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De abuso a sucesso: por que o público lota as salas da cinebiografia de Michael Jackson

Jaafar, sobrinho de Jackson, que interpreta o astro, em cena do filme ‘Michael’ – Foto: Reprodução

A cinebiografia “Michael”, lançada em 2026, aborda a vida de Michael Jackson e seus conflitos familiares, focando especialmente em seu relacionamento com o pai, Joseph Jackson. O filme ilustra o impacto do abuso físico sofrido por Michael durante sua infância, retratando o uso de cintos e fios de ferro, conforme relato do próprio cantor. A produção também explora aspectos da carreira do Rei do Pop, como a controvérsia em torno de sua participação na paz entre gangues de Los Angeles, quando ele promoveu a colaboração entre os grupos Crips e Bloods para o videoclipe de “Beat It”.

Embora o filme acerte em alguns pontos, como a representação do incidente em que o cabelo de Michael pegou fogo durante um comercial da Pepsi em 1984, há divergências em outros aspectos, como a relação com seu pai. A obra mostra Joseph Jackson como uma figura predominantemente abusiva, enquanto entrevistas de 2013 com Katherine Jackson, mãe de Michael, indicam uma visão mais moderada sobre o uso de castigos físicos. Além disso, o filme omite algumas questões, como o fato de que Michael se tornou dependente de analgésicos após o acidente no set da Pepsi.

O filme também aborda a luta de Michael com seu empresário, seu pai Joseph, e a criação do icônico “Thriller”. A história é reconstruída em torno de algumas de suas contribuições musicais, mas minimiza o papel crucial do produtor Quincy Jones na criação de alguns de seus maiores álbuns. A narrativa tenta balancear ficção e realidade, mas, como muitas cinebiografias, nem sempre segue à risca os eventos verídicos da vida do artista. A produção, que já é sucesso de bilheteira, oferece uma visão profunda de um dos ícones mais controversos da música pop. O filme é um sucesso no mundo todo.