Zuckerberg, Femen não é pornografia

O erro do Facebook ao censurar as fotos dos seios das feministas.

Uma das fotos retocadas do Facebook francês
Uma das fotos retocadas do Facebook francês

Volta e meia o Facebook mostra uma face fundamentalista preocupante.

Sob o pretexto de violação às regras da rede social, as duas páginas oficiais do grupo feminista Femen foram bloqueadas.

“Nós temos uma política muito clara sobre nudez – disse Linda Griffin, gerente do Facebook – e as páginas em questão receberam vários avisos de que o conteúdo violava as nossas regras.” O texto no site diz: “A nudez é vedada pelas políticas da rede social, salvo exceções como fotos de uma escultura (…) ou fotos familiares de amamentação de crianças”.

Furiosas com a censura que impedia que seus mais de 170 mil seguidores tivessem acesso às informações do grupo, as ativistas imediatamente arrancaram as roupas e gritaram: “Zuckerberg, a Femen não é pornografia!”

Alexandra Shevchenko, uma das fundadoras do grupo feminista, declarou ao jornal ucraniano online Ukrainska Pravda que por trás da medida havia “acusações absurdas de publicação de material pornográfico e promoção da prostituição.” Em nota, o grupo argumentou ainda que era evidente “a continuação de uma guerra na internet lançada contra o Femen por vários grupos reacionários.”

Três ativistas do Femen permanecem presas na Tunísia por ofensas morais e desordem pública após protestos pela liberdade da ativista Amina Tyler.

Não é a primeira vez que a rede social de Zuckerberg decide bloquear perfis de ativistas que usam imagens do corpo feminino. Não faz tanto tempo, o Facebook excluiu algumas fotos de mastectomias, cuja tarefa era despertar a consciência sobre o câncer de mama. Mulheres que lutam contra a doença mostrando os seios (ou onde deveria haver) foram “denunciadas”.

Esse viés puritano é recheado de cinismo, sobretudo diante da situação ainda mal explicada do envolvimento da companhia no escândalo de ajuda à espionagem do governo dos EUA.

O governo Obama admitiu que monitora dados de internet de civis por meio de um programa chamado Prisma sob a justificativa de combater o terrorismo.

Mark Zuckerberg negou, disse que essas insinuações por parte da mídia eram “ultrajantes” e que nunca soube de alguma transferência de dados de seus usuários ao governo americano (o “Guardian” e o “Washington Post” citaram ainda o Google, a Microsoft e a Apple).

Depois de escândalos e topless, a página do FemenFrance voltou ao ar com os mamilos borrados por Photoshop. Só os mamilos.

O que se pode depreender daí? Esse moralismo do Facebook é exercido por máquinas irracionais ou intencionalmente submisso?

A foto das garotas “sem bico” é como uma foto de um camarada totalmente pelado apenas com a cabeça do pênis desfocada. Uma visão doentia do que é pornográfico, o que é sexual e o que é político.

São de imaginar as discussões intermináveis para decidir qual parte do pênis borrariam na hipótese de ser um circuncidado.