Caso Ramagem deve ser ignorado na reunião entre Lula e Trump na Casa Branca; entenda

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 7:36
Ramagem durante detenção do ICE nos EUA. Foto: reprodução

Integrantes do governo Lula esperam que a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, fique fora de pauta na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na próxima quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington.

Segundo a CNN Brasil, a avaliação de auxiliares que acompanham os preparativos da viagem é que o episódio, apesar da tensão diplomática provocada em abril, não tem dimensão para ocupar a agenda de trabalho entre os dois chefes de Estado. O governo brasileiro pretende concentrar a conversa em temas comerciais e na cooperação contra o crime organizado.

Ramagem foi preso em 16 de abril, em Orlando, na Flórida, após ser flagrado em uma infração de trânsito e identificado com o visto vencido. Na ocasião, a Polícia Federal divulgou nota afirmando que a medida era resultado da cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

O ex-deputado, condenado a 16 anos pelo plano de golpe, foi solto dois dias depois. Ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro, Ramagem tem pedido de asilo político nos Estados Unidos sob a alegação de sofrer perseguição política.

Após a soltura, o governo estadunidense determinou a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho, que atuava como oficial de ligação com o ICE em Miami. A justificativa foi a suspeita de que ele teria atuado de forma irregular na detenção de Ramagem.

Donald Trump e Lula em encontro na Malásia. Foto: Ricardo Stuckert

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, publicou nas redes sociais o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado.

Em resposta, o governo Lula adotou o princípio da reciprocidade e exigiu a saída do agente estadunidense Michael William Myers, que estava no Brasil desde 2024 e atuava como correspondente de Carvalho na área de imigração.

A soltura de Ramagem foi celebrada por bolsonaristas. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo mantêm interlocução com integrantes do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio. No governo brasileiro, porém, a avaliação é que acesso a setores do Departamento de Estado não significa influência direta no Salão Oval, onde Lula será recebido por Trump.

Lula embarca nesta quarta-feira (6) para Washington acompanhado do chanceler Mauro Vieira, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A reunião é tratada como um marco na tentativa de reorganizar a relação bilateral após a crise aberta com a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros em julho de 2025.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.