Crowdfunding: o DCM vai cobrir o julgamento de Lula em Porto Alegre e conta com você

NOSSO NOVO PROJETO DE CROWDFUNDING. ACESSE AQUI

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região marcou para 24 de janeiro de 2018 o julgamento do recurso de Lula contra a condenação por Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá, decorrente da Lava Jato.

O desfecho do recurso pode tornar inelegível o ex-presidente, líder das pesquisas eleitorais. Além de ficar passível de ter a candidatura vetada pela Lei da Ficha Limpa, ele pode ser preso.
Foi uma das tramitações mais rápidas na história daquele tribunal. Apenas 42 dias. Em média, os desembargadores levam um ano, um mês e 15 dias para analisar um processo enviado por Moro.

A grande mídia vai fazer um grande espetáculo do julgamento e dos eventos em torno dele com o viés esperado. Câmeras e microfones estarão apontados apenas para o que lhes interessa.
O DCM quer fazer uma cobertura contando a verdade.

Como fizemos no depoimento de Lula a Moro em Curitiba, vamos mostrar também o que estará acontecendo às vésperas do evento. Manifestações, palestras etc. Entrevistaremos juristas e parlamentares.

Vamos explicar como funciona o TRF 4. Quem são os desembargadores? Quem é o presidente da corte, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, que garantiu que Lula será julgado de forma “desapaixonada”? Tentaremos falar com todos eles.

O jornalista incumbido da missão será Joaquim de Carvalho, que assinou projetos de crowdfunding do DCM como o Helicoca e, a história da sonegação da Globo, a verdadeira história da reeleição de FHC, entre outros.

Ele estará com o repórter Pedro Zambarda, colaborador do DCM desde 2014 em diversas matérias e coberturas de protestos.

Os recursos que estamos levantando são para o pagamento da viagem, estadia e alimentação em Porto Alegre dos profissionais do DCM, bem como o custeio das transmissões ao vivo.
Além de vídeos, o Diário do Centro do Mundo vai postar matérias antes e depois do julgamento.

Para isso, contamos com sua colaboração para mostrar esse momento histórico. Mande o DCM para Porto Alegre.

Orçamento: 25 mil reais

Toda a verba será utilizada exclusivamente para cobrir custos de produção, incluindo gastos com passagens aéreas e demais despesas da cobertura.

Clique aqui para colaborar

O Jornal GGN e o DCM vão investigar a indústria da delação premiada na Lava Jato e contam com você

Pela primeira vez, o DCM e o Jornal GGN, duas das marcas mais reconhecidas do jornalismo digital, vão participar juntos de um projeto de crowdfunding

Nos últimos anos, o maior negócio do meio jurídico é a indústria da delação premiada na Lava Jato. 

Advogados foram contratados por honorários milionários, de dezenas de milhões de dólares, para oferecer aos clientes o conforto de uma negociação confiável com procuradores e juiz da Lava Jato.

Ter a confiança do magistrado passou a ter um valor inestimável. Ao mesmo tempo, surgiram discrepâncias variadas entre as sentenças proferidas, algumas excessivamente duras, outras inexplicavelmente brandas.

Tudo isso ocorre no reino de Curitiba, território em que a justiça criminal é dominada há anos pelo grupo que conduziu a Lava Jato, juiz Sérgio Moro à frente.

Esse modelo ganha consistência no caso Banestado, em que não houve culpados.

As reportagens visarão levantar as origens dessa parceria, as razões de criminosos notórios, como Alberto Yousseff, sempre sair beneficiados, o caso da advogada Beatriz Catapretta e os negócios envolvendo Rosângela Moro e escritórios de advocacia de Curitiba, incluindo as relações entre ela e Marlus Arns, consolidadas no período em que ambos atuavam para a APAE do Paraná.

Um capítulo especial será dedicado ao aprofundamento das revelações do advogado Rodrigo Tacla Durán, que teria sido procurado pelo também advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo de Moro, com uma oferta de venda de facilidades na Lava Jato, com um acordo de delação premiada em condições mais favoráveis.

O dinheiro arrecadado servirá para custear o trabalho dos repórteres em Curitiba, Belo Horizonte e outras cidades, eventualmente do exterior. As matérias serão publicadas nos dois sites simultaneamente. 

No final, um vídeo reportagem será produzido.

Contamos com você. 

Acesse aqui para saber mais sobre o projeto.

Caso precise de mais informações envie email para crowdfunding@dcm.com.br

O DCM vai contar a história completa do caso FHC / Mirian Dutra e conta com você

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Em fevereiro de 2016, numa entrevista à revista Brazil com Z, a jornalista Mírian Dutra falou de sua história com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mirian contou do filho Tomás, cujo pai seria FHC, de como foi parar em Lisboa e depois Barcelona pela Globo sem trabalhar, do papel da empresa de Duty Free Brasif, que a empregou sem que ela precisasse pisar numa loja, entre outras revelações.

Em, seguida, ela entrou em contato com o repórter Joaquim de Carvalho e esmiuçou suas aventuras.

O exílio aconteceu porque FHC não queria que o caso vazasse e atrapalhasse seus planos. Ele era candidato à presidência da República e casado com Ruth Cardoso. Dois exames de DNA afirmam que Tomás não teria parentesco com o ex-presidente, mas Mírian Dutra contesta os resultados.

A mãe do filho secreto de FHC tentou voltar ao Brasil e teria sido convencida do contrário por políticos como Antonio Carlos Magalhães e seu filho Luís Eduardo.

De acordo com Mirian, os planos da Globo e de FHC de deixá-la longe não ficaram só na conversa. Como compensação por manter a jornalista na geladeira, FHC teria usado o BNDES para dar à emissora financiamentos a juro baixo.

Mas a história não está completa. Faltam pontas, detalhes e imbricações e provas que vamos apurar para este projeto especial.

O DCM vai mergulhar mais fundo num caso que mistura o privado e o público.

Vamos realizar uma série de reportagens com os personagens principais envolvidos no caso. De executivos da Globo, passando por políticos que tiveram papel relevante no episódio, vamos ouvir todas as partes.

Contaremos neste trabalho com Joaquim, jornalista com vasta experiência e autor de projetos anteriores, como A Lista de Furnas e A Sonegação da Globo. Os custos ajudarão a pagar a viagem de Joaquim à Europa para conversar com Mirian, bem como sua estadia e alimentação.

Além de matérias no Diário do Centro do Mundo, teremos um documentário.

Para colaborar, clique aqui. Contamos com você.

Um abraço.

 

O DCM apresenta seu novo documentário: A Lista de Furnas. Por Kiko Nogueira

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O DCM apresenta o documentário sobre a Lista de Furnas que prometemos entregar em mais um projeto de crowdfunding.

A direção é do talentoso documentarista e produtor Max Alvim e as reportagens são de Joaquim de Carvalho — um dos melhores jornalistas investigativos do Brasil, colaborador dileto do Diário.

Está ali toda a gênese e as imbricações de um dos grandes escândalos do país — e um dos que mais sofreram tentativas de ser abafado.

O momento do lançamento é oportuno. No sábado, 27 de fevereiro, ficou-se sabendo que o ex-deputado federal Roberto Jefferson e mais seis pessoas foram indiciados pela Delegacia Fazendária (Delfaz) por crime de corrupção ativa e lavagem de dinheiro na estatal mineira.

O Ministério Público Estadual (MPE) levou dez anos para se mexer. Entre os envolvidos estão empresários, lobistas e políticos. Ficou faltando muita gente. Entre as ausências, a de Dimas Toledo, ex-presidente da empresa indicado por Aécio. Dimas não foi indiciado por ter mais de 70 anos e, portanto, contar com o benefício da prescrição.

O que o documentário do DCM traz:

. O que é, para que servia e quem produziu a Lista: os 156 políticos e os respectivos valores recebidos na campanha eleitoral de 2002 do caixa 2 de empresas que prestaram serviços para Furnas.

. Os principais nomes do esquema: gente como José Serra, então candidato a presidente, Geraldo Alckmin, candidato a governador de São Paulo, Aécio Neves, candidato a governador de Minas Gerais, e Sérgio Cabral, candidato a senador pelo Rio de Janeiro, além de candidatos a deputado, como, Alberto Goldman, Walter Feldman e Gilberto Kassab por São Paulo; Eduardo Paes, Francisco Dornelles e Eduardo Cunha pelo Rio de Janeiro; Dimas Fabiano, Danilo de Castro e Anderson Adauto por Minas Gerais.

. O protagonismo de Aécio: além de receber diretamente para sua campanha R$ 5,5 milhões (13,1 milhões em valores corrigidos pelo IGP-M), há outros dados que confirmam seu papel central no caso.

São antigas as relações de sua família com as empresas públicas na área de energia. O pai, Aécio Cunha, depois de integrar durante seis anos a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, se tornou conselheiro de Furnas, ao mesmo tempo em que era conselheiro da Cemig, a estatal de energia de Minas Gerais.

“Furnas sempre foi território de Minas no governo federal”, afirma José Pedro Rodrigues de Oliveira, ex-coordenador do Programa Luz para Todos.

O doleiro Alberto Youssef, em delação premiada, falou de Aécio. O lobista Fernando Moura detalhou que era “um terço (PT) São Paulo, um terço nacional, um terço Aécio”.

