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Do prato popular ao luxo: como o cuscuz paulista entrou na gentrificação culinária

Cuscuz Paulista. Foto: Divulgação

A chamada gentrificação culinária ganhou um símbolo recente no Cuscuz Paulista. Criado como comida de sustento e improviso, o prato passou a viver uma dualidade visível nas cidades. Enquanto versões “raiz”, moldadas em fôrmas simples de alumínio, seguem presentes nas periferias, releituras com ingredientes caros e apresentação minimalista ocupam restaurantes de alta gastronomia e vídeos estéticos nas redes sociais.

Pesquisadores e críticos apontam que a “gourmetização” frequentemente apaga a história de resistência ligada a pratos populares. Reportagens da ‘Folha de S.Paulo’ registram que receitas como feijoada, dobradinha e o próprio cuscuz acabam transformadas em itens de luxo, distantes de quem as criou.

A estética do chamado “Cuscuz de Vídeo”, impulsionada pela montagem visual, viralizou, mas gerou polêmica quando chefs tentaram “corrigir” técnicas tradicionais, sendo acusados de desrespeitar o saber popular. O mesmo processo aparece em exemplos como o “pão com ovo”, rebatizado como egg sandwich e vendido por valores muito superiores ao do balcão da esquina.