Acuado, Nunes sai em defesa de produtora de ‘Dark Horse’: “Perseguição política”

Atualizado em 1 de junho de 2026 às 15:06
O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes. Foto: Divulgação

A ação da Polícia Civil realizada nesta segunda-feira (1º) em órgãos da Prefeitura de São Paulo e na produtora do filme “Dark Horse”, do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou críticas do prefeito Ricardo Nunes. Ele questionou os motivos da ação e afirmou ver indícios de motivação política na investigação que apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões para fornecimento de internet gratuita na capital paulista.

“Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, então estou indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme. Aí é grave. Aí é perseguição política”. Em seguida, acrescentou: “Se por acaso for uma questão política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia”, disse ele.

O inquérito investiga a contratação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade responsável pela execução do programa de Wi-Fi gratuito da Prefeitura. O instituto é presidido por Karina Ferreira da Gama, empresária que também controla a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo longa-metragem “Dark Horse”.

A Polícia Civil apura suspeitas relacionadas à execução do contrato e ao destino de parte dos recursos movimentados pela entidade. Os agentes cumpriram diligências na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, localizada na Rua Líbero Badaró, no centro da capital.

A ação ocorreu pela manhã e, segundo informações relatadas ao prefeito pela equipe da pasta, os documentos recolhidos já eram públicos e estavam disponíveis nos sistemas da administração municipal, além de terem sido encaminhados anteriormente aos investigadores.

O prefeito também declarou que, com base nas informações recebidas da equipe técnica, não encontrou indícios de irregularidades no processo de contratação. “O que eu recebi da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado dentro do processo de contratação”, afirmou. Segundo ele, a administração realizou revisões recentes sobre o contrato.

Questionado sobre apontamentos dos investigadores relacionados à ausência de notas fiscais e comprovações de despesas, Nunes respondeu que o modelo prevê análise posterior da prestação de contas e destacou que valores sem comprovação já foram desconsiderados pela Prefeitura.

“Na análise de 2024 foram glosados mais de R$ 2 milhões porque era um serviço que não havia sido comprovado”, disse. “Se tiver alguma coisa errada, a prefeitura não vai pagar ou vai descontar.”

O prefeito também rejeitou suspeitas de direcionamento no chamamento público vencido pelo ICB. Segundo ele, apenas a entidade apresentou proposta dentro do prazo previsto. “Durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor. Não houve nenhum pedido de impugnação, nenhum questionamento, nenhuma outra entidade quis participar”, declarou.

As investigações tiveram início em março após solicitação do Ministério Público. Entre os pontos analisados estão o processo de seleção da entidade, os valores pagos por ponto de acesso instalado e possíveis pagamentos realizados antes da efetiva entrega dos serviços.

A Prefeitura afirma que colaborará com as apurações. “Se tiver alguma coisa de errado, eu vou ser o primeiro a tomar as providências. Mas, até o presente momento, de tudo o que eu vi, não existe absolutamente nada de errado nesse processo”, afirmou Nunes.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.