. A batalha para desacreditar a Lista de Furnas: quem divulgou que ela poderia ser falsa foi o PSDB de Minas Gerais, com base em pareces de peritos contratos e num laudo da Polícia Federal feitos em cima de uma das cópias divulgadas por Nilton Monteiro, o homem que confessou atuar como operador do caixa 2.

Uma matéria na Veja, plantada por Aécio, deu força para a ideia da falsidade. Quando essa tese prosperava, o lobista Nílton Monteiro entregou à Polícia Federal o documento original, que foi periciado. A conclusão foi a de que se tratava de um documento autêntico, assinado por Dimas Toledo e sem indício de montagem.

Esperamos, com esse documentário, ter conseguido jogar luzes sobre uma história que caminhava para o esquecimento. Agradecemos a todos os leitores que contribuíram para que ele pudesse ser realizado.

 

Lutar é uma vitória: as lições da greve dos Correios. Por Ricardo Berzoini

Funcionário dos Correios

Por Ricardo Berzoini

Parabéns aos companheiros dos Correios pela greve corajosa e forte, em cenário adverso.

Uma greve vitoriosa politicamente, e isso precisa ser trabalhado na categoria e na classe trabalhadora para não prevalecer o sentimento derrotista.

As derrotas econômicas são óbvias mas o movimento foi ao limite e testou os limites do sistema político/judicial, pedagogicamente.

Em 1991, nós bancários de bancos federais fizemos uma greve semelhante (governo Collor). O TST declarou a greve abusiva, determinou a volta ao trabalho, não acolheu nenhuma reivindicação, nem de reajuste pela inflação.

Decidimos continuar a greve, fizemos grandes passeatas nos dois dias seguintes. Nossa passeata de Sampa desceu a Consolação, encontrando-se com professores estaduais e trabalhadores dos Correios, em greve, fomos até a Praça da Sé, onde terminamos com um ato unificado. Desci do caminhão de som, atravessei a rua com minha companheira e fui preso pela PF.

A greve acabou em seguida. Mas não houve sentimento de derrota, apesar da derrota econômica. A disputa de narrativa é fundamental.

Terra arrasada: fuga de dólares, desemprego e rombo fiscal batem recorde. Por Rogério Correia

Bolsonaro e Guedes

Por Rogério Correia, deputado federal (PT-MG)

Cenário de terra arrasada na economia brasileira. Três novos indicadores foram divulgados hoje e demonstram um quadro caótico: a fuga de dólares do Brasil nos oito primeiros meses deste ano bateu recorde; o desemprego no mês passado também é recorde; por fim, o rombo fiscal projetado para este ano igualmente não terá precedentes, chegando perto da casa do R$ 1 trilhão.

Não se deixe enganar: a pandemia de covid certamente impactou esses indicadores, mas está longe de ser a única “culpada”. Na realidade, a fuga de dólares do Brasil é realidade desde o governo Temer, e ganhou impulso a partir do governo Bolsonaro – um governante, bom destacar, com credibilidade baixíssima mundo afora.

Da mesma forma, os números referentes ao mercado de trabalho e às condições fiscais da União vêm apresentando piora novamente desde Temer – e o governo atual não melhorou em nada a situação dos brasileiros sem emprego ou do caixa do Estado. Pelo contrário, a conjuntura só fez piorar.

Não dá, portanto, para justificar a terra arrasada jogando o peso todo nas costas da pandemia.

Até porque há outros dois motivos para evitar esse jogo de empurra-empurra:

A covid afeta toda a economia global, em todos os continentes, mas tem afetado muito mais a economia brasileira (o real, nossa moeda, por exemplo, é a que mais perde valor no mundo).

Além disso, e aí chegamos ao segundo motivo para evitar o negacionismo de Bolsonaro, é que governos existem não para culpar os outros e chorar mágoas das intempéries da vida. Existem para resolvê-las.

Vários chefes de estado em todos os continentes, diante da pandemia, encararam o problema e buscaram formas de, primeiro, reduzir o contingente de infectados e vítimas fatais, e, segundo, abrandar ao máximo as consequências sobre a economia.

Bolsonaro, como sabemos, não fez nem um nem outro: nem protegeu a população, preferindo minimizar a doença e as formas científicas e reconhecidas de combate-la; nem buscou uma postura ativa para salvar a economia – e cabe lembrar a luta que foi para conseguir o auxílio emergencial de R$ 600 proposto pela oposição contra a equipe do ministro Paulo Guedes, que resistiu até onde pôde contra a ajuda aos mais pobres e desempregados na pandemia.

Jair Bolsonaro adotou, e infelizmente continua adotando, a política da negação, do empurra-empurra, do “a culpa é dos outros”, mais preocupado com a imagem nas redes sociais do que com a vida real das brasileiras e dos brasileiros.

O resultado está aí: terra arrasada, caos econômico e fome voltando a patamares dos anos 1990.

Rogério Correia, deputado federal (PT-MG)
Mandato Sempre na Luta

Os bastidores do VÍDEO em que ‘cabeça’ de Bolsonaro vira bola de futebol

O coletivo de arte Indecline viralizou com o projeto Freedom Kick, que mostra uma série de vídeos de protesto ao redor do mundo em que uma escultura ultrarrealista da cabeça de vários líderes políticos é usada como bola de futebol.

Nesta quarta-feira (23), o Indecline publicou em sua conta no Instagram os bastidores do vídeo em que usa a ‘cabeça’ de Jair Bolsonaro como bola.

Confira:

 

O Brasil que Bolsonaro descreveu nas Nações Unidas não existe, e não existe por causa dele. Por Dilma Rousseff

Por Dilma Rousseff

Praticamente não há uma sentença no discurso de Bolsonaro na ONU que não cometa pelo menos uma falsificação, uma manipulação, uma adulteração dos fatos. O Brasil que Bolsonaro descreve não existe, e não existe por causa dele.

As maiores florestas brasileiras ardem em chamas, com recordes de incêndios, e ele culpa os índígenas, que são as primeiras vítimas desses crimes ambientais.

Os maiores biomas do país são consumidos pelo desmatamento ilegal, e ele diz que exerce controle rigoroso sobre a ação dos destruidores das florestas, o que é falso.

O Brasil voltou a registrar a mazela da fome, que maltrata mais de 10 milhões de pessoas, e ele se jacta de estar alimentando o mundo.

Quase 140 mil brasileiros já morreram de Covid19, e ele diz que agiu com rigor para combater a doença. ao mesmo tempo em que culpa os governadores pelas mortes.

Bolsonaro dissimula de maneira contumaz e o faz por cálculo, não por ignorância. Mesmo quando fala na ONU, não é ao mundo que está se dirigindo, mas ao seus seguidores mais radicalizados, que ele mantém mobilizados à base de fake news e deturpações da verdade. Seu objetivo é manter a iniciativa política e a polarização. Foi assim que, na Itália dos anos 1910 e 1920 e na Alemanha dos anos 1930, o fascismo e o nazismo cresceram até chegar ao poder: mobilizando permanentemente uma minoria de seguidores agressivos, capazes de intimidar o campo democrático da sociedade.

O mundo já não acredita em Bolsonaro. Parte dos brasileiros já não acredita nele. Mas não há sinal de que ele pretenda parar. Terá de ser parado.

No texto a seguir, é possível verificar pelo menos 12 falsificações que Bolsonaro apresentou ao mundo, ontem, no seu discurso.

1: A fala – “Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade.”

A verdade – Bolsonaro negou a gravidade da doença. Tratou-a com desdém, afirmando que era uma gripezinha. Não tomou medidas efetivas para garantir o emprego, propôs R$ 200 de auxílio emergencial e foi apenas diante da pressão da sociedade e da iniciativa da oposição no Congresso que acabou sendo aprovado o valor de R$ 600. Por culpa do governo, o Brasil foi o país que menos aplicou testes. Bolsonaro foi contrário ao isolamento e distanciamento social, ele próprio promovendo e participando de aglomerações e desprezando o uso de máscaras. Defendeu e expandiu a produção de cloroquina, enquanto deixava de adquirir analgésicos para a implantação de tubos respiratórios nos doentes graves.

2: A fala – “Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao Presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País.”

A verdade – Bolsonaro vem se escondendo por trás de uma decisão do STF que, supostamente, transferia o poder de enfrentar a Covid-19 para estados e municípios. Trata-se de uma versão inverídica e absurda, pois há uma clara obrigação constitucional da Presidência da República de coordenar ações diante da gravidade da crise sanitária, que já matou 138 mil pessoas; também somos uma Federação e, assim, há o dever intransferível de a União articular a ação dos 26 estados, o Distrito Federal e os 5.570 municípios. O Supremo nunca eximiu o governo federal do dever de agir, nem transferiu seu poder. Apenas deu a estados e municípios o direito de também tomar decisões sobre medidas sanitárias, de isolamento e de distanciamento social, segundo suas circunstâncias específicas.

