
A fala de Fellipe Bastos no programa Troca de Passes, do SporTV, do grupo Globo, escancarou um dos traços mais atrasados do futebol brasileiro: a tentativa de transformar agressão em demonstração de masculinidade.
Ao comentar a rasteira dada por Neymar em Robinho Jr. durante um treino do Santos FC, Bastos afirmou que situações desse tipo deveriam ser “resolvidas no vestiário”.
Em seguida, ao ser questionado por Carlos Eduardo Mansur se o mundo do futebol obriga alguém a aceitar uma agressão, respondeu: “Te obriga a ser homem”.
A frase não é apenas idiota e relativiza a violência. Ela reforça um velho código de machismo que ainda domina o ambiente do futebol: o de que suportar humilhação seria prova de virilidade.
Vale tudo em se tratando de puxar o saco de Neymar. Até uma espécie de tribunal paralelo, como ocorre no PCC.
É a velha lógica da desculpa automática. Em vez de condenar com clareza quem agride, procura-se um contexto que alivie a responsabilidade do agressor.
Houve um tempo em que para ser comentarista era necessário ter sido um ex-jogador reconhecido, mas depois bastou ser um ex-jogador bem articulado. Agora, vivemos temos em que ex-bagres viram comentaristas e nem o mínimo de bom senso é exigido deles! pic.twitter.com/DUE9loijWL
— Andrade (@AndradeRNegro2) May 5, 2026
O futebol brasileiro já deveria ter superado esse tipo de mentalidade. Em qualquer outro ambiente profissional, um caso assim seria tratado como o que é: uma agressão.
No futebol, ainda há quem queira vendê-lo como “coisa de homem”.
E é justamente esse pensamento que ajuda a manter o esporte preso a práticas arcaicas que deveriam ter ficado no passado. Depois o Fantástico faz uma reportagem denunciando os red pills e fica tudo certo.