De olho no Instagram, fotógrafos profissionais bombam em pontos turísticos Brasil afora

A chamada “instagramização” do cotidiano impulsionou a presença de fotógrafos profissionais em praias, pontos turísticos, eventos esportivos e festas populares pelo Brasil. A busca por imagens prontas para publicação imediata nas redes sociais transformou a fotografia em serviço sob demanda, com entrega rápida e edição na hora. “Comecei a perceber que não vendia só uma foto, e sim autoestima”, afirma o fotógrafo Edson Paiva em entrevista ao Globo, que atua nas praias do Rio e oferece pacotes que podem chegar a R$ 1 mil.
Em destinos turísticos como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, fotógrafos relatam que a procura é puxada principalmente por turistas e jovens interessados em registrar viagens e momentos de lazer. No Pelourinho, em Salvador, Vanderlei Júnio Silva Lima diz que o faturamento varia conforme o movimento: “Depende muito do fluxo de turistas, tem dia que só faço uma foto. Em compensação, na época do verão, pode acontecer de serem 20, 30 e até 40”. Plataformas como a Fotop também ampliaram esse mercado ao reunir registros de eventos esportivos, shows e festivais em um único ambiente digital.
Apesar do crescimento da atividade, a prática esbarra em regras legais e fiscalização municipal. Em Balneário Camboriú, por exemplo, fotógrafos precisam de autorização específica para atuar em espaços públicos. “Fui parada pela fiscalização da prefeitura. Informaram que eu precisava ter uma autorização municipal para vender as fotos”, relata Vitória Raiana de Souza Ortiz, que optou por deixar a cidade após a abordagem.
Especialistas alertam para os impactos sociais e jurídicos da hiperexposição. A psicóloga Luisa Sabino Cunha aponta riscos ligados à validação social excessiva e à perda de limites entre o público e o privado. Já o professor Antonio Carlos Morato, da Universidade de São Paulo, reforça que “em regra, precisa de autorização sempre, mesmo estando na rua”, sobretudo quando há finalidade comercial. Para ele, só não há exigência quando a pessoa aparece de forma acidental e sem destaque na imagem.