3: A fala – “Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior: concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares…”

A verdade – Não houve arrojo, mas mesquinharia. Bolsonaro tentou impor um auxílio emergencial de apenas R$ 200 por mês. O auxílio só foi de R$ 600 por decisão do Congresso, proposta pelo PT e demais partidos de oposição, impondo uma derrota ao governo. Bolsonaro insinua, na fala, que pagou mil dólares por mês. Mas mesmo somadas, as parcelas do auxílio emergencial estarão longe de totalizar mil dólares. Se cumprir o que anunciou, o governo terá pago, até o fim de dezembro, 5 parcelas de R$ 600 e no máximo 4 parcelas de R$ 300. Isto totalizará, na melhor hipótese, R$ 4.200, muito abaixo de mil dólares, que são R$ 5.470. A iniquidade do governo também se fez sentir no tratamento dado aos que têm direito ao auxilio emergencial, na forma de milhões de exclusões injustificadas, atrasos, filas e aglomerações nas agências da Caixa, aplicativos que não funcionam — um labirinto burocrático que transformou a busca por ajuda num grande sofrimento.

4: A fala – “[Nosso governo] assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas com produtos alimentícios e prevenção à Covid.”

A verdade – Do projeto aprovado no Senado de apoio às comunidades indigenas, Bolsonaro vetou artigos que obrigavam o governo federal a fornecer água potável, material de higiene e limpeza e cestas básicas às aldeias. Em outro momento, proibiu a entrada de equipes da organização Médicos sem Fronteiras nas comunidades indigenas.

5: A fala – “Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes de covid.”

A verdade – O governo federal falhou fragorosamente no planejamento e na distribuição de máscaras, EPIs e respiradores aos hospitais de todo o país. A testagem é uma das mais baixas do mundo. A falta de testes suficientes é uma das causas de o Brasil ter se tornado um dos epicentros da doença no mundo. A maior parte dos recursos federais destinados ao combate à pandemia nos estados não foi liberada de fato, segundo várias reportagens. A maioria das máscaras e equipamentos prometidos não chegou aos hospitais e os estados e prefeituras foram obrigados a agir por conta própria. Faltaram equipamentos e medicamentos nos hospitais, sobrou cloroquina nas prateleiras do ministério da Saúde, comandando por um militar especializado em logística.

6: A fala – “O caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação.”

A verdade – Praticamente todos os casos de incêndios na Amazônia e no Pantanal identificados ou suspeitos de ação criminosa foram cometidos por fazendeiros, grileiros e invasores de terras públicas e reservas florestais e terras indigenas. Sentiram-se autorizados para tal diante do desmonte das políticas de contenção do desmatamento e da fiscalização. Os caboclos e os indígenas são, sabidamente, vitimas dos incêndios e do desmatamento criminosos, não seus autores. Dados obtidos pelo sistema de monitoramento da NASA mostram que 54% dos focos de incêndios na Amazônia estão relacionados ao desmatamento. No Pantanal, organizações de proteção ambiental informam que incêndios iniciado em 9 fazendas particulares destruiram 141 mil hectares, quase a área da capital de São Paulo. Cinco destas fazendas estariam sendo investigadas pela PF.

7: A fala – “Lembro que a Região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater, não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria. Por isso, estamos ampliando e aperfeiçoando o emprego de tecnologias e aprimorando as operações interagências, contando, inclusive, com a participação das Forças Armadas.”

A verdade – A extração ilegal de madeira e os incêndios criminosos não são combatidos devidamente por causa da leniência deliberada do governo Bolsonaro, que desde ao assumir desautorizou, fragilizou e desmontou a fiscalização, assim como cometeu ataques contra o INPE, tendo, inclusive, demitido seu diretor, um dos cientistas mais respeitados do Brasil. O ministério do Meio Ambiente não apenas suspendeu o trabalho de fiscalização, e cancelou operações, como tem protegido os verdadeiros criminosos ambientais. Chegou a trazer a Brasília, em aviões da FAB, para reunião com o ministro, um grupo de garimpeiros ilegais que atuava em reserva indígena. Em famosa reunião ministerial, filmada e divulgada, o ministro defendeu que o governo aproveitasse a distração criada pela pandemia para, como disse, “passar a boiada” de decretos e portarias que facilitem os crimes ambientais.

8: A fala – “Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia.”

A verdade – No Brasil e no mundo, a comunidade científica séria e conceituada alertou o tempo todo, desde o início da pandemia, para o fato de que a cloroquina e a hidroxocloroquina não têm eficácia contra a Covid19, em nenhum estágio da doença, e podem, ao contrário, acarretar efeitos colaterais que levam à morte. Até mesmo Trump, a quem Bolsonaro imitou agindo como garoto-propaganda de um remédio perigoso, abandonou a defesa da cloroquina e, para livrar-se do medicamento que parou de indicar, despachou o estoque para o Brasil.

9: A fala – “No campo humanitário e dos direitos humanos, o Brasil vem sendo referência internacional.”

A verdade – Só se for referência negativa. Desde a posse de Bolsonaro, a situação dos Direitos Humanos no Brasil vem se deteriorando, a ponto de provocar advertências da Alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, que denunciou a miliarização de instituições civis, a violência policial, e ataques a ativistas, líderes comunitários e jornalistas.

10: A fala – “Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle.”

A verdade – Não há nenhuma conclusão ou prova de que a Venezuela tenha contribuído para o derramamento de óleo no Atlântico, trazido pelas correntes marítimas à costa brasileira. O que ficou demonstrado, sobejamente, foi a demora e a inação do governo brasileiro, que levou quase três meses para tomar as primeiras providências em relação ao desastre que atingiu o litoral de 10 estados.

11: A fala – “No primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo.”

A verdade – A imprensa informa hoje que do ano passado para cá houve, na verdade, uma queda de 30% nos Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil. E nos primeiros oito meses deste ano o Brasil sofreu uma fuga recorde de capitais, que chegou a US$ 15,2 bilhões. Outra notícia dá conta de que, por causa do estado de paralisia do MEC desde a posse de Bolsonaro, o país deixou de receber os repasses de um empréstimo de US$ 250 milhões do Banco Mundial para dar suporte à reforma do ensino médio.

12: A fala – “O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado.”

A verdade – O Brasil de fato continua sendo um grande produtor e exportador agropecuário, mas dilapidou a agricultura familiar, que até 2014 era responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro. Por esta e outras escolhas de índole neoliberal, o Brasil voltou a registrar a calamidade da fome, que aumentou em 43,7% em cinco anos, atingindo mais de 10 milhões de brasileiros.

DCM Ao Meio Dia – Jornais passam pano para Bolsonaro e Lula é convidado para seminário por relatora da ONU

DCM Ao Meio Dia – Jornais passam pano para Bolsonaro e Lula é convidado para seminário por relatora da ONU. Foto: Reprodução/DCMTV/YouTube

AO VIVO. Kiko Nogueira e Pedro Zambarda fazem o giro de notícias no DCM. Entrevista com o educador Daniel Cara.

Contra avanço da direita, indígenas preparam “boom” de candidaturas nas eleições 2020. Por Poliana Dallabrida

Apib aponta 23.339 indígenas contaminados, 651 mortes e 148 povos afetados pela covid-19 no país – Marcelo Camargo-Agência Brasil

Originalmente publicado por DE OLHO NOS RURALISTAS

Por Poliana Dallabrida 

O avanço das invasões em terras indígenas, o desmatamento, o assédio a órgãos públicos como a Fundação Nacional do Índio (Funai) por ruralistas como Nabhan Garcia e a crise causada pelo novo coronavírus são alguns dos cenários que preocupam etnias em todo o país. Nessa conjuntura de ameaças, candidatos indígenas começam a se mobilizar pelo país para as eleições municipais deste ano.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) reuniu virtualmente, no dia 11, centenas de pré-candidatos indígenas e apresentou uma plataforma de apoio a candidaturas coordenada pela Mídia Ninja. O objetivo é reunir os pré-candidatos indígenas e de outros setores progressistas e apoiá-los com encontros e cursos de formação em política, ferramentas de comunicação e outras estratégias que auxiliem na construção de campanhas democráticas e diversas.

Nas eleições municipais de 2016, o número de candidatos indígenas correspondia a 0,35% do total, segundo balanço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 496,9 mil candidatos à eleição daquele ano, apenas 1,7 mil eram indígenas. Com a preparação de pré-candidaturas, a Apib espera que esse número de candidatos a vereadores, prefeitos e vice-prefeitos seja muito maior nas eleições municipais de 2020.

A participação ativa na política é vista como uma das frentes para impedir novos retrocessos e garantir a defesa dos direitos indígenas. “Via política partidária, a gente tem uma estratégia de defender os nossos direitos que podem ser usurpados e excluídos na calada da noite”, afirma Mário Nicácio Wapichana, que concorre à vice-prefeitura do município de Bonfim, a 126 quilômetros de Boa Vista, capital de Roraima. “Apesar de muitas pessoas terem um trauma por conta dos escândalos de corrupção”.

O candidato afirma que a estratégia pública da Apib de preparar indígenas para a disputa de eleições é algo inédito. “A Apib e a Coiab sempre fizeram uma divulgação meio tímida da participação em eleições”, afirma. “A iniciativa da Apib hoje é uma estratégia de enfrentamento para poder garantir os direitos dos povos indígenas. É uma estratégia muito importante para os pré-candidatos a vereadores, prefeitos e vices. É dizer que eles não estão sós”.

