Diretor do Inpe nega acusações de mentira de Bolsonaro e diz que não deixará cargo

Publicado em 20 julho, 2019 9:52 pm
Ricardo Galvão, diretor do Inpe – Reprodução/TV Vanguarda

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão, rebateu as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, que acusou o órgão de pesquisa de mentir sobre dados relativos ao desmatamento e de estar “agindo a serviço de uma ONG”. Galvão afirmou também que não deixará o cargo, segundo reportagem do G1.

“Fazer uma acusação em público esperando que a pessoa se demita. Eu não vou me demitir”, afirmou Galvão. As acusações de Bolsonaro foram feitas na sexta-feira (19), em coletiva com jornalistas estrangeiros. Neste sábado (20), Galvão se defendeu em entrevista ao site do jornal “O Estado de S.Paulo”.

“A questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do Inpe para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão.”, afirmou Bolsonaro.

Em resposta, Galvão disse que a frase de Bolsonaro “parece piada de um garoto de 14 anos”. O diretor do Inpe diz que tem “48 anos de serviço público e nunca teve nenhum relacionamento com nenhuma ONG, nunca fui pago por fora, nunca recebi nada mais do que além do meu salário com o servidor público”.

Segundo Galvão, “nessas entrevistas com a imprensa ou mesmo em outras manifestações, ele [Bolsonaro] tem um comportamento como se estivesse em botequim”.

Já o Inpe, em nota oficial, diz que sua política de transparência permite o acesso completo aos dados e acrescentou que a metodologia do instituto é reconhecida internacionalmente. “O Inpe teve um papel fundamental na utilização de satélites para imagem de sensoriamento remoto. O Brasil foi o terceiro país no mundo a usar imagens do satélite landsat, método desenvolvido pelo Inpe. Todos os nossos métodos são desenvolvidos pelo Inpe”.

Galvão ainda alfinetou a possível escolha de Eduardo Bolsonaro como embaixador brasileiro nos EUA: “Todos os diretores dessas unidades de pesquisa não são escolhidos por indicação política ou por que o pai deles quis dar um filé mignon pra eles. Eles são escolhidos por uma comitê de busca nomeado pelo governo, por 5 especialistas de renome nacional, tanto na área científica quanto na área tecnológica”, reiterou.