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Domesticação de gatos surgiu na África e é mais recente que imaginávamos

Gato domesticado. Foto: reprodução

A domesticação dos gatos modernos começou no norte da África, e não no Oriente Médio como se acreditava, segundo um amplo estudo genético publicado na revista “Science”. A pesquisa, liderada pelo paleogeneticista Claudio Ottoni, analisou 70 genomas de gatos antigos e revelou que todos os gatos domésticos atuais descendem de uma única população de gatos-selvagens africanos.

Os dados mostraram que os felinos encontrados na Europa antes de 200 a.C. não eram ancestrais dos gatos de hoje. Eles eram geneticamente similares aos gatos-selvagens-europeus. A análise do genoma completo evidenciou que a domesticação se originou a partir das populações do norte da África, especialmente as da Tunísia, deslocando as hipóteses anteriores que apontavam para o Crescente Fértil.

A pesquisa indica que os gatos domesticados só se tornaram comuns na Europa por volta do século 1 d.C., durante a expansão do Império Romano. “As cidades romanas constituíam cenários ideais para que os gatos explorassem o nicho humano”, observou Ottoni em entrevista. A infraestrutura urbana, com seus armazéns de grãos e roedores, proporcionou o ambiente perfeito para sua adaptação e disseminação.

Apesar dos avanços, a história evolutiva dos gatos permanece incompleta. A dificuldade de extrair DNA de múmias egípcias impede determinar com precisão o papel do Egito, a primeira cultura a retratar gatos domesticados.