APIB APONTA ASSÉDIO A INDÍGENAS POR PARTIDOS

Em nota, a organização demonstra preocupação com o assédio de diversos partidos políticos a indígenas e pretende, por meio de reflexões e análises, evitar que possíveis candidatos sejam “vítimas de manobras politiqueiras, enganações e falsas ilusões que em muitos casos se reverteram contra nós”. “Mesmo prejudicados pelo distanciamento social”, diz a Apib, ela vê como importante “iniciar discussões no âmbito local e regional sobre a necessidade de lançar cada vez mais indígenas candidatos e candidatas para a disputa nessas próximas eleições”.

A Apib destaca a importância da eleição de representantes indígenas dentro da política partidária, mesmo com todas as limitações da democracia liberal, “em tese representativa, debilmente participativa e menos popular, e ainda gravemente ameaçada pelo governo de Jair Bolsonaro”.

“Temos por isso o desafio de ocupar esses espaços, para disputarmos uma verdadeira democracia representativa, participativa e popular”, diz a organização. O objetivo é que sejam indicados representantes não apenas pela via clássica partidária, mas por meio de colégios eleitorais diferenciados ou de mecanismos autônomos de organização social própria: espaços coletivos de decisão, grandes assembleias, plenárias ou congressos. “Sem deixar de sonhar, mais ainda, nas possibilidades de termos um Parlamento Indígena”.

EM BOA VISTA, MULHERES INDÍGENAS LIDERAM RENOVAÇÃO

Ariene Susui, de 23 anos, é a primeira de oito irmãos da Aldeia Truaru da Cabeceira, em Boa Vista, a concluir o ensino superior. A jovem indígena Wapichana agora se prepara para o próximo desafio: ser a primeira vereadora indígena da capital de Roraima. “Quando saíamos das comunidades indígenas e vínhamos para a cidade, ficávamos à mercê”, conta Susui. “São mais de 20 mil indígenas em contexto urbano em Boa Vista. Por que já não tem nenhum representante indígena na câmara de vereadores?”

Assim como Mário Nicácio, Ariene Susui acredita que a crise do novo coronavírus serviu para mobilizar indígenas a se candidatarem a cargos eleitorais este ano. “Com a pandemia, nos demos conta que só tínhamos um representante lá dentro [Congresso]”, diz Susui. “A Joênia abriu esse espaço para dizer ‘nós podemos, nós somos capazes’. Em tempos de bolsonarismo, se nós não elegermos nossos representantes, sofremos ainda mais as consequências. É como se fosse uma resposta a esses tempos difíceis”.

A jovem Wapichana acredita que a política eleitoral é uma das estratégias de barrar o avanço de pautas anti-indígenas nas esferas municipal, estadual e federal. “Vamos lutar com as mesmas armas”, afirma. “Se é o lugar onde as decisões são tomadas, precisamos nos organizar para chegar nesses espaços, especialmente nós, mulheres, indígenas e jovens”.

CANDIDATURA COLETIVA INCLUI INDÍGENAS EM FLORIANÓPOLIS

A ideia coincide com a da indígena Jozileia Daniza Jagso Kaingang, de Florianópolis. Ela se uniu a outras cinco integrantes de movimentos sociais em uma candidatura coletiva para disputar uma vaga na Câmara Municipal. “Somos um coletivo de mulheres, cada uma de uma rede, justamente porque existe uma conexão de trabalhos entre as mulheres indígenas e não indígenas”, explica a candidata pelo PSOL.

“Eu nunca tinha me imaginado concorrendo a uma vaga político-partidária”, diz Jozileia Kaingang. “Faço muito bem política em outros espaços, mas temos discutido muito a presença de mulheres indígenas nesses espaços de poder, incidindo sobre decisões que vão interferir nas nossas vidas. A gente precisa dar um passo para poder mudar, melhorar. Nesse passo, a gente precisa se colocar como um instrumento de mudança”.

Formanda em Geografia, Jozileia Kaingang mudou-se da região oeste do estado — berço do povo Kaingang em Santa Catarina — para cursar o mestrado em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde agora cursa o doutorado. Entre 2016 e 2020, foi coordenadora pedagógica da Licenciatura Intercultural Indígena na mesma universidade.

Ela afirma que os espaços de discussão coletiva criados nos últimos anos serviram para encorajar candidaturas indígenas e de outros campos progressistas. “Nessas eleições, teremos um boom de candidaturas indígenas”, aponta. “Se não estivéssemos debatendo esse lugar das mulheres, esse lugar de fala nesses espaços de poder, eu certamente não teria me candidatado”.

A conjuntura anti-indígena, consequência do avanço da extrema-direita no país, aumentou o ímpeto de eleger candidatos indígenas no país. “Embora a gente sempre tenha tido aliados, é muito diferente quando você está dentro”, avalia Jozileia Kaingang. “Quando se está dentro do espaço de poder, você consegue incidir com os seus pensamentos e conquistar pessoas que eram contrárias ou que não entendiam bem quais eram as pautas de luta dos povos indígenas”.

INDÍGENAS FAZEM ALIANÇAS ESTRATÉGICAS COM O PODER LOCAL

Vice da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Mário Nicácio Wapichana será candidato a vice-prefeito em Bonfim (RR) pela Rede, que tem na deputada federal Joênia Wapichana sua principal articuladora no estado. A parlamentar foi a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Congresso e a segunda indígena eleita após o cacique Xavante Mário Juruna, eleito com 31 mil votos pelo PDT do Rio de Janeiro em 1983. Só em Roraima, a Rede já anunciou a candidatura de 32 indígenas às prefeituras e câmaras municipais.

A chapa de Nicácio é composta pelo atual prefeito de Bonfim, Joner Chagas, que disputa a reeleição. Chagas é filiado ao PRTB, mesmo partido do vice-presidente Hamilton Mourão, e tem o apoio da ala menos conservadora de produtores rurais e comerciantes do município. “A gente sabe que estamos em um terreno que não precisamos correr demais, mas nem achar que está tudo bem”, resume Mário Nicácio.

Ele explica que os indígenas representam cerca de 30% do eleitorado do município. “Sozinho, ele não ganharia”, aponta o Wapichana. “E a gente sempre perdeu também. Por isso que resolvemos, nesse momento conturbado, com o governo Bolsonaro, fazer a chapa com Chagas. Se a gente saísse separados, nós dois perderíamos para um terceiro candidato que não gosta de índio”.

Para Mário Nicácio Wapichana, a pandemia demonstrou a importância da representação indígena no sistema eleitoral, para além de aliados do campo progressista. “Nós precisamos entrar pela porta de frente e discutir com os partidos e parlamentares na mesma mesa”.

Sem delimitação, Bretas promoveu arrastão cautelar contra advogados. Por Luiza Calegari

 / Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Originalmente publicado por CONJUR

Por Luiza Calegari

Ao ordenar o bote contra advogados, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, promoveu um verdadeiro “arrastão cautelar”, nas palavras da OAB, dando poderes praticamente ilimitados para a autoridade policial apreender o que bem entendesse nos escritórios e residências.

O juiz chegou a afirmar, na decisão autorizando as buscas, que elas deveriam observar as prerrogativas da advocacia. Ou seja: a justificativa deveria ser individualizada e fundamentada, e o objeto das buscas deveria ser específico e relacionado à investigação. Nada disso aconteceu.

Em reclamação protocolada no Supremo Tribunal Federal, a OAB destaca o caráter genérico das fundamentações e as autorizações de apreensão praticamente ilimitadas de materiais que não têm qualquer relação com a investigação de supostos desvios da Fecomércio (que, aliás, nem deveriam ser julgados pela Justiça Federal do Rio).

Os executores dos mandados de busca e apreensão foram autorizados por Bretas a arrecadar nas diligências invasivas que realizaram “quaisquer documentos, mídias e outras provas encontradas relacionadas aos crimes de corrupção passiva e ativa, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e/ou documental, crimes contra o sistema financeiro nacional e organização criminosa”.

Segundo a OAB, ao invés de delimitar as buscas, a ordem concedeu poderes amplos para que fosse apreendido qualquer objeto que a Polícia Federal, o Ministério Público ou a Receita julgassem de interesse para a investigação.

Em outro trecho, abrindo mão de qualquer referência “aos ilícitos narrados nessa manifestação” e sem qualquer limitação temporal, os executores receberam autorização para arrecadar “HD´s, laptops, smartphones, pen drives, mídias eletrônicas de qualquer espécie, arquivos eletrônicos de qualquer espécie, agendas manuscritas ou eletrônicas, dos investigados ou de suas empresas, quando houver suspeita que contenham material probatório relevante, como o acima especificado”.

As autoridades policiais puderam, portanto, apreender material relacionado a toda a vida profissional dos advogados e os registros de seus escritórios de advocacia contendo dados sigilosos relacionados a seus clientes e a outros advogados não investigados. Todos esses dados estão protegidos pela lei e pela Constituição, e não poderiam ser sujeitos a uma ordem tão genérica, afirma a OAB.

Outro trecho da decisão dá ainda poder para que sejam apreendidos “arquivos eletrônicos pertencentes aos sistemas e endereços eletrônicos utilizados pelos representados, além dos registros das câmeras de segurança dos locais em que se cumpram as medidas”.

