmail.com. Enviamos uma mensagem nesse endereço. Não obtivemos resposta.

Tudo indica que se trata de um perfil fake. Scalvini possui uma conta no Twitter, aberta em 2012, sem nenhuma postagem. Seu perfil no Facebook é vazio, com curtidas em páginas como as da “TV Revolta”, “Mensaleiros na Cadeia” e “Chega de Corrupção”.

Há também uma conta no YouTube com seu nome. A última movimentação foi há três meses. Está inscrito em canais como os da TV Cultura, Roda Viva, Romário, TV Senado, PT e PSDB. Para que o YouTube retire um vídeo do ar, é preciso que o denunciante preencha uma ficha. Ou seja, existe alguém — ou um grupo — por trás disso.

Há um mês, recebemos uma notificação judicial para que três matérias relativas ao escândalo fossem removidas do site. Estamos recorrendo na Justiça.

No dia em que houve a remoção, o jornalista Bruno Paes Manso publicou um artigo em seu blog no Estadão sobre o “Helicoca”.

O DCM tomará as providências legais cabíveis para garantir a nossa liberdade de expressão e a você o direito de se manter informado. Entramos em contato com o YouTube, que promete uma resposta em até dez dias. É um procedimento absurdo: para evitar processos por copyright, o YouTube acata denúncias sem apurar se são verdadeiras.

Enquanto isso, assista o documentário no canal abaixo.