“Aqui as medidas invasivas ultrapassaram em muito as violações perpetradas contra as garantias e as prerrogativas dos advogados e dos escritórios de advocacia atingidos, para alcançar por período de tempo ilimitado o controle das imagens das pessoas (clientes ou não dos escritórios) que entraram ou saíram dos prédios comerciais em que situados os escritórios ou mesmo que entraram ou saíram das dependências dos escritórios”, destaca a OAB na petição. “Também alcançaram todas as pessoas que entraram ou saíram, por um período de tempo ilimitado, das residências dos investigados que sofreram buscas e apreensões.”

Como era de se esperar, as buscas ordenadas de forma ilegal foram cumpridas também de forma ilegal e sem precedentes. Em relatos à ConJur, advogados narraram diversos desses abusos, que coincidem com as denúncias registradas pela OAB por outros envolvidos e levadas agora ao Supremo.

Para começar, as buscas residenciais não foram acompanhadas por representantes da Ordem, uma prerrogativa dos advogados para garantir que o cumprimento dos mandados seja efetuado dentro da legalidade e apreendendo apenas material relacionado à investigação em curso.

Os mandados, segundo os relatos, não tinham cópias ou trechos da decisão judicial que os autorizava. Ainda por cima, uma das residências foi invadida pela PF pela porta dos fundos, e os policiais entraram no quarto em que o advogado dormia com sua esposa.

A OAB ainda destaca que, nas reclamações enviadas às seccionais respectivas dos alvos, todos eles relataram que os policiais e procuradores apreenderam “telefones celulares (smartphones), HDs, laptops, pen drives, mídias e arquivos eletrônicos, além de numerosos documentos e arquivos físicos, sem que se permitissem aos advogados e aos escritórios varejados reproduzir e espelhar dados e informações indispensáveis ao exercício regular de suas atividades”, o que gerou a paralisação completa das atividades dos escritórios.

Abuso sobre abuso

Na quarta-feira (9/9), Marcelo Bretas autorizou o maior bote contra a advocacia já registrado no país, ordenando o cumprimento de 75 mandados de busca e apreensão contra escritórios, casas de advogados e empresas (mais do que os 50 estimados anteriormente, e 33 deles em endereços residenciais).

A ordem foi considerada uma tentativa de criminalização da advocacia pela comunidade jurídica. Além disso, tem erros de competência, já que a Fecomércio é uma entidade privada e deveria ser investigada pela Justiça Estadual; e de imputação de crimes, já que seus dirigentes não podem ser acusados de corrupção nem peculato. Em outra vertente há quem entenda que, por pretender investigar ministros do STJ e do TCU, a competência seria do STF.

Entre os abusos registrados pela decisão, há duas ordens de busca e apreensão em casas de desembargadores — um deles com mandato no TRE de Alagoas, e outro casado com uma advogada que foi alvo. Especialistas ouvidos pela ConJur afirmam que apenas o Superior Tribunal de Justiça poderia ter emitido as ordens.

Uma semana depois do ataque, um grupo de seccionais da OAB protocolou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal contra os abusos e violações das prerrogativas cometidos por Bretas.

O bote se baseia na delação do ex-presidente da Fecomercio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz. O empresário já foi preso duas vezes e vinha tentando acordo de delação desde 2018 — que só foi homologado, segundo a revista Época, depois que ele concordou acusar grandes escritórios de advocacia. Em troca da delação, Diniz ganha a liberdade e o direito de ficar com cerca de US$ 1 milhão depositados no exterior.

Trechos vazados da delação de Diniz ainda mostram que o empresário foi dirigido pelo Ministério Público Federal do Rio no processo. Em muitos momentos, é uma procuradora quem explica a Diniz o que ele quis dizer. Quando o delator discorda do texto atribuído a ele, os procuradores desconversam, afirmando que vão detalhar nos anexos.

Bloqueio desastrado

Escritórios de advocacia também relataram ter tido valores bloqueados de suas contas correntes. Nos autos, Bretas admitiu ter ordenado o sequestro, mas afirmou que era para ter acontecido no dia da operação, como é de praxe. Já que o bloqueio não constaria do sistema, ele levantou o sigilo sobre o pedido, expondo os alvos da operação — isso após a divulgação de notícias, da Folha de S.Paulo e da ConJur, de que o bloqueio teria sido efetivado.

Segundo Bretas, a mudança do sistema BacenJud para o SisbaJud ocasionou um erro técnico, e o bloqueio não foi feito. “Somente no dia seguinte, ao que tudo indicava, a ordem teria sido finalmente transmitida aos bancos, porém até hoje não consta do Sisbajud a confirmação de que a ordem foi cumprida”, afirmou, justificando o levantamento do sigilo.

Família Bolsonaro doou dinheiro vivo entre si para campanhas eleitorais

Publicado no Jornal GGN

Flávio, Jair, Eduardo e Carlos: os Bolsonaro | Divulgação

Folha de S. Paulo fez um levantamento junto ao Tribunal Superior Eleitoral mostrando que a família Bolsonaro autofinanciou boa parte de suas campanhas ao longo de 6 anos, usando dinheiro vivo. Os gabinetes de Flávio e Carlos estão no centro de investigações sobre o desvio de verba pública para constituir despesas pessoais, como o caso Queiroz.

Segundo Folha, somente entre 2008 e 2014, Jair Bolsonaro e os filhos doaram entre si R$ 100 mil em espécie. Corrigidos pela inflação, os valores chegam a R$ 163 mil.

Em 2008, por exemplo, Carlos concorreu à Câmara Municipal do Rio e doou para a própria campanha R$ 10 mil em dinheiro vivo. O irmão Flávio doou mais R$ 10 mil e o pai, Jair, outros R$ 15 mil. “Os R$ 35 mil em espécie injetados pela família representam cerca de 60% de todos os recursos angariados por Carlos naquela campanha.”

A título de comparação, Folha, consultou outras 10 campanhas eleitorais realizadas naquele mesmo ano para a Câmara do Rio, e apenas mais um candidato, Sebastião Ferraz, eleito pelo PMDB, também teria usado o mesmo tipo de financiamento.

Em 2014, ano em que estreou na política, Eduardo recebeu R$ 30 mil em dinheiro para sua candidatura a deputado federal. O valor equivale a mais de 60% de todos os recursos usados na campanha. “Enquanto isso, o uso de dinheiro em espécie foi inexpressivo entre os candidatos mais votados em São Paulo.”

Segundo a Folha, das 13 candidaturas analisadas, apenas 4 não tiveram recursos em dinheiro vivo. Em outras 4, não foi possível confirmar pelas prestações de contas ao TSE.

O jornal frisou que “o elevado uso de dinheiro vivo nas campanhas destoa da prática de outras candidaturas bem-sucedidas naqueles anos” e que “reportagens e dados obtidos por órgãos de investigação mostraram que a família Bolsonaro, especialmente na figura do senador Flávio Bolsonaro, já movimentou mais de R$ 3 milhões em dinheiro vivo nos últimos 25 anos.”

Por que fugir da palavra ‘mentiu’ para o que fez Bolsonaro? Por Fernando Brito

Foto: Reprodução / TV GLOBO

Originalmente publicado por TIJOLAÇO

Por Fernando Brito

Os grandes jornais fazem uma ginástica vernacular para dizer que Jair Bolsonaro, em seu discurso na ONU, “distorceu”, “fantasiou” e “delirou”, para ficar no que escreveram Estadão, Folha e O Globo.

Foge-se do verbo óbvio: mentiu.

Ana Carolina Amaral, na Folha, em texto sóbrio feito sobre os dados do Inpe e do Cadastro Rural mostra como é mentira o que disse o presidente, diantede toda a comunicade internacional, ao dizer que “uma parte considerável das pessoas que desmatam e tocam fogo é indígena, caboclo”.

Assentamentos rurais e terras indígenastiveram, respectivamente, 11% e 12% dos focos de calor registrados pelos satélites no primeiro semestre de 2020 e nem isso que dizer que eles foram responsáveis por eles, porque em ambos, além de ocorrênias acidentais, é possível que desmatamentos feitos por invasores podem ter gerado queimadas.

Em comparação, 50% dos incêndios ocorreram em grandes e médias propriedades rurais na Amazônia Legal, que inclui mais áreas já ocupadas pelo agronegócio. Considerada apenas as quatro áreas mais atingidas da Floresta Amazônica, este índice sobe para 72%, quase três quartos do total.

No Pantanal, nove grandes fazendas foram responsáveis pela carbonização de 1.417,73 km², uma área maior que a de todo o município do Rio de Janeiro.

Não é, em hipótese alguma, a prática tradicional da coivara, técnica ancestral da agricultura de subsistência, que tem séculos e jamais provocou desastres semelhantes.

Mas “índigenas e caboclo” serevem de cortina de fumaça para algo que devora a terra com mais força que as labraredas: o dinheiro.

Lula é convidado de honra de relatora da ONU em seminário internacional sobre direito à educação

Publicado no Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta quinta-feira (24), às 10h, na abertura do Webinário “Educação e as Sociedades Que Queremos”. O indiano ganhador do Prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi também discursa na abertura do encontro virtual. Participam ainda o diretor geral da ICESCO, Salim M. Al Malik, e a secretária executiva da Parceria Global para a Educação, Alice Albright. O Instituto Lula é um dos organizadores.

A relatora da ONU para o Direito à Educação, Koumbou Boly Barry, afirmou ao convidar o ex-presidente que “a experiência do Brasil na educação interessa ao mundo”, e que Lula foi um presidente “que tanto colaborou e colabora para o progresso mundial, fortalecendo laços entre povos”. Sobre o evento, Boly afirma: “Como diz o ditado africano: ‘Se você quiser ir rápido, vá sozinho, e se quiser chegar com segurança, vá com as pessoas’. O contexto do mundo atual exige a mobilização de todos os tomadores de decisão, todas as competências dos vários locais nacionais, regionais e internacional para enfrentar os desafios educacionais e até existenciais da humanidade.”

O ex-ministro da Educação e conselheiro do Instituto Lula, Fernando Haddad, também participa do seminário. Haddad fala na mesa “Políticas e Mecanismos para garantir uma educação de qualidade, igualitária e inclusiva para todos” que reunirá ministros de sete países.

Este encontro faz parte da iniciativa “Sociedades que queremos”, coordenada pela Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura (ICESCO), com o objetivo de disseminar conhecimento e implementar programas inovadores para construir sociedades saudáveis, pacíficas, prósperas, inclusivas e resilientes a partir de uma necessidade que se acelerou com o advento da pandemia causada pelo novo Coronavírus. Entre os parceiros estão a relatoria especial da ONU para o Direito à Educação (ACNUDH), a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e o Instituto Lula.

SERVIÇO:

Data: 24/09/2020

Horário: 10h

Local: https://www.facebook.com/ICESCO.Ar

Mercadante: discurso de Bolsonaro na ONU foi repleto de cinismo

Jair Bolsonaro. Foto: Sergio Lima | AFP

Por Mercadante

“A minha impressão é que o discurso todo foi de um cinismo inacreditável. Como é que você pode ir, perante o conjunto das nações em uma reunião de chefes de estado, com esse nível de intervenção? Ele reproduziu o método que ele já utiliza aqui no país, mas agora a imprensa do mundo inteiro está analisando”. Assim o ex-ministro e presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante classificou, em entrevista ao programa DCM ao Meio-Dia desta terça-feira (22/9) o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da 75ª Assembleia da ONU (Organização das Nações Unidas).

Ao comentar a fala de Bolsonaro que culpou a imprensa por ter criado um pânico exagerado sobre a pandemia da Covid-19, Mercadante afirmou que o Brasil teve uma resposta muito aquém para preservar a vida e a saúde da população do que outros países. “Nós temos em torno de 187 mil mortes, 4,5 milhões de contaminados e muitos com sequelas definitivas e graves pela irresponsabilidade do negacionismo do governo, que agora ele continua reafirmando’, explicitou.

Para Mercadante foi o distanciamento social que permitiu que nós não tivéssemos um impacto no início da pandemia com colapso de todo o sistema de saúde, de toda a rede de saúde pública e privada do país. “Foi o distanciamento social que permitiu você postergar, achatar a curva e diminuir as mortes na nação e era a recomendação da Organização Mundial da Saúde, de toda a medicina baseada em evidência científica. Só faltou ele dizer que a cloroquina que foi responsável pelo Brasil ter esse desempenho. Então, é inaceitável’’, prosseguiu.

Auxílio emergencial

O ex-ministro também desmascarou a afirmação de Bolsonaro de que o governo teria dado um auxílio de cerca de US$ 1 mil para a população durante a pandemia. “Os R$ 600 por mês são um pouco mais que US$ 100, em cinco parcelas serão US$ 500. A segunda porta do programa são US$ 300. Então, nenhuma conta chega aos US$ 1 mil”, disse.

Mercadante pontou, ainda, que o auxílio emergencial não foi uma iniciativa do governo Bolsonaro. “Fomos nós do PT que lançamos em primeiro lugar a bandeira do auxílio emergencial e depois os partidos de oposição defenderam a proposta de um salário mínimo e na negociação se chegou a R$ 600, podendo chegar a R$ 1,2 mil por família. Então, não o foi ele, o que ele propôs foi R$ 200. Então, vamos falar as coisas como ela são. Foi o Congresso Nacional que aprovou essa política, que precisa ser mantida até o final da pandemia”, argumentou.

Safra recorde

O ex-ministro também comentou o fato de Bolsonaro comemorar a super safra de grãos no discurso. “Nessa safra recorde de 256 milhões de toneladas de grãos vai trazer uma rentabilidade para o setor agrícola estimada em US$ 105,6 bilhões, nós estamos falando em R$ 0,5 trilhão de renda para agricultura e para o agronegócio. Como é que um país nessa condição permite que seu povo caminhe rapidamente de volta para o mapa da fome? O que aconteceu com os alimentos no país?”, questionou.

Mercadante relembrou que, de janeiro a agosto, a cebola aumentou 76 %, o leite longa vida 33%, o arroz 27%, o feijão 18% e o óleo de soja, mesmo com a maior safra de soja da história, também 18%. “Já há racionamento em algumas redes de supermercados de compra de arroz. E por que nós chegamos nesse ponto? Porque não tem governo. Esse governo não olha para o povo e para os mais pobres. Nós não temos mais política agrícola voltada para a agricultura familiar e camponesa e eles acabaram com os estoques reguladores. O que o Bolsonaro fez foi trazer a fome para o prato do dia do brasileiro”, afirmou.

Desmatamento

Além disso, Mercadante acusou Bolsonaro de manipular os dados sobre queimadas, desmatamento e emissão de gases de efeito estufa. “Mesmo sendo a 10ª economia do mundo, nós temos menos de 2% do PIB mundial. Então, os 3% de emissões é mais do que a nossa participação relativa na economia do mundo e grande peso do Brasil na emissão de gases do feito estufa é o desmatamento e a destruição da floresta Amazônica”, disse.

O ex-ministro destacou a importância a Amazônia para o sistema hidrológico do mundo e afirmou que o arco de destruição desse ecossistema é o arco de expansão da agricultura e do agronegócio. “O desmatamento, em geral é feito por grileiros, que depois repassam as terras para os fazendeiros e é uma devastação”, explicou.

Lula e Dilma

Por fim, Mercadante recordou das participações dos ex-presidentes Lula e Dilma nas assembleias da ONU. “Eu estive em vários discursos da ONU, do presidente Lula e da presidenta Dilma, discursos que eram reconhecidos, que eram aplaudidos. Nós estávamos com prestígio, o país era respeitado, o país conquistou uma estatura no conselho nas nações”, relembrou.

“Hoje nós somos um pária, ninguém leva a sério uma intervenção como essa do Bolsonaro, todos os países tiveram que lidar com a pandemia e tiveram que tomar medidas sérias, sanitárias e econômicas. Então, realmente esse negacionismo obscurantista é uma tragédia histórica e é um cinismo completo essa intervenção dele, é um governo que tenta criar uma realidade paralela, de fake news, de distorções e de uma precariedade intelectual e política que não tem precedentes”, concluiu.

Cúmplice, Folha diz em manchete que Bolsonaro “se defendeu na ONU sobre pandemia e queimadas”

Bolsonaro discursa na Assembleia Geral da ONU

Jair Bolsonaro afirmou na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”.

O discurso todo foi feito de mentiras, dados imprecisos e aleivosias.

Elevou o valor do auxílio emergencial para US$ 1.000 a 65 milhões de brasileiros, culpou índios e caboclos pelas queimadas, inventou um combate à “cristofobia” e uma recuperação econômica — dez o diabo.

Para a Folha de S.Paulo, no entanto, o sujeito apenas “se defendeu sobre pandemia e queimadas”.

No caso do Globo, foram “polêmicas”.

A Folha e o Globo são cúmplices do bolsonarismo.

Lembre-se disso quando alguém falar em renovar a assinatura desse lixo para “fortalecer a democracia”.

Globo chama mentiras de Bolsonaro na ONU de “polêmicas”. Foto: Reprodução/Globo

Fuga de dólares é a maior desde o governo do ditador João Figueiredo. Por Fernando Brito

Originalmente publicado por TIJOLAÇO

Por Fernando Brito

Gabriel Shinohara, André de Souza, Gabriel Martins e Rennan Setti, na edição de hoje de O Globo, que também no trecho em que disse que o Brasil estava registrando “um aumento de ingresso de investimentos [estrangeiros] em comparação com o mesmo período do ano passado”.

O “Minto”, também nisto, manipulou os dados, porque, de fato, houve uma perda de US$ 15,2 bilhões, a maior desde 1982, auge da recessão que nos assolou no governo de João Figueiredo.

O resultado de nossas contas externa só não é pior porque o apetite de compras da China (aliás, começando a arrefecer desde agosto) e a valorização da commodities sustenta um saldo de US$ 32 bilhões na conta comercial (exportações menos importação) ajudou um pouco. Mas a conta financeira, teve o monstruoso déficit de US$ 48,529 bilhões nos oito primeiros meses de 2020, duas vezes e meia maior que o de agosto de 2019, quando o déficit era de US$ 19,747 bilhões.

A Bolsa de Valores é o maior destes ralos, já tendo perdido perto de R$ 84 bilhões este ano, o dobro de tudo o que saiu do mercado acionário brasileiro no ano passado.

O grau de desconfiança sobre Jair Bolsonaro entre os investidores estrangeiros – e não só pela desastrosa condução das questões ambientais – se soma à incerteza das eleições norte-americanas e à certeza de que o acordo Mercosul-União Europeia se inviabilizou.

Quando um país assume a postura de vira-latas, os donos da ração de dinheiro só lhe dão restos. Quando dão alguma coisa, principalmente se o país não lhes oferece juros altos.

(…)

Fantasia sexual termina na polícia, com dois homens e uma mulher, carro destruído e um espeto. Por Daniel Trevisan

O carro do casal foi destruído

O casal saiu de um município Paraná no sábado à noite para se divertir no apartamento de um homem solteiro da cidade de São Miguel do Oeste, no Estado de Santa Catarina. Os três haviam se conhecido em um site de relacionamento. O fetiche do marido era ver a mulher transando com outro homem. A brincadeira terminou na delegacia de polícia e mobilizou o Corpo de Bombeiros, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar de Santa Catarina, além da Polícia Civil.

O caso começou a virar ocorrência policial quando o morador de um condomínio em São Miguel do Oeste ouviu barulho de carro sendo quebrado no estacionamento e foi dar uma espiadinha na janela. Viu um homem pelado com espeto na mão e uma mulher igualmente nua, desesperada. O homem nu era vizinho dele e quebrava o Ford Ka preto do casal que mora no Paraná.

O morador que espiava telefonou para a Polícia Militar de São Miguel do Oeste, mas, quando a viatura chegou, o Ford Ka já não estava no local, bem como a mulher nua e o marido, vestido. O homem que fora visto nu com espeto na mão avisou que o casal morava no Paraná e a Polícia Rodoviária Federal foi avisada, já que o estrada que liga os município é da administração federal.

Dito e feito. O carro foi parado em um posto policial da estrada. O homem ao volante estava em visível estado de embriaguez, mas não quis fazer o teste do bafômetro. A mulher, também aparentemente bêbada, foi levada para ser atendida no Corpo de Bombeiros.

Segundo relato transmitido pela 103 FM, do grupo WH Comunicações, de São Miguel do Oeste, ainda estava seminua. Medicada, ela foi levada, juntamente com o marido, para a delegacia da cidade catarinense, onde ficaram até aproximadamente 7 horas da manhã, na presença do homem solteiro que mora cidade.

Foi quando os fatos se esclareceram.

Depois do encontro marcado pelo site, o casal foi até a cidade, diretamente para o apartamento do homem solteiro. Levaram bebida, e a festa começou. À certa altura, o marido discordou de algo que o homem solteiro fazia com sua mulher, e começou uma discussão.

O marido foi colocado para fora do apartamento, mas ele voltou, com uma chave de fenda, que usou para arrombar a porta, entrar e atacar o outro.

O casal acabou deixando o apartamento correndo, com a mulher nua, segundo relato do vizinho. O homem solteiro foi atrás, com o espeto na mão. E quebrou o carro, conforme mostram as fotos.

Ainda assim, o casal fugiu, a polícia foi avisada, e agora os dois homens responderão por dano ao patrimônio. O marido ainda foi enquadrado por embriaguez ao volante. Ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, ele se sujeitou à multa de R$ 3 mil e à perda da carteira de habilitação pelo prazo de 1 ano.

Desde domingo, este é o grande assunto na região, conforme se pode ver pelo ânimo com que comunicadores da rádio 103 FM noticiaram e comentaram os fatos.

Se o que o casal buscava era quebrar a monotonia, conseguiu, com doses extras. Veja o vídeo com o noticiário local:

 

 

Bolsonaro mentiu ao anunciar como vitória diplomática cota adicional de açúcar para os EUA

Jair Bolsonaro (AFP)

Originalmente publicado por SPUTNIK

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, nesta segunda-feira (21), que o Brasil vai receber uma cota adicional para exportar, com imposto reduzido, 80 mil toneladas de açúcar para os Estados Unidos.

O anúncio foi feito por Bolsonaro através de um post no Twitter.

“A quota para o açúcar brasileiro nos EUA passa de 230 para 310 mil toneladas e, por lei, beneficiará exclusivamente os produtores do Nordeste”, escreveu o presidente em uma das postagens.

​No entanto, em entrevista à Sputnik Brasil, Paulo Velasco, diretor do Curso de Relações Internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), explicou que o anúncio feito por Bolsonaro é um “procedimento normal” e que não representa “uma vitória diplomática” para facilitar o acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos EUA.

“O presidente Bolsonaro tenta apresentar essa concessão feita pelos EUA como uma grande vitória em termos de negociações comerciais, mas não é verdade. É muito mais uma tentativa do presidente de mostrar dividendos concretos e resultados práticos de uma relação muito convergente com os EUA, especificamente na dimensão comercial, mas não foge ao que víamos em anos anteriores”, disse Velasco.

Segundo Velasco, em outros anos inclusive a cota adicional de açúcar brasileiro liberada pelos EUA foi superior a anunciada pelo presidente.

“É muito comum, praticamente todos os anos vemos esse fenômeno. Essa cota adicional de 83 mil toneladas de açúcar não foge em nada ao que já vimos. Aliás, houve anos em que essa cota adicional foi inclusive bem superior a 80 mil toneladas”, comentou.

​O Brasil tem uma cota fixa de 152,6 mil toneladas já isenta de impostos. Há duas semanas, o governo brasileiro aprovou uma cota de isenção tarifária para a importação de 187,5 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos.

 

Para Paulo Velasco, “não há um equilíbrio nas concessões”.

“O governo brasileiro tenta mostrar a ideia de uma relação comercial equilibrada. […] As concessões dadas pelo Brasil aos exportadores norte-americanos de etanol têm um alcance muito mais amplo, tem um efeito muito maior em termos de valores. Na verdade, não há um equilíbrio nas concessões, o Brasil é muito mais generoso na sua oferta do que os Estados Unidos são ao açúcar brasileiro”, opinou.

Velasco enxerga que não há ganhos do ponto de vista comercial por parte do governo de Jair Bolsonaro.

“Não consigo enxergar grandes vitórias do governo Bolsonaro em matéria comercial em face dos Estados Unidos. Essa renovação, mais uma vez, de uma cota ao açúcar brasileiro não foge do que já acontecia em outros momentos, quer dizer, não é uma vitória do governo atual. Não é algo para ser atribuído a forte convergência do Brasil e Estados Unidos, então não consigo enxergar efetivamente maiores vitórias do ponto de vista comercial na relação bilateral”, completou.

Assange corre “risco muito alto” de suicídio se extraditado, diz psiquiatra

Publicado originalmente no Brasil de Fato

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, corre “risco muito alto” de suicídio se for extraditado para os Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira (22) o psiquiatra Michael Kopelaman, que testemunhou no julgamento do jornalista em Londres.

Ao longo de 20 exames feitos em Assange, Kopelaman disse que o paciente reclamou de ouvir vozes e música imaginárias enquanto estava detido na prisão de alta segurança de Belmarsh, no sudoeste da capital inglesa.

Segundo o psiquiatra, há evidências de que o fundador do WikiLeaks tem “depressão severa” e “sintomas psicóticos”, o que lhe causavam alucinações auditivas, entre outros sintomas. Um exemplo é que Assange disse ter ouvido música e vozes dizendo “você é pó, está morto, estamos vindo para buscá-lo”, afirma o especialista.

Os impulsos suicidas de Assange “surgem de fatores clínicos, mas é a iminência da extradição que desencadeará a tentativa”, acrescentou Kopelaman, alertando que “ele se deteriorará substancialmente” se extraditado.

A parceira de Assange, Stella Moris, já havia dito que temia que ele se suicidasse, deixando seus dois filhos pequenos sem pai.

James Lewis, representante do governo dos Estados Unidos no julgamento, questionou Kopelman sobre a veracidade de algumas das afirmações de Assange, sugerindo que ele pode tê-las inventado.

Assange enfrenta 18 acusações de acordo com a Lei de Espionagem dos EUA em relação ao lançamento de 2010 pelo WikiLeaks de 500 mil arquivos secretos detalhando aspectos das campanhas militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque.

Edição: Rodrigo Chagas

Inconformado com mulher divorciada no culto, pastor espanca a mãe dela, de 54 anos. Por Daniel Trevisan

Dona Maria Aparecida, a igreja e o perfil do pastor-agressor

Era para ser mais um culto na igreja Assembleia de Deus, ministério Pleno Amor, em Cuiabá, no último domingo, mas a reunião dos fiéis terminou na delegacia de polícia, com uma mulher com hematomas nos olhos e um dente quase arrancado.

Foi uma sessão de espancamento que teve origem na intolerância de um pastor, Ney Valdecy Ferreira, que teria ficado incomodado com a presença de uma mulher recém-separada do marido.

Esta mulher foi até a igreja para deixar a filha com o ex-marido. Ao entrar, o pastor Ney foi na direção del e perguntou o que fazia ali, já que, separada, não era mais bem-vinda.

Quem conta é a própria mulher, entrevistada por Giovani Júnior, na TV Vila Vila Real:

“Ele pegou no meu braço e me questionou o seguinte: ‘O que você está fazendo dentro desta igreja. Você não tem vergonha por ser ex-mulher dele e estar aqui dentro do ministério? Eu simplesmente fui até a igreja para poder levar a minha filha e deixar com o pai dela, porque fui casada com ele durante 17 anos. Deixei a minha filha lá, fui ao banheiro. Quando eu estava voltando, ele pegou no meu braço e me questionou isso: ‘o que eu estava fazendo lá na igreja.’ Eu disse para ele: ‘Solta de mim, e ele não quis soltar, e eu gritei: ‘Solta de mim.”

A mulher se sentou na igreja.

O pastor foi, então, conversar com outro dirigente da igreja, que se autointitula apóstolo. Dona Maria Aparecida, de 54 anos, mãe da mulher recém-separada, avó da adolescente levada para ficar com o pai, via tudo de longe, num canto da igreja, quando outra adolescente, filha do pastor, se aproximou, para tirar satisfação.

“O que sua filha está gritando com o meu pai?”, teria dito. E as duas começaram a discutir. O pastor, que havia subido ao palco para reclamar com apóstolo da presença da mulher separada, desceu do palco e foi na direção de dona Maria Aparecida.

“O pastor Ney saiu lá do púlpito, empurrou ela (a própria filha) e foi me esmurrando, só me esmurrando”, conta. Ela foi ao chão e, caída, foi chutada pelo homem de Deus, segundo testemunhas.

Maria Aparecida registrou boletim de ocorrência e a polícia foi até a igreja, para prendê-lo, mas o pastor Ney fugiu. O repórter o localizou pelo celular, e o pastor culpou a filha pelos hematomas em dona Maria Aparecida.

Questionado se a adolescente teria força para produzir os hematomas, ele desligou o telefone.

O pastor Ney apagou seu perfil no Facebook, onde ele se apresentava com um versículo bíblico em destaque, extraído do salmo 91: “Mil cairão ao teu lado, 10 mil à tua direita, mas tu não serás atingido”.

O pastor Ney Valdecy Ferreira

Na ONU, Bolsonaro mente em dizer que Brasil ajuda a alimentar o mundo. Por Cida Oliveira

Da Rede Brasil Atual

Por Cida Oliveira

O que Bolsonaro não disse na ONU é que itens exportados pelo agro, como a soja, alimentam o gado e a indústria de alimentos ultraprocessados

“No Brasil, apesar da crise mundial, a produção rural não parou. O homem do campo trabalhou como nunca. Produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado.” Esta é mais uma das mentiras contadas pelo presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento na abertura da assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22).

Criada pelos militares na década de 1970, essa propaganda reiterada por Bolsonaro, de que o Brasil é o celeiro do mundo, é enganosa e mal intencionada. E atende aos interesses de latifundiários que, incentivados pelo governo, passaram a se dedicar ao cultivo da soja regada a altas doses de agrotóxicos, que contaminam o solo, rios e aquíferos, em grandes extensões de terra para exportação. “Alimentar essa ideia é vender uma imagem positiva das grandes fazendas, como produtoras de alimentos para o Brasil e o mundo”, afirma o professor e pesquisador Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Não mata a fome

O que Bolsonaro não falou na ONU é que a soja é o principal item da pauta de exportações do agronegócio. O setor é um dos responsáveis pela sustentação de Jair Bolsonaro. No entanto, o grão não tem na alimentação humana a sua principal aplicação. Na Europa e na China, principais compradores, é usado em grande parte na produção de ração animal. Outro item é o milho, igualmente destinado em grande parte à alimentação animal e à indústria de alimentos, entrando como matéria prima para a fabricação do xarope que adoça sucos e refrigerantes, entre outros produtos. E o algodão sabidamente não mata a fome de ninguém.

“O aumento do consumo de carne bovina, suína e de aves e peixes, no entanto, nada tem a ver com fome”, diz Pedlowski. “E sim com a manutenção de um padrão de dieta criado e dominado pelas grandes corporações do setor de alimentos, baseado na grande demanda por alimentos ultraprocessados, calóricos e pouco nutritivos. “

Mapa da fome

Entre outros argumentos que desmistificam a falaciosa propaganda, o agronômo Leonardo Melgarejo destaca uma contradição. “Como pode esse agronegócio que diz alimentar um bilhão de pessoas no mundo estar alheio ao que acontece no Brasil? Entramos, de novo, no mapa da fome!”, questiona.

O abismo entre a lucratividade do setor, que em ano de supersafra deverá arrecadar perto de meio trilhão de reais, e o custo dos alimentos que penaliza os mais pobres também desconstroi o mito, segundo Melgarejo. Outra coisa que Bolsonaro escondeu da ONU é que o arroz e o feijão estão sumindo do mercado, com preços elevados em 30% e 18%, respectivamente. O desemprego, contando os que desistiram de procurar trabalho, atinge 30 milhões de brasileiros. “São 60 milhões os que dependem do auxílio emergencial, de pouco mais de 100 dólares, para comer. Não é evidente que estas curvas, a do crescimento da fome e miséria, e a dos ganhos cumulados por este agronegócio que define as falas do governo, crescem juntas, mas com efeitos opostos? A soja matou a fome de quem? Seu avanço, nos rastros das queimadas, vai beneficiar a quem?”

Agronegócio nefasto

Em nome dessa pseudo missão de alimentar o mundo, o agronegócio avança sobre a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado, derrubando e queimando a floresta. “Recentes estudos envolvendo a cadeia da carne demonstram que os grandes empresas brasileiras, JBS, Minerva e Marfrig estão envolvidos com fazendas desmatadas ilegalmente. E quando são encontradas evidências, dizem que não têm como controlar a cadeia da carne. E aceitam animais criados e abatidos em áreas de desmatamento ilegal muitas vezes em unidades de conservação e territórios indígenas. Então a cadeia da carne é o principal exemplo de que não tem latifundiário bom e latifundiário ruim”, aponta Marcos Pedlowski, da Uenf.

Coautor de um estudo publicado na última semana na revista científica Science, que demonstra que a área degradada na Amazônia é ainda maior que a desmatada, Pedlowski explica que o crescimento do desmatamento, para abertura de novos pasto e áreas agrícolas, nada tem a ver com o aumento da demanda internacional pela soja e pela carne. E sim pela falta de investimento no aumento dessas atividades. Pois a natureza não fez a Amazônia para esse tipo de agricultura intensiva e de grande escala.

Pantanal

“A dinâmica ecológica não suporta isso, porque a fertilidade dos solos depende da ciclagem dos materiais orgânicos da floresta. Com a sua derrubada, os solos vão se exaurir em um período de 3 a 10 anos. Por isso os produtores de soja buscam cada vez mais áreas. Nas que ficam para trás não nasce nem capim. Em Rondônia, que tem alguns dos melhores solos da Amazônia, já vi terrenos que ficaram completamente imprestáveis. Se for nos solos totalmente arenosos, o ciclo é ainda mais curto. Por isso a agrofloresta não só faz mais sentido ecológico, mas também econômico”, diz Pedlowski.

Assim, essa ação danosa do agronegócio predatório na Amazônia, que não considera os danos ecológicos, afetam até o regime de chuvas no Brasil. A questão do Pantanal é a mesma coisa. “Essas queimadas de 2019 e 2020 foram feitas por latifundiários que querem aumentar a sua área para pasto e para o plantio de soja. É a expansão da mesma lógica da Amazonia ocorrendo no bioma Pantanal.”

O problema, segundo Pedlowski, é que os latifundiários, propalados como homens do campo que ajudam a matar a fome do planeta, não se importam com nada disso. “Estão se lixando para isso porque têm o poder político e bélico para ocupar cada vez mais áreas para praticar uma agricultura ecologicamente insustentável. Latifundiário com consciência ecológica é tão inviável quanto usar agrotóxico com segurança. Não é a toa que os dois sempre andam juntos. Isso sem falar do trabalho escravo.”

Agricultura familiar

Enquanto o latifúndio que não produz alimento é supervalorizado, dotado de estruturas de financiamento, crédito subsidiado e incentivos fiscais, a agricultura familiar tem cada vez menos área, crédito e direitos. Os verdadeiros homens do campo que trabalham de sol a sol para garantir os alimentos consumidos pelos brasileiros são perseguidos por Bolsonaro.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em todo o mundo a agricultura familiar produz 70% dos alimentos mais consumidos.

O corte de recursos do setor, como o Programa de Cisternas e do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), foi só o começo.

Em maio, já durante a pandemia, Bolsonaro excluiu os pequenos agricultores, silvicultores, pescadores artesanais e aquicultores do auxílio emergencial de R$ 600 por “contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade”.

E um Projeto de Lei apresentado ao Congresso em março para socorrer esses produtores de alimentos, o PL 735, só foi aprovado em agosto. No entanto, Bolsonaro vetou a maior parte da proposta convertida na Lei 14.048/2020. A canetada excluiu 14 dispositivos fundamentais para o atendimento emergencial, como o pagamento do próprio benefício de R$ 600, a criação de novas linhas de crédito emergencial do Pronaf, o Programa de Atendimento Emergencial à Agricultura Familiar – complemento emergencial ao PAA, a prorrogação do prazo para pagamento de dívidas e a suspensão de cobranças judiciais e execuções.

DCM TV: A ressaca de Bolsonaro na ONU e as chances da esquerda nas eleições municipais

Kiko Nogueira analisa as principais notícias e conversa com Breno Altman do canal Opera Mundi.

Moderação: Marília Beznos

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